De Sainte Devote a Antony Noghès: por que curvas do GP de Mônaco de F1 têm nomes famosos

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Quando os carros da Fórmula 1 voltam a acelerar pelas ruas de Monte Carlo, em Mônaco, os fãs costumam ouvir nomes que fazem parte da história do automobilismo: Sainte Devote, Mirabeau, Tabac, La Rascasse e Antony Noghès.

Cada curva do circuito monegasco guarda uma origem própria, ligada à cultura local, à geografia do principado e até a personagens fundamentais para a criação da corrida mais tradicional do calendário.

Diferentemente de muitos autódromos modernos, onde as curvas costumam ser identificadas apenas por números, o circuito monegasco preservou denominações históricas ligadas a pontos turísticos, bairros, estabelecimentos comerciais e personalidades locais.

Como a pista utiliza ruas abertas ao trânsito durante a maior parte do ano, muitos dos nomes surgiram naturalmente a partir dos locais pelos quais os carros passam. Veja o significado de cada curva abaixo.

Sainte Devote: a curva dedicada à padroeira de Mônaco

A primeira curva do circuito recebe o nome de Santa Devota, considerada a padroeira do Principado de Mônaco.

Próximo ao trecho existe uma pequena capela dedicada à mártir cristã do século IV. A curva se tornou uma das mais conhecidas do circuito por concentrar diversos acidentes na largada ao longo da história da F1.

Beau Rivage: a subida com vista para o Mediterrâneo

Após a saída de Sainte Devote, os pilotos encaram a subida de Beau Rivage. Em francês, a expressão significa algo próximo de "bela costa" ou "bela margem".

O nome faz referência à vista privilegiada para o Mar Mediterrâneo ao longo desse trecho do traçado.

Massenet e a homenagem a um compositor francês

A terceira curva leva o nome de Jules Massenet, um renomado compositor francês de óperas do século XIX.

Uma estátua em homenagem ao artista fica próxima ao local, razão pela qual o trecho acabou recebendo seu nome.

Casino Square: o coração do glamour de Monte Carlo

Poucos pontos representam tão bem a imagem de Mônaco quanto a Praça do Cassino. A curva passa diante do famoso Cassino de Monte Carlo, inaugurado em 1865 e considerado um dos cartões-postais mais conhecidos do principado.

Mirabeau: o hotel que batizou duas curvas

O circuito possui duas curvas chamadas Mirabeau. Os trechos receberam esse nome por causa do antigo Hotel Mirabeau, que ficava na região. Embora o edifício tenha sido transformado em um complexo residencial, sua ligação com a pista permaneceu.

As denominações "Superior" e "Inferior" não indicam importância, mas apenas a posição de cada curva em relação à altitude do circuito.

Hairpin: a curva mais lenta da Fórmula 1

A famosa Hairpin é conhecida por ser a curva mais lenta de toda a temporada. Seu nome vem do formato semelhante a um grampo de cabelo ("hairpin", em inglês).

Ao longo das décadas, ela também foi chamada de Station Hairpin, Loews Hairpin, Grand Hotel Hairpin e Fairmont Hairpin, acompanhando as mudanças dos estabelecimentos instalados na região.

Portier: a porta de entrada para o túnel

A curva Portier recebeu o nome de um bairro residencial de Mônaco chamado Le Portier. Ela marca a transição para um dos trechos mais famosos da pista: o túnel, cenário de momentos históricos da Fórmula 1, incluindo o acidente de Ayrton Senna quando liderava o GP de 1988.

O túnel: a curva sem apelido

Entre todas as curvas do circuito, o túnel talvez seja a mais simples de explicar. O nome vem justamente do fato de os carros atravessarem uma passagem coberta, algo único no calendário da Fórmula 1.

A brusca mudança de luminosidade continua sendo um dos desafios mais característicos de uma volta em Monte Carlo.

Nouvelle Chicane: a 'chicane nova'

Ao saírem do túnel, os pilotos chegam à Nouvelle Chicane. O trecho era conhecido como Chicane du Port, mas passou por modificações em 1986.

Após a reforma, recebeu o nome "Nouvelle", palavra francesa que significa "nova". Até hoje, é um dos principais pontos de ultrapassagem do circuito.

Tabac: uma homenagem a uma antiga tabacaria

A curva Tabac recebeu esse nome por causa de uma antiga tabacaria que funcionava na região. Mesmo após diversas transformações urbanas em Monte Carlo, a denominação histórica foi preservada e se tornou uma das mais tradicionais do circuito.

Piscine: a sequência ao lado da piscina

Embora muitos fãs a conheçam como "Piscine" ou "Swimming Pool", essa seção corresponde a uma sequência rápida de curvas.

O nome surgiu após a construção do complexo aquático Rainier III, inaugurado na década de 1970 ao lado do traçado.

La Rascasse: de peixe mediterrâneo a curva histórica

A penúltima curva do circuito homenageia um restaurante e bar chamado La Rascasse. O estabelecimento recebeu esse nome por causa de um peixe comum no Mar Mediterrâneo, conhecido em francês como "rascasse".

Inicialmente ligado à comunidade pesqueira local, o local acabou se transformando em um dos pontos mais famosos dos fins de semana de corrida.

Antony Noghès: a homenagem ao criador do GP de Mônaco

A última curva da pista presta homenagem a um dos personagens mais importantes da história do automobilismo. Antony Noghès foi o idealizador do Grande Prêmio de Mônaco e teve papel decisivo na criação do circuito urbano inaugurado em 1929.

Além de ajudar a fundar o Rally de Monte Carlo, ele também é lembrado por defender o uso da bandeira quadriculada para sinalizar o final das corridas.

Por sua contribuição ao esporte e ao próprio principado, seu nome passou a identificar a curva final do circuito, por onde os pilotos aceleram rumo à reta principal.