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LoL: Head de Esports da Riot comenta possível franquia no CBLoL e desenha alternativas

CBLoL estuda mudanças para próximas temporadas Riot Games Brasil

Nas últimas semanas, o debate sobre a possibilidade de estabelecimento do sistema de franquias no CBLoL veio à tona. Atualmente, boa parte das principais ligas de LoL funcionam através do franqueamento, que nega o rebaixamento e propicia investimento a longo prazo.

O ESPN Esports Brasil conversou com o Head de Esports da Riot Games no Brasil, Carlos Antunes, a fim de entender os planos da desenvolvedora para o futuro do CBLoL. Em entrevista, o executivo comentou as possibilidades para o formato do torneio.

FRANQUIAS NO CBLOL

De acordo com Carlos, a Riot estuda, atualmente, modelos de longo prazo para o CBLoL. “[Estudamos] modelos que poderiam questionar o relegation, porque trazer a permanência do time a mais tempo em uma liga aumenta a capacidade de investimento e planejamento”, aponta.

“Desenhamos alguns caminhos, alguns, inclusive, nada a ver com franquias, mas que podem resolver o problema da interrupção do planejamento do time, que é o carro-chefe do sistema de franquias”, avalia. “A franquia não tem relegation, mas tem muita coisa por trás”, aponta.

“Aqui no Brasil, como não é um mercado em que a franquia esportiva já existe há muito tempo, precisamos resolver o problema de onde estão os investidores, e como a liga e o time vão juntos a mercado. Por que não é só o time que vai: eu preciso mostrar que o CBLoL é alguma coisa”, destaca.

Carlos afirma que, quando organizações grandes, times de futebol e lojas de varejo, por exemplo, têm interesse em entrar nos esports e no CBLoL, existe um tempo para “analisar o mercado de esports”. “É licenciado? Vou comprar vaga? Essas coisas variam. A gente acredita que existe um tempo para o mercado observar e precisamos deixar a porta aberta”, diz.

“Estamos buscando alternativas e discutindo com os times e com outras regiões da Riot que já têm essas coisas estabelecidas”, conta Carlos Antunes, que diz, também, que as possibilidades para o futuro do CBLoL estão próximas de serem definidas.

O head de esports ressalta, no entanto, que permanecer no modelo atual também é uma possibilidade, caso “não seja a hora”. “O que a gente não quer fazer é tomar uma decisão por um conceito que, em tese, seria bom para a liga, mas que é um custo muito grande para os times e o mercado ainda não está pronto. Não queremos dar um passo e ter que voltar atrás”, crava.

TIPOS DE FRANQUIA

Ao citar alternativas além da franquia clássica, adotada, por exemplo, pela LCS, Carlos Antunes explica especificidades de cada região. “Há diversas formas de compartilhamento de receita ao longo do tempo”, ressalta.

“Na LEC e na LCS, os times desembolsaram um grande capital pela compra da vaga, e recebem o capital de volta em um determinado tempo. Na Turquia, que também é franquia, o tempo para retorno não é tão longo, e o investimento é menor, o que traz menos risco e mais retorno a curto prazo. Essa pequena variação mexe em muita coisa”, aponta.

O head de esports aponta que em todo grande investimento, deve haver a construção de como a receita será gerada. “A Turquia fez um modelo adequado ao mercado deles. Essas variações, desde comprar a vaga ou não, como fazer receita, ou simplesmente pagar para não ser relegado, são coisas que também estamos estudando”, diz.

“Tudo isso se encaixa em franquia, mas há diferentes ideias e estamos vendo todos os modelos. Em alguns pontos, modelos de mercado emergente se parecem com o nosso, mas, em outros, ligas super consolidadas também parecem. Para um investidor, pequenas variações fazem toda a diferença”, salienta Antunes.

NOVOS TALENTOS

Apesar da franquia clássica ser considerada, o porta-voz afirma que há alguns pontos que a empresa não quer prejudicar em uma mudança de formato. Um deles, para ele, é a entrada de novos talentos no cenário, facilitada pelo sistema de rebaixamento.

“O que tem acontecido com o Desafiante nos últimos dois anos cabe no modelo de franquia, com iniciativas como Academy ou Draft”, salienta. “Não só talentos como boas organizações surgiram de lá. Se você fizer o raio-x do CBLoL hoje, pelo menos metade das organizações tem um DNA de lá”, diz.

Carlos afirma que o dilema entre Academy, segunda divisão ou ligas regionais, como na LEC, é uma questão importante para a decisão. “O Academy também é um custo para os times, então a decisão tem que ser deles. Esse é o tipo de coisa que estamos vendo como variação”, conta.

O head de esports afirma que, antes de seguir fielmente os modelos adotados por ligas de LoL ao redor do mundo, o CBLoL quer encontrar ou criar um modelo “brasileiro”, que “tenha a ver com nosso tempo de mercado”. “Estamos olhando, sim, mudanças de formato. Mas tem que estar bom para todo mundo”, ressalta.

“Só vamos fazer um movimento quando fizer sentido para todo mundo que está em volta. E a gente vai trabalhar isso com todo mundo, com investidor, com time, pra que isso seja possível”, finaliza.