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PUBG | 'Quero representar muito bem a bandeira do Brasil', diz Sparkingg

Sparkingg durante o media day da PGC Divulgação/PUBG Corporation

Jogador da Dignitas fala sobre o começo da sua carreira, dificuldades por conta das regras da PUBG e a chegada do mundial


A temporada 2021 de PUBG está se encaminhando para o fim, com a chegada do PUBG Global Championship 2021. As 32 melhores equipes vão se juntar em Incheon, Coreia do Sul, para um mês de jogos que vai definir a melhor equipe do mundo do battle royale da PUBG Corporation.

O Brasil não terá uma equipe presente no mundial, mas terá a presença dos jogadores Pedro "Sparkingg" Ribeiro e Andrei "ps1co" Carvalho, que vão participar do evento com as equipes Dignitas e KPI Gaming respectivamente. Tendo participado da última edição do mundial com a Meta Gaming, Sparkingg agora tem a missão de representar a nossa bandeira novamente, mas com junto de uma organização norte-americana.

O brasileiro comentou sobre sua caminhada até então no battle royale e as dificuldades que encarou para entrar no sistema competitivo por conta das regras de maioridade da PUBG e os problemas em encontrar uma equipe.

“Antes de eu conhecer o pub estava jogando H1Z1 que era o primeiro battle royale que estourou na época. Quando apareceu o PUBG, eu tive a chance de testar o closed beta e o meu PC não aguentou e fiquei desanimado por completo, mas meu amigo me chamou para jogar quando lançou, e eu dei uma segunda chance para ele. Quando joguei pela primeira vez, peguei o jeito da coisa e até hoje são quatro anos de jogo e até o momento não me arrependo nenhum pouco, acho que foi uma das melhores coisas que surgiram na minha vida”, comentou Sparkingg.

“Sobre ter que intercalar o jogo com a minha vida pessoal foi bem complicado no começo, porque ainda tinha muito preconceito, mas agora está diminuindo. Na época, eu estava tentando arranjar uma bolsa para poder jogar futebol nos Estados Unidos, sendo que quando eu ia treinar - praticamente fazia 300 km todo dia do Cabo Frio até o Rio de Janeiro para treinar três vezes por semana, onde teve um dia que eu estava voltando do treino, e falei para o meu pai que não quero mais jogar bola e queria focar nos campeonatos de PUBG. Era algo que eu amava, mas não era o que eu queria seguir para a minha vida”, explicou.

“Eu jogava o dia inteiro, mas nunca pensei em competir e passei um ano e meio assim, foi quando me chamaram para jogar uma stream e aleatoriamente, e vi que tinha jeito para a coisa. Aí veio o lado ruim da história que era a regra +18, onde na época eu ainda tinha 16 anos e precisei esperar dois anos para poder competir. Antes de completar esse tempo, sempre estive presente nas salas da FACEIT, e estava literalmente comendo o jogo. Eu chegava da escola e ia direto jogar nos lobbies, onde saia do jogo às 5h da manhã e ia para a escola às 6h. Fiquei nisso até quando tive a minha primeira oportunidade no competitivo”, completou.

A vida de Sparkingg mudou de forma drástica com a sua chegada na Meta Gaming em 2020. O jogador conquistou diversos títulos junto da organização do Paraguai e de quebra cravou um lugar no PUBG Global Invitational.S 2021, tendo ficado com a sétima colocação entre as 32 equipes na ocasião.

“Quando eu fui chamado para a Meta, eu tinha 17 anos e a um passo dos 18. Eu estava jogando na Europa e tinha um me qualificado para um mundial que não era oficial do PUBG, então era permitido +16 jogar, fui junto dos meus amigos, no qual tínhamos o nome de "A Creche". Joguei com 220 de ping no primeiro qualificatório e a gente se classificou para o mundial com esse ping absurdo. Eu fui um dos top 10 do mundial e consegui atrair os olhares da Meta”, comentou o jogador.

“Eu fiquei com um dilema de ir para Meta e jogar na América do Sul, ou permanecer na Europa por conta de diversos times terem o interesse em mim. Eu ainda tinha um péssimo inglês e minha comunicação estava fraca, então eu decidi ir para o SA para fazer o meu nome. A Meta era o melhor time da região, e fui um dos primeiros brasileiros a jogar com eles, sendo que conquistamos tudo e fomos para o mundial, ganhei o Prêmio eSports Brasil e minha carreira começou a decolar, ainda é estranho por que vejo algumas pessoas falarem que sou inspiração para muitos, que é bizarro e ainda não acredito nisso ainda, mas fico muito feliz por isso”.

CHEGADA NA DIGNITAS

Sparking revelou que após o mundial do PGI.S, não sentiu que estava dando o seu 100% nos jogos com a sua antiga organização. Foi quando vieram as conversas com a Zenith e a futura chegada na Dignitas, uma das organizações mais tradicionais dos esportes eletrônicos.

“A nossa relação com a Dignitas (ex-Zentith) era sempre um "namoro", porque sempre conversava com eles na internet, mas ficamos mais próximos durante a PGI. Eu não tinha uma relação boa com a Meta na época, então sempre fiquei mais na minha e comecei a sair muito com eles durante o torneio. Durante esse tempo eles já me queriam no time deles, mas por questões burocráticas eu não pude ir”, revelou.

“Durante a minha volta no SA, eu sinto que não joguei bem e senti que não fui 100% melhor que era antes. Eu falei para mim mesmo que não queria isso e gostaria de voltar a dar os meus 100% novamente. Foi quando eu conversei com o Shinboi e o Poonage, antes da janela de transferências fechar e veio a proposta da Dignitas e fechamos com eles, por conta da estrutura e eles serem uma das organizações mais tradicionais dos Esports desde o CS 1.6”, completou.

Com uma equipe nova e uma região diferente, Sparkingg comentou como ele enxerga o cenário norte-americano, além da chegada da Dignitas e TSM ajudarem a colocar a região como uma das favoritas no PUBG Global Championship 2021.

“Vamos dizer que um ano e meio atrás, o NA não era tão bom internacionalmente. Por exemplo, a Tempo Storm ganhou literalmente todos os campeonatos do ano e chegavam lá fora, e não jogava muito bem, era o time que mais representava bem a região. Hoje o NA evoluiu muito, e eu digo que é uma das regiões mais fortes”, comentou.

“Os times que estão aqui no mundial tem a capacidade de ganhar um campeonato, que inclusive tem o atual campeão e o vice campeão do antigo mundial que foi a Sonics. O NA evoluiu muito e agora também com a nossa chegada e da TSM. Eu acredito que as equipes estão se agregando demais e dando aquele gás necessário”, completou.

DE OLHO NA PGC

Perguntado sobre as equipes que mais chamam a sua atenção no mundial, Sparkingg afirmou que não pensa muito nisso por conta da forma do inesperado do battle royale e exaltou a vontade da Dignitas de se provar na PUBG Global Championship 2021.

“Essa PGC teve muitas surpresas, com muitas equipes boas e outras que se colocaram muito bem no último mundial, mas outros que não conseguiram chegar no mundial. No battle royale é conhecido justamente pelo inesperado, ou seja, qualquer time pode chegar no topo a qualquer momento”, explicou Sparkingg.

“A gente sempre se coloca no topo obviamente, por sermos um time que acredita muito em nós mesmos, e em cada um que está aqui está trabalhando muito para isso. Vemos que a gente tem capacidade de ganhar e ser um dos melhores, onde todos aqui na equipe e principalmente o HoneyBadger, que nunca jogou uma lan. Eu por exemplo quero representar muito bem a bandeira do Brasil da melhor forma possível e até superando o meu desempenho no último mundial”, afirmou.

O Brasil em mais um mundial, não tem nenhuma equipe representando a nossa bandeira, mas tem os jogadores Sparkingg com a Dignitas e Andrei "ps1co", que está junto com a argentina KPI Gaming. O brasileiro afirmou que a falta de investimento e público são os fatores chave que dificultam o cenário brssileiro de PUBG.

“Eu queria muito que tivesse um time totalmente brasileiro, porque eu sei que o nosso país tem potencial, mas o cenário do Brasil é um pouco complicado. Mais de 80% dos jogadores não vivem do jogo, sendo que eles trabalham ou fazem faculdade. Eu dou graças a Deus, pelo privilégio de poder me dedicar 100% ao jogo, então acho que no Brasil mesmo falta só mais investimento e estrutura para que as pessoas possam se dedicar 100% como nos Estados Unidos”, explicou.

“O problema que vai muito além do mouse do teclado sabe, eu acho que é algo que vai do público até a estrutura das organização que ainda não tem um investimento pesado como nas outras regiões”, completou.

Para finalizar, perguntei para o Sparkingg como está sendo lidar com esse longo período longe de casa, sendo que o mundial voltou mais uma vez para a Coreia do Sul. Em sua última estadia no país, Sparkingg afirmou que ficaram um grande período de três meses e isso para um jogador pode ser bem estressante, além de afetar o psicológico da equipe.

“O mundial de PUBG junto com o de League of Legends foram os que mais tem um tempo de duração, sendo que a maioria dos eventos internacionais não tem um período tão grande assim. Quando estive aqui pela última vez, foram três meses na Coreia do Sul, longe de casa e da família. Foi bem estressante, eu digo por todos os jogadores que se sentiram o psicológico, e eu ainda acho que forçar essa tecla da saúde mental afeta a energia do seu time”, explicou.

O jogador afirmou que a organização está dando todo o apoio necessário para a escalação, tanto no lado psicológico como no físico, e até brincou sobre uma situação antes do “jogo da sua vida”, durante o Weekly Final, em que a Meta Gaming ficou na segunda posição do ranking geral.

“Nos da Dignitas temos um bom apoio do nosso psicólogo, que ajudou também na comissão americana nos jogos olímpicos. O cara é incrível e sempre ajuda a gente nas suas sessões, tanto particulares como em equipe. Eu também faço bastante coisas para ajudar o psicológico, faço meditação e ioga sempre antes dos dias de jogos, porque me faz me sentir bem e me ajuda a evitar o nervosismo”.

“Você pode até dar risada, mas antes do jogo mais importante da minha vida, eu fiz ioga no banheiro do campeonato. Joguei dando risada, parecia que eu estava treinando tipo sei lá foi muito leve, eu me senti muito leve junto do meu time também”, brincou.

“Uma coisa que a organização também já ponderou, é que devemos sempre cuidar do nosso corpo e o mental. Eles cuidam da nossa alimentação, no qual eu acho isso muito importante, porque não é só você ficar mais de 10 até 12 horas jogando no PC, onde o seu corpo e mente não vão responder bem, então é importante cuidar e trabalhar os dois”, finaliza.

A PUBG Global Championship 2021 começou nesta sexta-feira (19), e terá a duração até o dia 19 de dezembro, com as melhores 32 equipes disputando a coroa do PUBG mundial. A Dignitas de Sparkingg está no Grupo C do mundial, junto das equipes GNL ESPORTS, Natus Vincere, MaD Clan, ENCE, Petrichor Road, KPI Gaming e BN United.