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Free Fire: 'Quebra de call é estratégia e faz parte do jogo', diz Gabriel Reis sobre polêmica na LBFF 5

Durante a decisão da LBFF 5, a LOUD quebrou a call da Fluxo e complicou a equipe no torneio Bruno Alvares/Jéssica Liar

No último sábado (24) foi realizada a grande final da 5ª edição da Liga Brasileira de Free Fire (LBFF), onde a Vivo Keyd se consagrou como a grande campeã. Além do título dos guerreiros, as finais foram ofuscadas pela polêmica da “quebra de call” entre LOUD e Fluxo.

No Free Fire existem as “calls fixas", pontos de queda no mapa, onde cada time cai no início de cada jogo. No battle royale é normal vermos as equipes caírem em locais diferentes no mapa para conseguirem lootear e elaborar suas estratégias de jogo.

A quebra de call significa que um time caiu no local de queda do outro, mas não é considerado anti-desportivo, até porque não existe uma regra proibindo a prática. Para entendermos um pouco mais sobre as quebra de call e se existe fair-play no Free Fire, convidamos o jornalista e especialista de Free Fire, Gabriel Reis, para contar um pouco sobre o seu lado no assunto.

"Fairplay sempre deve existir, mas battle royale é diferente das outras modalidades. Por exemplo, no League of Legends acontece alguma coisa você tem uma pausa ou até mesmo utilizar o cronobreaker, enquanto no CS:GO pode resetar um round, até mesmo fazer uma sala com todo mundo com o mesmo tanto de dinheiro e deixar as coisas justas. Não tem nada nisso no Free Fire, por exemplo", explicou o jornalista em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

A ideia de "fair play" tem muito a ver com reciprocidade e rixa entre times, vemos isso acontecer em torneios de um time contra outro. Porém, no mundo dos battle-royales não é bem assim - são muitos times disputando na mesma queda. Gabriel explicou como poderia ser feito o uso do fair-play na modalidade.

"O Fairplay existe em qualquer esporte, mas no battle royale ele é mais complicado de lidar, apesar de ser uma preocupação mais para os campeonatos não presenciais, que devem acabar em breve com o final da pandemia. O que pode-se configurar como fairplay no Free Fire, por exemplo, é refazer a partida caso uma equipe não consiga se conectar, ou acabe sofrendo com problemas de conexão nos primeiros minutos de queda, por exemplo", comenta o jornalista.

"Mas ainda assim é complicado, porque a rota do avião vai ser diferente, favorecendo uma equipe que na outra queda poderia ir mal e vice-versa, é importante se preocupar com isso. Mas concluindo, sim, sou a favor do fairplay, porém as situações às quais ele se aplica vai muito mais ao ambiente remoto, as coisas vão ser diferentes no presencial com 48 jogadores", completa.

A questão que aconteceu na LBFF foi apenas um de muitos exemplos de uma "quebra de call", no qual já vimos isso acontecer em diversos outros campeonatos e em momentos decisivos. A comunidade sempre aborda o assunto, mas os especialistas e membros das equipes sempre evitam comentar sobre.

Reis explicou o porquê de achar que a quebra de call é um movimento estratégico, além de citar como esse é um caso que afeta a Garena e pode dar grandes dores de cabeça para a organizadora.

“A quebra de call não quer dizer que deveria ter fair play, não é uma coisa no caminho da outra, quebra de call é estratégia e faz parte do jogo. Falando do Free Fire em específico, ela é algo que movimenta o campeonato e tem em que continuar acontecendo seja entre os times da parte de cima da tabela, do meio ou do final não importa”.

"Falaram muito sobre a quebra de call entre LOUD e Fluxo na final da LBFF por se tratar de duas organizações hypadas no cenário. Independente do momento da competição, o alvoroço seria o mesmo. Mas se fosse entre outras duas equipes sem tamanha grandeza nas redes sociais, ninguém teria se importado”, explicou o jornalista.

O que pegou foi que a LOUD, segundo quem contesta, não brigava pelo título. Isso não faz diferença para mim, todo mundo ali estava brigando por alguma coisa. A LOUD prejudicou o Fluxo, mas não foi por qualquer coisa, as duas equipes são rivais fora de jogo, então pode-se pensar que foi algo do tipo "se eu não vou ganhar, você também não vai", e isso não é anti-jogo", completou.

Segundo o Gabriel, a jogada protagonizada por duas das maiores equipes do circuito competitivo do título serviu para movimentar o campeonato, que ainda se mostrou infeliz com a decisão da Garena em não mostrar o momento da quebra de call durante os melhores momentos. "Foi o melhor momento do campeonato inteiro na minha opinião fora o título da Vivo Keyd”.

"É estratégia, entretenimento, tudo isso envolvido, não tem porque inibir. Acho que a Garena tem que ficar atenta somente quando foge disso. Não acredito que nenhuma equipe colocaria em jogo uma vaga de meio milhão de reais na Série A, mas pode acontecer de um time acabar sabotando o outro e impactar no rumo na competição. Nesses casos, como já aconteceu antes com jogadores que combinaram resultados em campeonatos, a Garena precisa estar atenta para aplicar as punições necessárias, uma vez que a quebra de call não vai figurar como algo competitivo, mas sim algo orquestrado por fora, o que aí sim é anti-jogo", finalizou.

Neste sábado teremos a série de acesso da Série A da LBFF. As principais equipes na disputa pelas últimas vagas na elite do Free Fire brasileiro são INTZ, Team Liquid, Santos/Real, paiN Gaming, Tropa do Bruxo e NewX Gaming.