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'Quando vi a loja estourou', conta AMD sobre sua marca de tênis personalizados

AMD22k hoje toca o projeto Be On Fire, de tênis customizados Acervo Pessoal

A anos as mulheres vem buscando um espaço em meio aos esports para poder ter seu lugar ao sol assim como acontece com os homens. Dentro do Counter-Strike a caminhada já acontece a tempos e a cada ano as esperanças de que o cenário se torne um lugar melhor para elas aumenta. Uma das personagens que lutam com unhas e dentes por isso dentro deste cenário e que vem na cabeça da maioria das pessoas quando se fala sobre isso, sem dúvidas, é Amanda “AMD”.

Hoje com 26 anos, a jogadora está nessa caminhada desde os seus 18, quando em 2013 teve algumas aulas na Games Academy com o maior professor que se poderia ter: Fallen. Foi a partir dessas aulas que seu amor pelo jogo, que antes já existia, se tornou ainda mais intenso e quando também percebeu o quão pequeno era o espaço para as mulheres na modalidade.

A preocupação em criar um ecossistema onde elas pudessem crescer e alçar os mesmo vôos que os atletas masculinos, aliada à de outras jogadoras - que talvez escolhessem ficar mais nos bastidores - fez com que cada vez mais essa luta ganhasse força. Colou a cara a tapa, tomou a frente de diversos projetos e se tornou um símbolo dessa luta na comunidade de Counter-Strike.

“No começo era só uma brincadeira, eu fazia Games Academy. Quando eu comecei no CS não tinha um cenário feminino, então eu e as meninas meio que criamos isso, e eu sempre fui muito proativa (...) Eu gosto da minha história como jogadora, mas no que mais sou apaixonada é no cenário feminino, independente da modalidade. Sempre estou tentando fomentar isso. Inclusive, novidades em breve!”, comenta AMD em entrevista exclusiva para o ESPN Esports Brasil.

Novidade essa que fala sobre apenas para instigar e deixar curioso. Quando perguntada sobre, AMD prefere manter o mistério para não estragar nada e diz que o que pode falar é “que vai vir um projeto para todos os cenários femininos de todas as modalidades. É um projeto que vai trazer a diferença para todas as mulheres que jogam”.

Pavimentando o caminho para si mesma e para muitas outras que vieram, a jogadora que já recebeu uma homenagem dentro de jogo com a skin Bullet Queen para a Glock-18 (da 2Minds Studio), não só foi uma das pioneiras e pilar para a construção do cenário feminino, mas também se consolidou ao longo dos anos como uma das melhores jogadoras do Brasil.

”EU NÃO ESTAVA FELIZ”

Compondo o plantel de diversas grandes equipes ao longo dos anos e lutando sempre com toda sua força por seu espaço, infelizmente a vida cismou em bater em AMD. A caminhada foi gloriosa e a colocou no topo do cenário que mais ama, mas o ponto final não compensa por todos os sacrifícios que teve de fazer durante a carreira para chegar onde chegou.

“Foi muito difícil entender que estar onde eu sempre sonhei não estava me fazendo feliz (...) Eu não estava bem, estava sentindo falta de casa, não sabia como minha mãe estava se sentindo. Estar longe da minha família em diversos momentos difíceis me fez entender que, por mais que eu amasse jogar CS, que meu sonho sempre fosse viver em uma gaming house e jogar a maior liga do Brasil, eu não estava feliz”, comenta sobre o período em que saiu da Black Dragons, em 2019.

Mais tarde (especificamente em junho deste ano), a jogadora também optou por se afastar da Havan Liberty para cuidar de sua saúde: “Eu literalmente estava forçando mais do que eu conseguia, então eu estava jogando de uma forma que eu sentia muita dor, às vezes eu jogava chorando de dor. Eu estou fazendo tratamento, a Havan ajuda com isso, tenho fisioterapeuta, clínico geral, enfim”, diz.

“As meninas insistiram muito para eu ficar e foi muito triste porque sou apaixonada por todas elas e eu queria muito continuar no time, mas eu não iria conseguir dar o que eu achava necessário para que a gente crescesse como um time”, completa.

Diferente da tendência que vimos nos últimos meses, AMD não tem planos para migrar para o Valorant assim como outros jogadores. O foco nos dias atuais é continuar fomentando o cenário que ajudou a crescer da forma que conseguir, cuidar de sua saúde (hoje enfrenta lesões no pulso esquerdo) e tocar projetos pessoais.

Um desses projetos, inclusive, já saiu do papel.

PISANDO FOFO E COM ESTILO

Logo em seguida de seu comunicado de afastamento da Havan Liberty, AMD surpreendeu seus seguidores ao anunciar sua loja de tênis customizados e se juntar ao grupo de jogadores profissionais que investem em uma fonte de renda fora do universo de esports - assim como faz brTT com a Rexpeita, Steelega com sua franquia de lanchonete e até mesmo Baiano com sua marca própria de hambúrgueres.

O lançamento da “Be on fire” nasceu de uma necessidade e uma oportunidade: a de ter um tênis customizado com sua arte da Bullet Queen e ver que o cenário carece de alguém que forneça um produto como esse. Juntou sua afinidade com o trabalho manual, pesquisou, comprou os materiais básicos, começou e atacou um cenário certeiro, que conta com diversos profissionais apaixonados por tênis.

“Fiquei uns dois meses tentando entender como funcionava, material que usava, o que podia usar e não podia, como finalizar para lavar o tênis e não estragar, etc. Eu pesquisei tudo e comprei, na primeira eu comprei os itens básicos, a intenção era gravar isso e postar como conteúdo das redes sociais próprias, mas antes eu mandei para alguns amigos e todo mundo falou: ‘Investe nisso, nunca vi nenhum trabalho assim no cenário’", revela sobre o processo de criação da loja.

Tocando o negócio com aquela esperança de que se tornasse algo consolidado, mas também tranquila de que poderia se tornar apenas um hobby, hoje AMD agradece por ter se tornado mais que apenas isso. Agenda fechada aqui e quase fechando ali, “quando eu vi a loja estourou”.

Atualmente, todo o lucro feito através dos tênis customizados são investidos na própria loja para que a qualidade e rapidez se torne cada vez maior. Já comprou mesa, estante, máquinas para facilitar e encurtar o trabalho, e o objetivo é que sua loja se torne uma referência.

“O plano é que seja uma loja estabelecida, que seja uma loja que todo mundo olha e fala: ‘Vou fazer alguma coisa para o meu time, para o meu agente ou meu campeão favorito’. A ideia é que as pessoas olhem e vejam a Be on fire como uma loja referência gamer, sabe? Uma referência de tênis único e exclusivo que você só vai encontrar por lá”, conclui.