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Valorant: 'Quero que sejamos bons'', diz Letícia Motta sobre o futuro do cenário brasileiro

Letícia Motta durante a transmissão do First Strike de Valorant Bruno Alvares/Riot Games

Com o seu plantel estabelecido e bem formado, a mesa de análise do Valorant Brasil conta com grandes nomes que trouxeram bons momentos na história dos esportes eletrônicos no Brasil. Buscando seu espaço para se destacar e cumprindo com mais do que o esperado, Letícia Motta está entre as novas vozes de uma geração que busca inovação e superação para toda uma comunidade.

A comentarista largou o cenário onde buscou, por anos, fazer com que seu nome aparecesse nas telinhas das transmissões oficiais do CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends) e embarcou em direção a uma nova aventura; uma modalidade antes inexplorada, mas um desafio que aceitou confiante e certa de que faria um bom trabalho.

E foi o que fez e vem fazendo até hoje. Desde o nascimento do cenário competitivo de Valorant, Letícia é uma das principais vozes que estampam os principais campeonatos do título. Hoje pode-se dizer que a comentarista encontrou seu lar, fechou uma porta em sua vida para que uma nova se abrisse.

“Eu sinto que isso foi uma coisa que mudou a minha vida, eu comecei a mudar o meu olhar sobre esports em si - eu só tinha trabalhado com LoL até então. É muito enriquecedor quando você vai para outros espaços e constrói outras coisas, vi no Valorant a oportunidade de começar a escrever minha história do zero”, observa Letícia Motta, comentarista de Valorant, em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

Após muitas tentativas de se inserir no cenário de League of Legends, a chegada de Valorant deu à comentarista não só a oportunidade de reescrever sua história do zero, mas também a de toda uma comunidade.

Forte voz do cenário feminino do título, Letícia Motta hoje luta com unhas e dentes ao lado de diversas outras mulheres como Evelynn Mackus, Bárbara Gutierrez e uma centena de jogadoras para trazer o reconhecimento que tanto merecem.

“Além disso [escrever uma nova história], posso fazer diferente para o cenário feminino, tornando-o mais abrangente e menos preconceituoso, fazer algo pelas mulheres e pelas minorias em si, tentar mudar. Não que seja fácil e que não tenha nunca mais [preconceito], mas estando aqui e sendo uma voz influente desde cedo é possível a gente melhorar as coisas”, comenta.

Diferente de como as coisas funcionam dentro do cenário de League of Legends, que começou a receber talentos femininos tanto nas competições como nas mesas de transmissão apenas nos últimos meses, a preocupação em inserir as mulheres neste ecossistema de Valorant vem de berço.

Com planejamentos desde o First Strike do último ano para a criação de algo que contemplasse as jogadoras profissionais, hoje o cenário feminino brasileiro de Valorant ainda não está perfeito, mas é um exemplo: uma boa frequência de campeonatos, boas premiações e, principalmente, segue revelando ótimas atletas e equipes - como Gamelanders Purple e B4 Angels.

“Hoje em dia, por exemplo, temos times femininos do Valorant que treinam com times ‘masculinos’ Tier 1, hoje a gente consegue criar esse ecossistema porque é tudo mais fácil do que dez anos atrás. A Riot teve o pensamento correto, que é: o cenário feminino existe, vamos criar e desenvolver esse espaço, mas visamos o cenário misto. É um espaço para desenvolver talentos e mostrar que elas podem chegar lá”, conta.

O foco é tornar o cenário misto uma realidade - hoje esse cenário é majoritariamente composto por homens - e a visão do futuro é a realização de grandes campeonatos internacionais para as mesmas.

O CENÁRIO PÓS-MASTERS

Grandes como o Valorant Masters Reykjavik, primeiro presencial do jogo que contou com duas representantes brasileiras e que ensinou muito às equipes “mistas”, que foram ao campeonato com as expectativas por parte da comunidade lá em cima.

“Quando a gente sai do Brasil, vai pra lá e tem essa troca de experiência, seja ela qual for, ela é importante para que possamos nos situar. É muito cedo para estabelecermos ainda alguns padrões internacionais, qual região é melhor. Mas vemos que as melhores regiões são as que investem mais no jogo, que dão mais esse suporte para os jogadores e investem na staff”, analisa sobre o nível de investimento entre as organizações.

Investimento esse que, no Brasil, apesar de todas expectativas e crenças de que a região se torne uma das melhores na modalidade, ainda são baixos. “Como você espera que esses caras cheguem lá e desempenhem bem se os cinco tem que pensar em tudo? Marcar treino, não tem psicólogo, não sei nem se tem coach e analista”.

Apesar de todos os problemas que, sem dúvidas, complicaram a vida dos brasileiros em solo internacional, ainda há formas de se enxergar a oportunidade com bons olhos. Ainda que sem acompanhar as expectativas da comunidade, os times brasileiros trouxeram às terras tupiniquins algo de extrema importância: experiência.

COLOCANDO OS APRENDIZADOS EM PRÁTICA

Citando qck, jogador da FURIA, como um exemplo de sucesso desta prática no Brasil, algo que se mostrou presente nas primeiras etapas do Challengers Brasil foi a adaptação dos jogadores para jogarem com diversos agentes em diversas funções, o que segundo Letícia Motta, é algo extremamente positivo.

“A gente percebe que os melhores times do mundo são os que se adaptam mais, então não que você não possa ter um jogador que foque mais como duelista, mas você ter um time, como por exemplo a Fnatic, que o Boaster vai jogar de Sova até Brimstone e vai destruir de tudo é ótimo. Quanto mais você varia, melhor e mais opções dentro de jogo você vai ter”, observa.

De olhos no próximo campeonato presencial, as equipes brasileiras já começaram a se enfrentar nas etapas do Challengers para garantir sua ida à cidade de Berlim para o próximo Masters. Com antigos nomes que hoje ainda se mostram fortes, como Vikings, Sharks e Gamelanders, o cenário também conta com novas equipes surpreendentes.

É o caso da NOORG 2.0, que hoje não representa uma organização e cai no problema de investimento citado pela mesma anteriormente, e conta com nomes já conhecidos como kon4n, ryotzz e tuyz (os dois primeiros fizeram parte da base da paiN Gaming e o último da Imperial), e também com nomes novos que chegam de outro cenário, como o de Lukzera.

“Me surpreendi bastante com a NOORG 2.0, que está sem organização ainda. É um time com potencial, que deu trabalho para a própria Sharks, time que era pra mim indiscutivelmente o Top 2 do Brasil, hoje eles como uma unidade recentemente não tem me agradado tanto. Apesar desse problema da Sharks, a NOORG foi uma equipe que soube explorar super bem tático e variar táticas”, comenta Letícia.

Hoje contando com nomes como kon4n, Khalil, Sacy e frz - principais jogadores destaques aos olhos da comentarista -, o cenário brasileiro se encaminha para chegar aos palcos de Berlim diferente. A evolução desde o último Master é visível em solo brasileiro, agora a ideia é transferir essa evolução para as partidas internacionais.

O FUTURO DO BRASIL NO VALORANT

Com o grande sucesso que foi o primeiro ano de Valorant no país, a expectativa está no desenvolvimento do cenário brasileiro nos próximos anos. A comentarista deseja ver o Brasil como grande referência do FPS e espera ver grandes embates contra os grandes times do mundo todo.

“O que eu gosto de fazer é levar alegria para as pessoas, eu quero que o Brasil seja bom, que a gente vá bem lá fora e seja uma referência, que estejamos sempre competindo com os melhores times. Quero que os torcedores se envolvam cada vez mais e que tenha um cenário competitivo com diversos times competindo por títulos grandes”, conclui.