<
>

Opinião: Os 5 anos desde o último título brasileiro em majors de Counter-Strike

SK Gaming foi campeã do ESL One Cologne 2016 Divulgação/HLTV

O dia 10 de julho de 2021 marcou o quinto aniversário da conquista da SK Gaming no ESL One Cologne 2016. O título do Major de Counter-Strike: Global Offensive na cidade alemã marcou o Brasil como o país do FPS naquele ano e deu esperanças de mais conquistas nos anos seguintes. Só que não foi bem assim.

O PÓS COLOGNE 2016

O legado da SK aparentemente mostrou sinais positivos em 2017, com a Immortals chegando na grande final do PGL Major Kraków 2017, quando perdeu para a Gambit pelo placar de 2 a 1. A escalação trazia a segunda grande força do CS:GO brasileiro com os irmãos LUCAS1 e HEN1, além de Boltz, Steelega, kNg e zakk (coach). Só que tudo desandou com a separação da equipe no fim de 2017.

Os jogadores seguiram caminhos distintos, formando equipes do zero ou se juntando a elencos renomados do CS mundial, mas em uma tentativa de retomada do seu nome, a Luminosity trouxe de volta a escalação ex-Immortals, dessa vez sem kNg - que na época estava junto da Não Tem Como e No Tag.

Outras equipes que mostraram bons resultados nos anos de 2018 foram a Sharks de Nak, uma INTZ liderada por kNg e a FURIA, uma organização até então desconhecida que aos poucos conquistava o público e trazia consigo grandes nomes dos esportes tradicionais ao seu plantel administrativo.

O RETORNO DO MIBR

A MIBR, a maior tag da história do Counter Strike brasileiro, voltou a ativa no mês junho de 2018, trazendo até então a escalação da SK Gaming como sua nova equipe. FalleN, coldzera, fer, Stewie2K e Boltz foram anunciados em um evento na cidade de São Paulo, trazendo nomes icônicos da história da organização na apresentação do elenco da Made In Brazil.

Os problemas da equipe começaram com a saída de boltz e a entrada do norte-americano Tarik, campeão do ELEAGUE Major 2018 juntamente com Stewie na Cloud9. Com a entrada do segundo norte-americano, o MIBR se mostrou uma equipe forte no seu começo vencendo partidas importantes, mas conquistou apenas a ZOTAC Cup Masters 2018.

A organização visava retornar com o seu elenco 100% brasileiro e se reforçou com a chegada de Zews, TACO e felps no fim do ano de 2018, no qual resultou nas dispensas de Stewie2K, Tarik e o treinador YNk. As decisões na época poderiam parecer certas, mas os resultados futuros e desavenças resultaram em algo negativo.

Os anos 2019 e 2020 foram os mais conturbados que a tag teve na sua história: uma mudança de logo, camisas e saídas que mexeram muito no ecossistema da organização, no qual renderam diversas críticas e lamentações sobre se era realmente necessário o retorno do MIBR no Counter Strike. Podemos dizer que a declaração de fnx até o momento estava com um fundo de razão.

O grande pesar ou o que poderia se dizer a declaração do fim do MIBR, foi no final da primeira temporada da FLASHPOINT. Os brasileiros estavam vencendo a MAD Lions pelo placar de 12 a 3 na Train, no qual a torcida brasileira, imprensa e os analistas estavam com o trunfo da Made In Brazil em suas bocas, mas a tragédia veio com a retomada dos dinamarques no segundo tempo, no qual viraram o placar em um incrível 13 a 1 e foram campeões do torneio.

Os problemas até então da organização começaram a se intensificar ainda mais e resultou na dispensa de TACO, fer e dead da organização, as quais fizeram com que Fallen seguisse o mesmo caminho e se colocasse no banco de reservas.

Tentando apostar em uma nova escalação com jogadores conhecidos e promessas, a nova MIBR foi formada por kNg, trk, LUCAS1, v$m e leo_drk. Alcançando bons resultados em turnê pela Europa, mas com problemas financeiros e contratuais, não houve a tão sonhada renovação e a escalação deixou o MIBR para formar o conhecido O Plano, uma equipe totalmente independente, mas que pode surpreender o cenário internacional em um futuro próximo.

Desde sua volta aos servidores, a MIBR teve uma troca de dezesseis jogadores e membros da comissão técnica.

A ESPERANÇA BRASILEIRA NOS PANTERAS

Deixando de ser promessa e se tornando realidade, a FURIA ocupou o lugar de melhor equipe brasileira no cenário internacional de CS:GO. A escalação passou por pequenas mudanças nos últimos anos, mas todas foram bem acertadas pela comissão técnica da equipe. Atualmente o plantel dos Panteras é formado por arT, KSCERATO, VINI, yuurih, Honda e Guerri como treinador.

Os panteras evoluíram de uma forma gigantesca desde a sua classificação para o Major Berlin de 2019 até a chuva de títulos regionais no ano epidêmico de 2020. Na região da América do Norte, foram exatos quatro títulos conquistados e se garantiram no Top 10 do mundo em diversas ocasiões.

Mesmo com um começo conturbado na temporada 2021, a FURIA conseguiu colocar a cabeça no lugar com a chegada de Tacitus na comissão técnica e Honda se estabelecendo como titular com a ida de Junior ao banco de reservas. A equipe está na terceira colocação do Regional Major Rankings e promete ser uma das escalações a dar trabalho no próximo Major.

O FUTURO

O Brasil, mesmo não sendo o grande protagonista do cenário mundial de Counter Strike, ainda é um celeiro de talentos e bons jogadores. Equipes como a paiN Gaming da sensação saffee, GODSENT liderada por TACO e felps e a Team oNe que tem se provado uma verdadeira desafiante nos torneios internacionais - podem surpreender ainda na mais na retomada das LAN’S internacionais e até mesmo cravar uma vaga no PGL Major deste ano.

O renomado MIBR conta com a experiência da sua escalação com grandes eventos, mas peca ainda em entregar os resultados que a comunidade tanto quer ver. Mesmo com a má fase, a Made In Brazil ainda tem enorme caminho pela frente mas se vacilar pode ver equipes como Sharks e Paquetá tomarem a vaga sul-americana no Major.

O legado da SK Gaming pesou demais para os brasileiros nos últimos anos, mas com o que estamos presenciando, com o retorno dos eventos presenciais e o grande aumento de organizações investindo no cenário internacional pode ser um sinal de que não vai demorar muito para vermos o Brasil no topo do mundo novamente.