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CSGO: Para Tacitus, nova FURIA será "extremamente competitiva" contra qualquer time do mundo

Antes na norte-americana Triumph, Tacitus chegou na FURIA como treinador assistente Acervo pessoal

O começo do mês de junho mostrou Junior dando um passo para trás, enquanto Honda vestiu seu manto para voltar a compor o elenco da FURIA como jogador titular. Mas não foi só isso, os Panteras alguns dias antes do anúncio também receberam de braços abertos Tacitus, ex-técnico da norte-americana Triumph, que chegou ao plantel brasileiro para atuar como técnico assistente.

Antes jogador, Tacitus chegou à Triumph em abril do último ano para atuar em uma nova posição. Sem a mesma gana de antes de jogar por horas a fio o título da Valve, a transição para analista (e posteriormente treinador) não podia ter chegado em melhor hora. A mudança significava que não precisaria mais se dedicar a jogar o jogo durante todo um dia, mas que poderia continuar trabalhando na parte que sempre o manteve interessado no mesmo: o aspecto tático.

Hoje, o brasileiro se encontra ao lado de Guerri, um dos maiores técnicos de CS:GO atualmente, e chega à FURIA para um novo desafio. Em pouco mais de um ano, teve seu trabalho reconhecido pelos Panteras e chega à sua nova equipe com grandes expectativas e também com o sentimento de gratidão após ser bem recebido não só pela organização, mas também pela torcida apaixonada.

“A Triumph foi meu primeiro trabalho como coach. Fiquei muito feliz de ter crescido e entrar na FURIA é o auge em termos de colocar seu nome lá fora, porque além de ser atualmente nos rankings o melhor time brasileiro, é uma das organizações com o maior alcance. É muito gratificante ver essa fan base da FURIA que é extremamente apaixonada, te abraçar assim. Sou muito grato”, conta Tacitus sobre sua chegada em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

Saiu de um time que antes participava majoritariamente de campeonatos com equipes do Tier 2 e 3, para compor uma das maiores equipes do mundo. O triunfo realmente veio. Subiu alguns degraus e chegou em uma organização totalmente diferente, trabalhando em conjunto de uma equipe muito bem formulada e que não precisa de muitas adaptações, e principalmente de uma estrutura muito bem definida.

Segundo o próprio treinador, isso facilita com que o trabalho de adaptação para o novo ambiente não seja tão complicado como poderia ser caso o cenário fosse diferente. “É uma mudança muito grande de patamar, de calibre não só da própria equipe, como também dos adversários. Os desafios são outros também, se na Triumph nosso desafio era constantemente ter que adaptar novos jogadores por conta da saída dos mesmos para times melhores, na FURIA eu não tenho que me preocupar com isso mais. Minha preocupação agora é suprir as necessidades que são apresentadas a mim pelo Guerri”.

APRENDENDO E ESTABELECENDO OBJETIVOS

Um ano de experiência pode não parecer muita coisa, mas quando se atua como um treinador principal “faz tudo” as coisas mudam um pouco. Durante o um ano em que atuou pela organização norte-americana tanto como analista quanto como treinador, Tacitus buscou aprender e a montar uma bagagem que o acompanhasse nos próximos desafios que chegassem.

Não só no sentido tático ao olhar para todo o jogo - incluindo seu time e os próprios adversários - com novos olhos por conta da transição de posição dentro do time, mas também foi lá que aprendeu a lidar com todas as diferentes personalidades que constitui uma equipe profissional, como abordar os jogadores e repassar críticas de forma que não perturbe a confiança destes; mas o período de aprendizado ainda não acabou.

“Agora estou aprendendo mais. Então estou levando esse conhecimento a um novo nível, estou aprendendo muito com o Guerri, com o arT e com cada jogador. Está sendo um aprendizado para mim, mas também sinto que estou trazendo uma visão de fora, falando como um adversário que já jogou para a FURIA, pensando daquela visão quando vou trazer uma sugestão, que dá uma perspectiva um pouco diferente”, fala sobre como pode adicionar à FURIA.

Hoje em uma das maiores equipes não só brasileiras, mas do mundo todo na modalidade, o sonho de Tacitus de erguer o troféu e trazer o título de um Major para o território tupiniquim não poderia estar mais perto de se tornar realidade.

Muitos acreditam que a chegada do treinador para dar assistência a Guerri pode ser um sinal de que mudanças estão sendo feitas, mas para alcançar esse sonho de todo profissional inserido neste cenário e quebrar o regime de títulos, o brasileiro acredita que o melhor jeito é não mudar nada e sim aperfeiçoar o que a equipe já vem construindo ao longo dos meses.

“Não é questão do que eu quero fazer ou o que eu acho que é correto, pra mim é questão no que eles vêem como necessidade do time e como posso otimizar ou melhorar o que eles já tem feito. Quando você fala de um time como a FURIA que chega em Top 3, Top 4 dos campeonatos, você não precisa chegar e mudar a base, porque ela já tá muito bem feita e trabalhada, talvez o que falta é 1% a mais em cada jogo, um detalhe ou outro”, responde quando perguntado sobre o que pode fazer para trazer o Major para o Brasil.

“Então para mim o que vou almejar é isso, ver o que eles tem para me falar e fazer meu máximo para pegar essa informação que eles me trazem e trabalhar para devolver em algo que talvez dê esse 1% de diferencial, que pode significar chegar em uma final ou até vencer um campeonato”, completa.

O QUE AS MUDANÇAS TRAZEM À EQUIPE

Agora no banco por encontrar problemas em se adaptar em um ambiente predominantemente composto por brasileiros, a saída de Junior e a chegada de Tacitus como treinador assistente e também de Honda como titular, trouxe de volta aos Panteras não só o aspecto de ter um elenco formado 100% brasileiro mas também uma comunicação 100% em português.

“A comunicação voltou para o português e esse tempo que tivemos para treinar com o Honda, acho que está trazendo uma dinâmica um pouco diferente no time no sentido de que os garotos estão mais soltos. Acho que trazer de volta o português traz um dinamismo um pouco diferente no jogo, ele fica mais ativo, eles se sentem mais confortáveis na hora de passar informação porque é mais natural para eles, não tem aquele delay de pensar o que falar, a troca de comunicação é mais acelerada”, reflete sobre as mudanças na equipe com as mudanças de jogadores.

Trazendo também mudanças nas funções dos jogadores uma vez que, diferente de Junior, Honda não é um AWP de ofício, as expectativas para ver a FURIA entrar nos servidores para mostrar o quanto realmente mudaram é alta não só por parte de toda a comunidade e legião de fãs que adoram a organização, mas também dos próprios membros da equipe.

É aquela coisa: “jogo é jogo, treino é treino”. É complicado levantar expectativas com base em resultados dos blocos de treinamento, no entanto, mesmo odiando fazer isso Tacitus fala um pouco sobre o que se pode esperar da equipe para os próximos campeonatos.

“É sempre difícil tirar uma métrica comparando treinos a campeonatos, mas o que eu posso garantir é que vamos estar muito competitivos. Eu odeio criar expectativas, mas eu diria que não tem nenhum time hoje no mundo que a gente não entra e faz um jogo extremamente competitivo contra”, comenta.

Até o momento o próximo campeonato anunciado em que a FURIA poderá mostrar ao mundo seu novo elenco é o Elisa Invitational Summer 2021, do qual foram convidados para participar dos playoffs. A fase eliminatória do mesmo tem início no dia 28 de junho, se estendendo até o dia 3 de julho, onde será coroado o grande campeão.

“Qualquer torcedor que for nos assistir com certeza vai sair de todos os jogos orgulhoso, vendo uma FURIA que está jogando um CS muito bom e com certeza vai estar como um dos times que está almejando os títulos que for competir”, conclui.