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CSGO: 'Temos nos esforçado o máximo possível', comenta PKL sobre bom momento da paiN

Vinícios "PKL" Coelho, jogador de Counter-Strike Leonardo Sang

Nos últimos meses os brasileirinhos entusiastas do querido CS:GO puderam ver grandes equipes como MIBR e FURIA representando a camisa brasileira nos servidores internacionais; mas uma outra equipe também esteve vestindo o verde amarelo, só que dessa vez em solo norte-americano, ao longo dos últimos meses e que está voando por baixo dos radares: a paiN Gaming.

Assim como algumas de suas conterrâneas, a equipe saiu diretamente do cenário brasileiro para desbravar os cenários internacionais. Após alcançarem diversos títulos no ano de 2019 e manterem-se entre as melhores equipes do cenário brasileiro no último ano, em agosto foi o momento em que decidiram dar um passo a mais e enfrentar novos desafios.

Nos últimos oito meses, o coletivo formado por PKL, Biguzera, Saffee, Hardzao, NEKIZ e bruno passaram a participar dos campeonatos norte-americanos e vem alcançando bons resultados durante esse tempo em que estiveram por lá. Hoje, eles aumentam as esperanças dos brasileiros de ver uma equipe evoluindo progressivamente para dar trabalho aos “gringos”.

“Acho que além de que somos cinco jogadores muito bons, temos nos esforçado o máximo possível pra conseguir tirar o melhor proveito aqui no NA. Apesar de não ter tantos times bons, temos que fazer com o que temos. Também fizemos um bootcamp na Europa por uns 15 dias que ajudou bastante a gente, fez a gente dar um passo a mais no nosso jogo. Treinar lá ajudou muito”, comenta o capitão PKL sobre a boa fase da equipe em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Capitaneando a equipe aos seus 26 anos, o jogador que já carrega uma grande bagagem ao passar por equipes como Luminosity e G3X, acredita que hoje anda em harmonia com a equipe a qual representa. Assim como a mesma, PKL encontra-se em sua melhor forma.

“Meu momento agora acho que é um dos melhores que eu vivo, em questão profissional. Minha maior evolução foi na parte da experiência, sou um jogador que evoluiu bastante nos últimos anos em relação ao entendimento do jogo, como deve ser jogado, como lidar com pessoas e exercer liderança”, observa.

Manter-se consistente no Brasil e chegar em outra região tendo dificuldades para desempenhar é algo comum de se ver quando movimentos como esses acontecem - isso não só com equipes brasileiras. Foi e é o que vimos acontecer ao longo dos anos com algumas equipes, mas neste caso é um pouco diferente.

Começando por campeonatos menores e chegando com calma, os Tradicionais que representam a paiN Gaming no CS:GO chegaram na nova região com um grande trunfo: o fato de estarem juntos a bastante tempo. Tirando saffee, que se juntou à equipe um pouco antes de se mudarem do Brasil, todos os jogadores já são parceiros de longa data. E isso com certeza é uma vantagem durante esse longo processo de evolução.

“Jogar perto de alguém que você não é amigo, não gosta ou tem problemas por muito tempo é uma coisa complicada, porque coisas pessoais e de fora do jogo você acaba levando para dentro do jogo. Somos muito amigos e nos conhecemos a muito tempo, somos muito próximos. Acho que ter isso acaba facilitando muito as coisas para nós, porque não temos problemas fora de jogo”, reflete sobre como estarem juntos a tanto tempo facilita a adaptação.

Toda essa intimidade acaba se tornando em uma benção e ao mesmo tempo em uma maldição em alguns momentos. Segundo PKL, apesar de raros, uma vez que os jogadores sabem diferenciar as coisas, em alguns momentos “a maior dificuldade [de comandar a equipe] é justamente ser muito próximo, o que faz com que a gente não queira cobrar muito um ao outro”.

CAMINHANDO EM DIREÇÃO AOS MELHORES

Cobrança essa que, apesar de necessária em muitos momentos para a evolução das equipes, não existe por parte da organização. O imediatismo por resultados é algo que inevitavelmente assombra todos os âmbitos da vida humana, mas que a própria paiN Gaming busca não aplicar em cima de seus jogadores.

“Vai fazer dois anos e meio que entrei na paiN e nesse período nunca tive nenhuma cobrança, mas também nunca deixamos faltar resultados. Eu, Biguzera e o Bruno estamos desde o começo e ganhamos bastante nos campeonatos que jogamos no Brasil, aqui no NA estamos tentando fazer nosso melhor possível também. É uma faca de dois gumes, a gente ajuda eles e eles ajudam a gente”, conta o capitão.

As expectativas de muitos fãs brasileirinhos para a equipe são altas e a vontade de ver a mesma jogando contra as equipes mais notórias do cenário é grande. Um gostinho de como seria o desempenho dos Tradicionais contra grandes equipes já foi dado aos fãs durante a DreamHack Master Spring 2021 - e não foi tão favorável assim aos brasileiros.

As formas de alcançar esses campeonatos é subindo no ranking para entrar como uma das equipes convidadas ao torneio ou se classificar. Independente de qual caminho a equipe deseja seguir para chegar lá, é importante não ter pressa. O tempo é o maior aliado da equipe durante essa caminhada para que a mesma possa evoluir e desenvolver sua constância.

“Para chegar no cenário Tier 1 você precisa de um pouco de constância e tempo, porque você precisa subir no ranking e ser convidado para os campeonatos maiores - ou se classificar. Classificar é um pouco mais difícil porque são muitos times que você não pode errar nenhuma vez e para chegar sendo convidado precisa subir no ranking, que estamos subindo pouco a pouco”, diz sobre o que falta à equipe para chegar nos campeonatos onde as melhores equipes se enfrentam.

“A cada momento chegamos mais perto de ser um desses times que recebe convite. Precisamos ir jogando todos os campeonatos que conseguirmos, os pequenos, médios, e conseguir o máximo de pontos possível que com o tempo a gente chegue lá. Nada é tão rápido assim, se parar pra pensar estamos a apenas oito meses que estamos aqui e já conseguimos subir muito. Então é com o tempo mesmo”, completa.

Nos últimos anos vimos grande parte das melhores equipes do mundo do título desenvolvido pela Valve se deslocando para o cenário europeu e competindo nos mais importantes campeonatos por lá. Inclusive, foi o destino para as duas equipes brasileiras de mais destaque internacional atualmente FURIA e MIBR.

Mas para a paiN Gaming, curiosamente o plano é manter-se em solo norte-americano. As esperanças de que a volta dos campeonatos presenciais nos últimos meses do ano atraiam a maior parte dos grandes times que hoje estão na Europa é grande e, por conta disso, sair do NA não é uma opção (pelo menos por enquanto).

“Vamos nos manter no cenário norte-americano. O fato das melhores equipes estarem lá no momento é por causa da pandemia e que os campeonatos onlines tão acontecendo todos lá, então creio eu que quando os presenciais voltarem (provavelmente depois de agosto porque as vacinas já estão mais adiantadas aqui) e com isso vai voltar a ter times bons aqui nos EUA pra treinar. O cenário vai dar uma melhorada”, conclui.

O próximo compromisso da equipe brasileira nos servidores é pela Mythic Spring Series 2021 Cup 2, onde farão sua estreia contra a equipe norte-americana X13 neste sábado (12). Além da própria paiN Gaming, as equipes Team oNe e GODSENT que também contam com elencos brasileiros também disputarão o campeonato no mesmo dia.