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Valorant: O primeiro ano do competitivo brasileiro e as ações para alavancar o cenário feminino

O Brasil marcou presença no Masters Reykjavík com a Team Vikinds e Sharks Esports Colin Young-Wolff/Riot Games

“Valorant não só atingiu nossas expectativas, como tem superado algumas previsões”, respondeu a head de publishing da Riot Games, Priscila Queiroz, quando perguntei a ela sobre como a equipe via o crescimento do jogo agora que ele finalmente completou seu primeiro ano de vida.

Em um ano, o jogo alcançou uma média de 488 mil espectadores assistindo o primeiro campeonato internacional, um pico de mais de 1 milhão de pessoas assistindo a grande final do mesmo e alcançou a marca de mais de 14 milhões de jogadores ativos por mês. Realmente, foi um ano surpreendente.

Qualquer que tenha sido as previsões da equipe brasileira da desenvolvedora para o jogo no Brasil, provavelmente não eram tão grandes quanto as que alcançaram, afinal, desde sempre os brasileiros possuem um carinho enorme pelo Counter-Strike e bater de frente com um título que faz parte da cultura verde e amarela desde os tempos das lan houses - e não só isso, mas que também divide o posto de maior FPS competitivo ao lado de CS:GO - é sem dúvidas uma tarefa difícil.

Ver a comunidade abraçar de forma tão aberta seu novo título sem dúvida coloca em evidência a competência da desenvolvedora em introduzir novos títulos de sucesso ao público, no entanto tudo isso acontece por causa do laço e a boa relação construída entre a empresa e sua comunidade ao longo dos anos. “Estamos muito felizes com a história de VALORANT. O mercado de FPS tem títulos tradicionais e de muito sucesso, mas ao ouvir a comunidade, conseguimos construir um jogo tático e competitivo, capaz de chamar a atenção dos jogadores do gênero e também de um novo público”.

O mercado de FPS nos computadores já começou a ser “atacado” pela empresa, através de seu circuito oficial de campeonatos no decorrer do ano e a chegada de grandes organizações. Agora, assim como deu seu primeiro passo com League of Legends trazendo o mesmo em sua versão mobile com Wild Rift, a desenvolvedora busca trazer com Valorant sua força para o mercado de jogos nos smartphones.

“Anunciamos há pouco uma grande novidade, que é a chegada de VALORANT ao universo mobile. Esse será mais um grande momento para a Riot Games e para os jogadores de FPS”, comenta Priscila.

DOMINANDO O COMPETITIVO

Responsável por um dos maiores (se não o maior) cenários de esports atuais, a desenvolvedora chegou com Valorant em junho do ano passado buscando replicar o mesmo sucesso ao redor do mundo e tomar o trono de mais uma modalidade. Um dos grandes fatores que alavancaram Valorant para levá-lo ao patamar que se encontra hoje em dia foi aquilo que torna o irmão mais velho do título, League of Legends, um dos maiores no mercado: o cenário competitivo.

Segundo Carlos Antunes, head de Esports da Riot Games aqui no Brasil, o potencial do título como esports na região tupiniquim foi visto desde seus primeiros investimentos no cenário. Campeonatos da Ignition Series e o próprio First Strike (primeiro campeonato oficial de Valorant da desenvolvedora) trouxeram uma “audiência fiel, organizações investindo em times e pro players nativos do Valorant ou vindos de outras modalidades”.

“No entanto, em apenas 5 meses de 2021, o cenário se transformou de uma forma muito rápida: no primeiro torneio internacional, o Masters, tivemos a oportunidade de apresentar ao mundo o potencial do Brasil com fortes times representando o País (recebendo elogios de várias outras regiões), além de uma audiências de mais de 150 mil espectadores brasileiros simultâneos. Tudo isso só nos mostra que devemos manter o nosso investimento, nosso foco em desenvolver o cenário competitivo e viabilizar que o Brasil alcance seu potencial de liderança do cenário mundial de VALORANT”, continua Carlos sobre como a empresa enxerga o cenário brasileiro.

Enviados à Islândia, Team Vikings e Sharks representaram a região e mostraram o poder de fogo das equipes brasileiras (apesar de não chegarem muito longe). Constantemente jogadores brasileiros e até mesmo as próprias equipes eram elogiadas por outros times e também por jogadores renomados dos cenários participantes.

Faltaram alguns detalhes para que os brasileiros pudessem desempenhar melhor no Masters Reykjavik. A Riot Games Brasil sabe disso e melhor ainda, acredita na força da região e não poupará esforços para ajudar a região a se desenvolver competitivamente para tornar-se dominante mundo a fora.

“Como visão para tornar o cenário competitivo ainda mais forte, queremos trabalhar em algumas frentes, como o fomento de mais torneios semi-profissionais, dando aos times mais oportunidades de jogar em campeonatos de alta qualidade e revelando novos talentos, assim como também avaliar o próprio formato do VALORANT Challengers Tour para sempre buscar o melhor caminho de desenvolvimento esportivo”, conta o head de esports sobre os planos para melhorar o cenário competitivo.

“Ainda temos três eventos internacionais (Masters Berlin, Last Chance Qualifier e Champions), além de uma etapa inteira do VALORANT Challengers Tour Brazil, e estamos bem animados com as possibilidades para 2021 e 2022”

OLHOS NO CENÁRIO FEMININO

Sem dúvidas um dos grandes alívios que 2021 trouxe para o competitivo foi o anúncio do Game Changers, iniciativa que visa contribuir com o crescimento do cenário feminino, algo que em outros cenários competitivos (League of Legends incluso) não tem tanta força tampouco investimento por parte de organizações e das próprias desenvolvedoras.

Atuando em três frentes diferentes, fomentando campeonatos independentes, criando um torneio profissional oficial e também criando conteúdos para incentivar a discussão acerca da representatividade feminina nos esports, a Riot Games introduziu a iniciativa como forma de suprir algo que carece dentro dos esports que é justamente esse espaço para que talentos femininos possam se desenvolver.

“Firmamos parcerias com relevantes campeonatos no cenário, como Glr Pwr e Womens Rivals, trabalhamos com organizações como a Sakura Esports e ajudamos a viabilizar torneios que oferecem um calendário maior de oportunidades para jogadores e times. Já sobre o cenário profissional, nossa parceria com a GamersClub criou um calendário composto pelo Protocolo Geneses, que age como etapa qualificatória, e o Game Changers Series, a final oficial da Riot Games”, comenta Carlos. “Oferecer mais torneios é a principal ação que temos para 2021 e, assim, temos visto grandes organizações investindo no cenário feminino devido a esse maior calendário de oportunidades. Por fim, teremos novidades futuras sobre um projeto de conteúdo na Riot totalmente focado em discussões e compartilhamentos de histórias de mulheres atletas e representantes do nosso cenário”

Para que tudo isso dê certo e não se torne apenas mais uma entre tantas promessas de dar o espaço que as mulheres tanto merecem e anseiam, a Riot está “dando os primeiros passos em um compromisso que passa a ser um dos focos da Riot Games pelo resto de nossa história”. Os planos são para ir além, querem ajudar na formação profissional das mesmas em outras funções que não jogadoras, estimular e apoiar a criação de organizações com foco em torneios femininos.

“Sabemos que temos desafios, e que é preciso escutar os jogadores para entregar uma experiência à altura das suas expectativas. Criamos essa relação de confiança com League of Legends e temos a absoluta certeza de que só vamos entregar uma experiência à altura se conseguirmos ouvir a comunidade de forma genuína e constante. Ou seja: estamos apenas no início de uma jornada”, conclui Priscila Queiroz sobre toda a jornada de Valorant.