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Melão e Tixinha falam sobre como foi o primeiro campeonato internacional de Valorant

O primeiro campeonato internacional de Valorant aconteceu em Reykjavik, Islândia Colin Young-Wolff/Riot Games

Pouco mais de uma semana antes de Valorant completar seu primeiro ano de vida, a cidade da Islândia sediou o primeiro campeonato internacional da modalidade. Foi em Reykjavik que vimos pela primeira vez as melhores equipes do mundo enviando seus jogadores para se enfrentar e coroar a primeira campeã internacional - e duas equipes brasileiras estavam inclusas nesse pacote.

A chegada do novo título da Riot não chamou a atenção apenas dos jogadores e treinadores de outras modalidades, mas também de casters (profissionais de transmissão). No Brasil, o cenário de League of Legends deu adeus a Melão e Tixinha, duas figuras extremamente importantes para a evolução do mesmo durante os anos, e assim como fez com os jogadores, Valorant recebeu ambos de braços abertos.

“Sobre esse medo [de deixar o LoL], é o CBLoL né. Um dos maiores campeonatos e produtos de transmissão de esports do mundo, eu tava muito bem estabelecido lá, era uma das caras do negócio e muita gente poderia olhar para essa decisão de sair para ir para algo novo como algo errado. Em algum momento eu pensei ‘será que era isso mesmo que eu devia fazer?’. Mas como eu disse, tudo o que a gente está construindo a tão pouco tempo me deixa bem tranquilo de que tomei a decisão correta”, revela Melão sobre decisão de ir para o Valorant em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Ambos foram grandes precursores do cenário brasileiro de League of Legends e hoje fazem o mesmo com Valorant. Em seu primeiro campeonato internacional, ambos os casters estavam lá durante as transmissões passando todos seus conhecimentos sobre o jogo e trazendo tudo aquilo que aprenderam durante todos seus anos no CBLoL para agregar ao longo do Masters Reykajvik.

Para o campeonato, o Brasil enviou a Team Vikings, que entrou no ano de 2021 com uma reformulação em seu elenco, e a Sharks Esports, que acolheu o quinteto da Squad5 e ascendeu ao Top 2 brasileiro. As expectativas para o primeiro torneio internacional eram grandes, mas não tão grande quanto o hype para ver as equipes brasileiras competindo internacionalmente - durante os meses que precederam o evento, era comum ver pessoas falando que levantaríamos o troféu.

No dia 24 e 25 de maio as equipes entraram e se acomodaram nos palcos gelados da Islândia e simplesmente não conseguiram performar. A expectativa quebrada se transformou em surpresa e instaurou um questionamento na cabeça dos brasileiros: “O que aconteceu e o que faltou para conseguirmos ir mais longe?”.

“Um pouco de experiência. Senti muito que alguns jogadores e os times não performaram da mesma forma, alguns performaram melhor outros igual, mas muitos não tavam na mesma forma de sempre. E questão de meta, acho que o estilo brasileiro fez com que a gente fosse pra outro caminho e vimos que dá pra seguir nosso caminho, que é um pouco próximo da Sentinels por exemplo, mas precisamos encarar o jogo de uma outra forma. Principalmente esse lance de ter função fixa, acho que aos poucos vamos mudando isso no Brasil, não dá pra ficar preso só em uma função”, responde Melão sobre o que faltou para os brasileiros.

“Na minha visão faltou um pouco mais de calma, senti que ambos os times estavam meio nervosos. A Sharks principalmente não desempenhou nada do que costumam desempenhar aqui no Brasil, então não sei se foi algo de tentar se adaptar aos treinos da Europa e deu errado, se foi nervosismo de palco, mas faltou eles jogarem como estavam jogando aqui. Quando digo isso não são os agentes ou coisas do tipo, é o estilo de jogo, a maneira de buscar informação e ser mais agressivo”, completa Tixinha.

Duas derrotas nas séries melhor de três bastaram para eliminar a Sharks do evento, enquanto a Team Vikings ganhou os dois primeiros mapas para avançar na tabela e logo após perdeu suas duas partidas, contra a Sentinels na chave dos vencedores e a série de vida ou morte contra a Team Liquid na repescagem cravando sua eliminação do campeonato.

“Acho que a gente tem que evoluir, esse evento internacional foi uma experiência muito boa para a comunidade e a região em si para saber como vamos ter que lidar nos próximos”, complementa.

Em meio a entradas triunfantes e engraçadas de jogadores, e personagens extremamente carismáticos, as transmissões eram assombradas por problemas técnicos que cada vez mais atrapalhavam a experiência do primeiro campeonato internacional. O show que os brasileirinhos esperavam ver das representantes tupiniquins na Islândia acabou não acontecendo, mas como sempre a mesa de transmissão verde e amarela não deixou a desejar.

Problemas técnicos são comuns durante esses primeiros momentos em que as modalidades ainda estão se consolidando - mesmo com a Riot Games já tendo uma certa experiência com esse tipo de situação. Para contornar esses problemas que vieram a interromper as transmissões de tempos em tempos, a bancada de transmissão brasileira usou e abusou do tempo extra na frente das câmeras que lhes era dado e fizeram o melhor que puderam para manter os espectadores engajados na transmissão.

“Diversos problemas eram alguns de computador, outros em mouse - teve uma pausa técnica que foi para arrumar o mouse de um jogador que durou quase 30 minutos. Problemas técnicos são complicados, principalmente pra mim (risos) que tô lá na tela tendo que enrolar, tendo que ganhar tempo e manter o público interessado, mas com certeza a Riot deve estar vendo isso para melhorar nos próximos”, observa Tixinha.

Mesmo tendo uma frequência que pode ter sido prejudicial para alguns espectadores, as adversidades foram quase que totalmente deixadas de lado tendo em vista todos os outros pontos positivos que o campeonato conseguiu introduzir e apresentar ao longo do evento. Uma boa construção de histórias através de recursos audiovisuais, um palco bonito no estilo cara a cara para aumentar a competitividade - coisa que já tinha sido aproveitada no First Strike brasileiro -, análises e comentários certeiros e principalmente: um Valorant bem jogado.

Os tropeços da primeira experiência internacional do título podem ser vistos como um ponto negativo, mas sem dúvidas também serve para preparar toda a organização do torneio para que, nos próximos campeonatos que virão no futuro, os mesmos não voltem a acontecer.

“Lá atrás no começo do LoL tinha muito mais pausas técnicas do que teve nesse Masters. Não vejo isso [problemas técnicos] como um grande problema, afinal estamos lá para isso. É o grande pesadelo de todo comentarista, apresentador e narrador? É, mas tá tranquilo, isso é o de menos. O importante é que o campeonato foi um sucesso, tudo muito bonito e a entrega foi maravilhosa”, finaliza Melão.