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Entrevista: Novo diretor de esports da paiN visa que time será 'reconhecido e respeitado por todos os jogadores do mundo'

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Recentemente a paiN Gaming recebeu um reforço que não ficará na linha de frente com a torcida, nem vai animar os seus seguidores em streams, tampouco agitar as redes sociais. Seu novo reforço foi para os bastidores para trazer um novo olhar para os Tradicionais na forma que lida com suas equipes: Filipe Makarausky, ex-gerente de operações de esports da Riot Games.

O nome talvez não seja um dos mais conhecidos do grande público, pois Maka sempre foi uma pessoa de bastidores, que se relacionava com os jogadores e equipes, desenvolvimento do cenário competitivo, infraestrutura e outros assuntos relacionados aos esports na Riot. Sempre atuando ao lado de Caco Antunes, Head de Esports da empresa norte-americana, Filipe não era um porta-voz, mas sempre nos trombávamos nos eventos - naquela longa e distante época onde não existia uma pandemia.

Agora Maka passa a integrar a paiN como diretor de esports e nesta semana tive a oportunidade de entrevistá-lo para falar sobre seu novo desafio. Eu, Rodrigo Guerra, editor e escritor deste artigo, me questionei: “Qual foi a motivação dele para dar esse passo?”. Afinal, não é todo dia que você deixa uma empresa de escala global para se aventurar em um clube brasileiro - ainda mais em um momento tão delicado como enfrentamos atualmente na economia do nosso país. E claro, esta foi minha primeira pergunta para o diretor.

“Pra ser sincero eu acho que nem pensei muito nisso”, brincou Maka. “É claro que eu levei isso em consideração, obviamente. Mas o projeto daquilo que me foi apresentado e tudo aquilo que estou vendo, me motiva muito mais do que esses aspectos [de a Riot ser uma multinacional e a paiN uma equipe brasileira]”.

“Se parar para olhar o passado da minha carreira, quando eu saí de uma consultoria que era consolidada, que tinha alguns escritórios pelo Brasil, trabalhando de terno e gravata, me relacionando com presidentes de empresas e recebi a proposta da Riot Games e eu não conhecia esse mercado também teve esse impacto. Eu disse lá em 2013: ‘vou largar aqui, vou sair desse mundo corporativo, sério e que é promissor para ir em um projeto de uma empresa que estava com 20 funcionários, que tinha um jogo e que estava começando a falar de esports. Essa foi a mesma pergunta que tive que responder quando optei pela Riot. Hoje a Riot está onde está hoje”, relembrou o diretor.

“Obviamente que levei isso em consideração, mas ao mesmo tempo o projeto que a gente está construindo, o caminho, o desenvolvimento me motiva. [Encaro que] a minha atuação nessa nova jornada é similar com a que eu tive com os esports na Riot, na qual eu tive participação direta, e agora tenho esta oportunidade de estar em contato direto na construção de um novo caminho”.

Quando olhamos para a paiN nas redes sociais, principalmente no Twitter, vemos que a movimentação da equipe é bem forte com League of Legends e isso pode dar a falsa impressão de que os Tradicionais só têm uma equipe devido ao grande volume de postagens sobre o game da Riot. Entretanto, com a chegada de Maka, a equipe pretende expandir seus horizontes.

“Essa é uma das frentes na qual estou me dispondo a ajudar, entrar na operação mais diretamente e auxiliar na construção da mentalidade da paiN para não se concentrar em apenas em um esport, mas que pra isso transpareça e aconteça em todas as lines e projetos relacionados aos esports”, explica Maka. “E não só para o atleta. Se a gente for analisar a grade de influencers, streamers que estão conosco e que através do esport leva a marca da paiN para os fãs é muito importante. Todo esse ecossistema que a paiN criou ao longo desses anos, eu acredito que possa ser elevado”.

O diretor diz que a nova visão da equipe será fazer com que todas as equipes da paiN sejam equiparadas tanto em alcance de torcida, quanto em visibilidade pública. “Todas as lines da paiN estão em momentos diferentes de desenvolvimento, tanto dentro da equipe, quanto em seus universos competitivos - isso sem falar do desenvolvimento de seus streamers. A oportunidade de equiparar todos eles, deixá-los se sentindo como parte da paiN, parte de um movimento que estamos criando e que para a própria paiN algo interessante e que seja claro para nossos patrocinadores, apoiadores e nossos negócios”.

O PESO DA CAMISA

Que time não sonha ter estampado em sua camisa marcas como Coca-Cola, BMW, JBL e Motorola como patrocinadores? A paiN é uma equipe de esports que tem e teve em sua camisa patrocinadores de grande peso e que faz muita inveja para grandes clubes de futebol. Nesse caso, para Maka, o peso é diferente do que é para os jogadores.

Maka diz que a paiN vai se tornar uma equipe que pensa no futuro dos jogadores, que vai ajudá-los a construir sua imagem pública e o espírito competitivo de vestir a camisa do clube e que para ampliar a força da equipe nesse cenário, não é aumentar o número de patrocinadores na camisa, mas em outras frentes.

“Ampliar é garantir que as entregas feitas com os times de esports estejam à altura ao que as marcas querem, não apenas o corpo competitivo de sempre estar nos playoffs e finais, mas também na construção dessa marca com a paiN. Todo patrocinador quando vem pra cá, tem uma ideia do que a gente pode entregar e daquilo que os atletas podem entregar. Eu vou ajudar nessas novas entregas, novos produtos e entrar na criação novas ideias para o mercado de esports com os atletas”, conta o diretor.

Também toco no assunto da LOUD, que é uma equipe de esports que acabou de nascer e já tem uma legião de fãs e torcedores. Pode parecer um pouco temerária a comparação, mas explico. Até hoje a paiN apostou no “arroz com feijão” de um clube: sempre ser competitiva e estar presente em finais, trazendo a alegria para os fãs com títulos - algo muito similar com o que os clubes dos esportes tradicionais fazem. Já a LOUD, por outro lado, aposta na criação de conteúdo e fala na língua da “Geração Z” para se alçar nos trends. Eis que questiono o diretor: Esse será o novo caminho da paiN?

“Isso faz, sim, parte do plano que estou começando a tocar e entender como isso vai funcionar para a paiN. Porém com certeza o desenvolvimento de conteúdo para nosso fã é uma frente que vamos atacar. Como você disse, a LOUD atualmente está na frente disso, mas a gente pretende melhorar e desenvolver. Não só para bater de frente, mas é porque isso é algo que nosso jogador quer, que nosso fã quer”.

Perguntei para Maka qual era o plano de curto prazo e ele disse que a ideia é que “daqui um ano as equipes estejam equiparadas. E não digo entrar apenas em novos produtos, mas que tenhamos certeza de que quando entrarmos em uma nova competição que a estrutura e a equiparação [competitiva] seja aquilo que nosso torcedor quer, para que isso mostre somos competitivos e temos chances de ganhar. A paiN merece ser campeã e merece estar nas finais. É algo que nosso jogador quer e cobra. Então temos que entregar isso efetivamente e espero que daqui um ano a gente alcance essa solidez para garantir que todos estão incomodando em todas as categorias”.

E claro, falamos sobre as influências de outras equipes de esports internacionais que influenciam o cenário brasileiro. MIBR (que apesar de ser uma marca brasileira, é de propriedade da Immortals), Team Liquid, Cloud 9, FaZe, NiP são apenas algumas das equipes internacionais que atingem o torcedor do Brasil e são respeitados no mundo todo apenas por vestir estas camisas. Para Maka, o objetivo da paiN é chegar a este patamar.

“Em cinco anos quero passar pela mesma coisa que eu passei agora - não que eu já planeje sair da empresa -, mas ser reconhecido por expandir a paiN para uma empresa internacional, que é localizada em tantos escritórios do mundo, uma empresa que cresceu tanto de forma tão sólida. Quero aumentar a quantidade de jogadores e lines, aumentar a quantidade de oportunidades onde quer que os esports estejam. Quero que a paiN seja um clube reconhecido e respeitado por todos os jogadores do mundo”.