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Opinião: Como em um ano o Valorant mexeu no mercado dos FPS

TenZ foi um dos jogadores que migrou do CS:GO para Valorant; o jogador ganhou o Masters Reykjavik com a Sentinels Colin Young-Wolff/Riot Games

A chegada triunfante do novo título da Riot Games em 2 de junho de 2020, em meio a uma pandemia, causou algo que alguns passaram a chamar de “Efeito Valorant”. Em seus primeiros meses tornou-se comum vermos gigantes de outras modalidades anunciarem suas aposentadorias em seus respectivos títulos para migrar para esse novo e inexplorado ecossistema criado pela mesma desenvolvedora de League of Legends.

Aliás, esse é um dos grandes motivos para o jogo ter tido tanto sucesso em atrair jogadores como nitr0, Hiko, Nyang, ScreaM, Murizzz, Sacy e muitos outros nomes que abandonaram os cenários nos quais construíram seus nomes para tentarem alcançar a glória em um novo jogo que tem a faca e o queijo na mão, e depende apenas de si mesmo para alcançar o topo.

Este é o tipo de segurança que o nome Riot Games traz para essas movimentações que, para muitos, pode ser considerada arriscada. A segurança de que o competitivo será gerido e desenvolvido por uma desenvolvedora que na última década transformou um título em um dos mais dominantes do mercado de esports e que ouve com clareza sua comunidade.

Não só isso, também recebeu estes grandes nomes de braços abertos e deu oportunidades àqueles que não estavam felizes ou que buscavam uma nova chance dentro dos esports; aproveitou esses talentos escondidos em modalidades muitas vezes superlotadas e os transformou em grandes estrelas, como é o caso de Boaster da Fnatic, que ganhou o coração dos espectadores com seu jeito “bobo”.

Valorant mudou muito o mercado dos FPS.

Vimos desenvolvedoras como a Ubisoft tendo a necessidade de se adaptar a uma nova concorrente no mercado e adotar um calendário ainda mais atrativo tanto para os jogadores profissionais quanto para os espectadores para não ficar para trás - claro que este não foi o único motivo, afinal o Rainbow Six também é um cenário em crescimento e constante evolução.

E também vimos outras desenvolvedoras como a Valve acomodadas em seu trono com seu nariz empinado e sem mexer um dedo sequer para tentar não dar chance à concorrente em um descaso desrespeitoso com seus jogadores. Na verdade vimos essa fazendo exatamente o contrário, através de decisões questionáveis e que apenas prejudicam o cenário ao minar tentativas da própria comunidade competitiva de inovar em um jogo que segue por muitos anos na mesmice e sobrevive única e exclusivamente por conta do amor de sua comunidade pelo mesmo. Inclusive, dos cinco jogadores da norte-americana Sentinels que se consagrou como a melhor equipe do mundo no Masters Reykjavik, quatro vieram do CS:GO.

Uma semana antes de comemorar seu um ano, o segundo Masters de Valorant foi sediado na Islândia e trouxe os melhores times do mundo inteiro para dar um show aos espectadores. O resultado? Quando comparado com competições mundiais do próprio Counter-Strike: Global Offensive, o jogo alcançou em sua primeira competição internacional a segunda colocação entre todos os Majors do título da Valve quando falamos de média de espectadores, segundo dados do Esports Charts.

No último domingo (30), o mundial de Free Fire bateu o recorde mundial de evento de esports mais assistido com 5,4 milhões e isso só mostra o quanto Valorant ainda pode crescer. O título não só mandou bem na média de espectadores como, ainda segundo a agência de análise estatística de esports e streaming, na grande final entre Fnatic e Sentinels trouxe um pico de 1.085.527 espectadores, combinando o número dos mesmos tanto na Twitch quanto Youtube e co-streams.

Na minha visão, essa é uma ótima maneira de começar os campeonatos internacionais; ainda mais tendo menos de um ano de existência.

A verdade é que Valorant chegou para mexer no mercado para melhor. Queremos essa identidade incrível que foi trabalhada pela Riot Games durante seu primeiro ano de vida somadas com o que há de melhor nas outras duas principais modalidades que disputam o mercado com o shooter da desenvolvedora.

O jogo ainda está em uma fase embrionária e sem dúvidas ainda precisa melhorar alguns aspectos para um dia talvez ocupar o posto de maior FPS da atualidade, mas o caminho que está sendo trilhado pela desenvolvedora para fazer com que o mesmo chegue a esse patamar, até o momento na minha opinião, está se mostrando ser o certo.

Também é legal ressaltar que todos os jogadores oriundos destes outros títulos sempre serão bem recebidos por essa comunidade que, apesar de ter seus defeitos, é incrível! Lógico, desde que se juntem para trazer as coisas boas, não as ruins. O importante agora é não se desviar desse caminho criado para alavancar o título aos céus e melhorar o que precisa ser melhorado.

A real é que a comunidade que hoje morre de amores pelo FPS não quer um novo CS:GO ou um novo Rainbow Six, eles querem apenas uma coisa: Valorant; e isso a Riot Games está entregando.