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FFWS: Vini e K9 comentam sobre treinos e resultados dos brasileiros no Mundial de Free Fire

Vini e K9 jogaram o Free Fire World Series 2021 representante a LOUD e Fluxo, respectivamente Divulgação/Bruno Alvares & Jéssica Liar

Neste domingo (30), vimos as equipes LOUD e Fluxo representando os brasileiros nas finais do Free Fire World Series - campeonato mundial da modalidade. Ao longo de seis quedas no último dia do campeonato, apesar de alcançarem bons resultados, as equipes não conseguiram encontrar Booyahs e viram a tailandesa Phoenix Force disparar na tabela, deixando as brasileiras em segundo e quarto lugar respectivamente.

Em Singapura, a LOUD se juntou à Fluxo na etapa final do campeonato após uma boa performance na fase de entrada onde garantiu dois Booyahs para assegurar a segunda colocação na tabela logo atrás da First Raiders Bravo.

Algumas quedas não tão favoráveis para a equipe, como a quarta que mostrou a equipe com dificuldades em obter eliminações e garantindo o quinto lugar ao final da queda, chegaram a preocupar os espectadores brasileiros, mas logo a mesma sumiu ao mostrar a equipe se recompondo e garantiu o avanço para as finais.

“A gente estava meio que amolecendo mais e jogando como um treino, porque vimos que não estava tão difícil como imaginamos que ia ser. Então a gente deve ter se distraído, errado algumas coisas e bobeado naquela queda (4ª) que foi triste (...) querendo ou não a gente tinha que jogar sério, foi esse baque que deu na gente e que fez jogarmos mais focados”, diz Vini em entrevista ao ESPN Esports Brasil sobre como o quarteto corrigiu os escorregos para continuar forte nos play-ins.

Passada a fase de entrada e a chegada da certeza de que ambas as equipes brasileiras se apresentariam nas finais do evento principal, onde o pódio seria decidido nas seis quedas mais disputadas do campeonato, o caminho até o principal torneio do Free Fire foi tortuoso; e chegar lá não tornou as coisas mais simples.

Conforme revelado pelo próprio Nobru, as equipes tiveram dificuldades para encontrar treinos para se preparar para o campeonato. Com as equipes não aparecendo para os mesmos e participando “só quando a Garena obrigava”, segundo o treinador K9, o jeito foi recorrer para o único meio possível de treinar: jogos quatro contra quatro entre as equipes brasileiras e alguns treinos com equipes locais que aconteceram apenas nas últimas semanas.

“Foi complicado. A gente tem uma rotina de treino no Brasil que começamos 13h e vamos parar só às 20h com uma hora de treino e trinta minutos de descanso. Chegamos aqui e esses treinos passaram a ser duas horas de treino por dia e nosso time é muito tático, então pensamos na jogada e vamos treinando até dar certo. Aqui não teve como praticar isso porque não tinha treino, então sobrava jogar quatro contra quatro e as ranqueadas”, fala K9, treinador da Fluxo, sobre os problemas em encontrar treinos.

“O preparo foi árduo, ô bagulho difícil. A gente tava na LBFF 3 e tinha treino marcado todo dia, com horário definidos e sempre 12 times. A gente nunca teve falta de pessoas. Chegou aqui, primeiro dia sem treino, segundo dia sem treino (...) fomos conseguir treinos decentes na última semana só”, completa Vini.

Apesar disso, os brasileiros chegaram fortes para o campeonato, afinal a região brasileira sempre foi predominante no competitivo do Free Fire e também o título mundial estava em mãos brasileiras, com a conquista do Corinthians de Nobru durante o campeonato em 2019 - o World Series de 2020 acabou sendo cancelado por conta da pandemia e deu lugar ao Continental Series.

Com um novo formato diferente daquele apresentado no torneio de dois anos atrás, as equipes foram surpreendidas ao ter que decidir o grande campeão da edição de 2021 ao longo de apenas seis quedas contra oito, que foram disputadas no último campeonato mundial. Pelo menos para a equipe da LOUD, apesar de afetar sim o desempenho, o número menor de quedas não afeta tanto o time.

“Acho que não [afetou]. O resultado podia ter sido diferente, claro, com mais quedas e etc, mas acho que não podemos ficar apegados ao ‘se’. Temos que fazer aquilo que queremos fazer e fazemos isso muito bem porque é uma profissão que a gente ama, então quando vimos que eram seis quedas a gente nem prestou atenção nisso. Independente de ser seis, oito ou nove quedas temos que dar nosso melhor em cada uma delas”, analisa Vini sobre se a equipe ficou afetada com o novo formato.

Em contrapartida, para o treinador da Fluxo o novo formato assustou sim a equipe. “Acho que no campeonato mundial, você se privar de jogar apenas seis quedas você dá um pouco de margem para sorte. Então é muita pouca queda para decidir um campeão mundial (...) Do lado competitivo não foi o ideal, que seria ter mais quedas. Na Tailândia foram sete e no Brasil foram oito, você dá mais chances para mais regularidade. É mais justo um campeão com mais quedas, eu acredito”.

Foram seis quedas decisivas no total e menos de seis meses desde a criação da Fluxo. A equipe criada em janeiro deste ano por Nobru e Cerol, em seu primeiro campeonato mundial cravou sua bandeira na quarta colocação (apesar de não ser a que os jogadores desejavam) ao final da sexta queda.

Muito do bom desempenho apresentado pela equipe se dá por conta da preparação e do coletivo que encaixou desde o começo, mas sem dúvidas a experiência e palavras que Nobru pode passar para os outros nomes que representam a equipe dentro de jogo foi um diferencial.

“O Nobru sempre tem uma palavra forte no grupo, os meninos são muito confiantes jogando com ele. É uma coisa que deixa ele empolgado e os meninos ficam confiantes e também nas palavras que ele fala antes de começar os jogos, no clima e nos sentimentos do time. É muito bom ter ele ao nosso lado, o Nobru passa muita moral. Além de jogar muito”, fala K9 sobre o impacto do campeão mundial na equipe.

Já a LOUD, que veio da Fase de Entrada e conta com nomes que representam seu elenco a um pouco mais de tempo que a outra representante brasileira, conseguiu uma campanha mais forte no campeonato e garantiu o segundo lugar com 77 pontos.

Além de coroar a representante tailandesa como a grande campeã, o Free Fire World Series 2021 tirou League of Legends de seu trono ao receber 5,4 milhões de espectadores acompanhando a decisão do jogo mobile - recorde que antes era detido pelo MOBA da Riot Games com 3,9 milhões de espectadores no Mundial de 2019.