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Valorant: Apesar da eliminação, Fra mantém a positividade e diz que Masters 'foi uma experiência sensacional'

A Sharks foi eliminada do Valorant Masters Reykjavik na última quarta (26) Colin Young-Wolff/Riot Games

Esta última quarta (26) trouxe o primeiro sentimento ruim para os brasileirinhos dentro do Valorant Masters Reykjavik. Um sentimento de que queriamos ver mais, que ainda tinha muito mais coisa para ser mostrada e de tristeza ao ver os cinco jogadores da Sharks, que representaram o Brasil com tanta paixão e dedicação, se retirarem dos palcos do campeonato após uma derrota complicada para a tailandesa X10 Esports.

Antes mesmo de deixarem de ser a Squad5 e passarem a carregar o manto dos tubarões portugueses dentro dos servidores, o coletivo formado por fra, gaabxx, light, denaro, prozin e fx já era considerada uma das equipes mais fortes dentro do cenário competitivo brasileiro. Mostravam uma adaptação boa, ótimas habilidades individuais e principalmente um mental quase inabalável que fez com que a equipe muitas vezes virasse resultados desfavoráveis.

A ida da Sharks ao primeiro campeonato internacional de Valorant animou os fãs brasileiros do título, afinal a equipe já havia se provado contra todas aquelas que enfrentaram no decorrer das etapas Challengers, bateram em equipes que se consolidaram como as melhores no último ano e bateu de frente com grandes potências que surgiram no começo deste. Mas, infelizmente, os bons resultados não foram reproduzidos lá fora.

“Acho que de primeiro momento tivemos um pouco de choque de realidade com o estilo europeu que treinamos e esperávamos que ia ser mais ou menos assim, então decidimos mudar porque sentimos que nosso estilo não estava encaixando e seria muito fácil de ler. Mas na verdade acho que simplesmente tá faltando um poder de adaptação, entender o que o outro time está fazendo, etc”, avaliou o capitão Fra sobre as dificuldades da equipe no torneio em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

As dificuldades para a equipe começaram a partir do início do segundo mapa de sua estreia contra a sul-coreana NUTURN Gaming. Cravaram um sonoro 13 a 5 para começar a caminhada e a partir disso pareceu que tudo passou a dar errado para os tubarões. Os ataques não encaixavam, a defesa não segurava, trocar bala não dava certo e parecia que a equipe não conseguia se encontrar dentro de jogo.

Vindos de outras modalidades como CS:GO e Point Blank, se tem uma coisa que os jogadores que compõem a equipe já estão acostumados é a pressão de jogar um campeonato grande. Para fra, essa pressão e nervosismo estão longe de ser o motivo do revés da equipe. Na verdade, para o capitão o motivo é simples: os adversários foram melhores.

“Não ficamos nervosos em nenhum momento, com a mão tremendo ou algo do tipo. Foi simplesmente que aqui fora o pessoal te pune muito mais do que no Brasil, sabe? Se você deixa eles criarem um snowball e fazer um mindgame deles você acaba se perdendo. Nosso poder de adaptação já estava sendo baixo desde o Brasil e aqui só piorou, então acredito que não rolou nervosismo ou algo do tipo, foi simplesmente que eles foram melhores taticamente”, observa sobre uma possível pressão sobre a equipe no primeiro torneio internacional.

Assim como acontece com a cultura local islandesa, a carne dos tubarões foi servida e os mesmos foram eliminados do campeonato pela KRÜ na repescagem. Paisagens incríveis, águas termais, uma nova cultura, aurora boreal e muito mais esperavam os brasileiros na cidade sede do Masters.

O resultado pode ter sido desfavorável e as outras coisas citadas acima podem não ser tão atrativas e muito menos importantes do que levantar o troféu no fim do dia, mas a verdade é que mesmo com o resultado a viagem valeu a pena. Conheceram uma nova cultura e jogadores que admiram de outras regiões, mas principalmente aprenderam muitas coisas que poderão adicionar em sua bagagem.

“Pra mim foi sensacional essa experiência porque foi o primeiro campeonato internacional e estivemos presentes. Aprendemos muito desde a base de como temos que trabalhar até como agir dentro do servidor e é uma experiência única conhecer um país, novas culturas e até mesmo os jogadores que você assiste e gosta. Então foi uma experiência sensacional”, observa sobre a experiência na Islândia.

E assim como o bom psicológico que mostraram durante suas apresentações dentro do servidor em território brasileiro e também internacionalmente, tendo em vista que alguns dos jogadores tiveram que competir em Reykjavik enquanto situações delicadas afetavam suas vidas pessoais, a equipe parece manter-se calma e confiante.

O time tem um futuro brilhante e, por mais difícil que possa ser, não desanimar após a eliminação é importante. De um lado a dura derrota que além de bater no momento em que a palavra aparece na tela do computador também volta a atormentar quando os jogadores encostam a cabeça no travesseiro, do outro uma oportunidade de aprendizado incrível jogando contra os melhores do mundo .

“A lição que fica daqui é que precisamos aprender muito mais a adaptar nosso jogo e entender o que está acontecendo pra sair com as vitórias”, observa.

Enquanto esperam sua segunda chance para se apresentar novamente nos palcos internacionais, os tubarões deixam de lado a rivalidade dentro dos servidores e sabem que ainda há uma possibilidade de ver os brasileiros trazerem o caneco para casa: a Team Vikings ainda está viva no campeonato.

Forte em seu primeiro jogo contra a X10, mas com dificuldades contra os norte-americanos da Sentinels, a equipe continua no campeonato disputando a repescagem. O momento é triste para a Sharks, mas também é um momento de mostrar todo o apoio para seus conterrâneos que seguem na caminhada de tornar verdade o sonho do primeiro título internacional ser brasileiro.

“Eu acho que a Vikings é muito boa e está no mesmo nível dos outros times do campeonato. Acredito que eles tem grandes chances de levantar essa taça e trazer ela para o Brasil, então acredito muito nos meninos e vou estar torcendo muito por eles”, conclui.