VALORANT: VCT Game Changers e a valorização do cenário feminino do FPS

O cenário de Valorant no Brasil é consideravelmente novo mas, mesmo em pouco tempo, já conseguiu chegar em um lugar muito bacana esportivamente, o gameplay brasileiro tá sendo muito considerado lá fora. Recentemente, a Riot divulgou o Valorant Game Changers, um novo programa que vai complementar a temporada competitiva, criando novas oportunidades e mais espaço para as mulheres no cenário competitivo de Valorant.

Já é uma realidade: cada vez mais, as mulheres estão tomando lugar no cenário competitivo de games, independente do jogo. A Riot viu aí uma oportunidade para dar espaço às meninas que querem se inserir nesse cenário e tornar essa comunidade cada vez mais plural.

GAME CHANGERS

O Game Changers será composto por duas iniciativas principais de competição: o VCT Game Changers Series e o VCT Game Changers Academy.

O Series será um conjunto de competições de alto nível, organizadas em várias regiões ao redor do mundo em 2021 e parecidas em proporção com os torneios da Série Ignição do ano passado.

Já a segunda iniciativa, o VCT Game Changers Academy, criará torneios mensais, dando às pessoas ainda mais oportunidades para competirem em uma categoria de base e semiprofissional.

“Nossa ideia começou lá atrás, pensando em como poderíamos crescer os mecanismos de incentivo pro cenário feminino, foi quando fizemos uma mudança na nossa regra, na política global, onde as organizações que só podiam ter um time inscrito em uma região em um torneio oficial da Riot, pudessem ter um segundo, desde que ele fosse 100% feminino”, comenta Carlos Antunes, Head de Esports na Riot Brasil.

“A função dessa regra de ter apenas um time era evitar conflito de interesses, por exemplo, um time que está jogando no Brasil e Europa, eles podem se encontrar num Masters, então existiria o conflito, mas a gente entendeu que se abríssemos pra um segundo time 100% feminino, conseguiriamos gerenciar com as organizações qualquer conflito competitivo. E aí a gente remove um obstáculo das organizações investirem em cenários femininos. Porque quando permitimos que as organizações contratem mulheres, aceleramos essa questão de gerar oportunidade, gerar um trabalho e um investimento das organizações", completa.

ELAS BRILHAM

Muitos times já apresentaram suas lineups totalmente femininas, como a Gamelanders, Havan, INTZ, entre outras. E elas já estão mostrando que vieram pra ficar.

O time da INTZ é composto por Celine “celinett”, Luisa “shyz”, Taynah “tayhuhu”, Carolina “shizue” e Isabeli “isaa”. Elas foram responsaveis pela vitória do time no Girl Power Invitational, levando uma premiação de R$5 mil.

A Gamelanders Purple tem a line up formada por Natalia “nat1”, Nathalia “daiki”, Paula “bstrdd”, Paola “drn” e Ana “naxy”.

Já a Havan Liberty, conta com as meninas Leticia “let”, Camila “sayuri”, Diana “mittens” e Victoriah “blu” compondo sua line up.

“Esse projeto vai ser totalmente liderado por mulheres aqui do time da Riot. Teremos mulheres no casting, produção de conteúdo, parte técnica, então conversamos muito com elas e entendemos que, para o Brasil, incentivar a entrada no cenário era o mais importante. Também conversamos com as organizações para falar de bootcamp e outras coisas, mas nosso foco mesmo esse ano é abrir as portas do cenário, e garantir que a gente e as organizações cuidem de tudo para que seja uma experiência boa”, diz Carlos.

Incentivando o cenário feminino, a Riot também dá abertura para o incentivo da inclusão como um todo. “Nosso pensamento é muito de inclusão. Queremos trabalhar em todos os lugares onde exista essa necessidade de agir para reparar algo que impediu que essa inclusão acontecesse, ou que eventualmente facilite isso. O Gamer Changers é um campeonato exclusivo para mulheres, cis ou trans, então ele também já engloba outro grupo aqui. Nós queremos expandir o conceito de identidade e inclusão é a palavra. Precisamos trabalhar todas essas frentes”, afirma Carlos. “Nosso olhar está em toda e qualquer parte da nossa comunidade que queira trabalhar, já temos contatos feitos com vários grupos, coletivos de streamers, jogadores, pessoas influenciadoras do cenário, para começarmos a conectar essas iniciativas. Se for preciso uma coisa mais pontual, vamos trabalhar pra fazer. A ideia é que todas essas identidades cheguem nesse lugar que queremos que eles cheguem e vamos agir em todos os pontos necessários para permitir facilitar isso”.

PORTAS ABERTAS PARA O PROFISSIONALISMO

Campeonatos bem estruturados e com premiações altas fazem com que o sonho de se tornar jogador profissional seja realizado, mas era algo um pouco difícil de se ver no cenário feminino nos últimos tempos.

Organizações estão se movimentando e coletivos estão correndo atrás do direito das meninas de também terem uma premiação alta e um campeonato bem feito. Com o Game Changers, a Riot também vai ajudar a dar estrutura para esses campeonatos amadores.

“Enxergamos que criar torneios mais estruturados, dar mais oportunidades de qualidade para revelar mais jogadoras, estimular as jogadoras a entrarem num caminho que não é só profissional, ele vai levar até os torneios oficiais, mas ele também é estruturado, ele é cuidado, ele é bem produzido, ele oferece uma boa experiência. Acreditamos que, entre outras coisas, as mulheres vão ser o grande incentivador da cena como um todo. Já vemos mulheres de ranks altos muito interessadas no Valorant e em jogar, então, resolvemos tratar essa camada, resolvemos tornar esse ano o ano de gerar mais torneios”, declara Carlos. Durante todo o ano, a Riot vai gerar mais torneios com suporte em vários níveis para que, pelo menos 1 vez por mês, exista uma ou duas oportunidades boas de torneios para mulheres jogarem. A intenção é, em cima disso, girar toda a máquina para que mais mulheres entrem na vida profissional de jogadoras de esports.

Isso vai estimular a presença de mulheres com qualquer que seja o rank. Estimulando com premiações e todo o suporte necessário os torneios independentes, isso deixa uma abertura muito grande para que outras organizações também o façam.

“Nossa ideia é colocar no mercado um monte de oportunidades, bem cuidadas e produzidas, dar visibilidade para outras mulheres, de como isso tá acontecendo, então vai ter cobertura, vai ter conteúdo, para que a gente trate essa demanda que já existe. E aí, a ideia pro futuro é continuar gerando cada vez mais torneios e agindo cada vez mais em pontos desse processo para que as mulheres tenham todo o nosso apoio para chegar onde elas querem chegar”, explica Carlos.

A ideia é que, no Valorant, o cenário profissional seja tão misto quanto é a comunidade. Com as duas iniciativas do Game Changers, é mais um passo dado para que isso se torne cada vez mais realidade.

Eles entenderam que é da responsabilidade da Riot dar caminhos e criar possibilidades para que o cenário seja incentivado mais eficientemente e mais rápido do que poderia ser.

“Se a gente faz acontecer, damos um unlock muito grande em tudo isso, então nossa ideia é criar isso, criar um caminho para que outras empresas, organizações, patrocinadores vejam que é necessário investir, que é necessário apoiar esse cenário”, comenta Carlos.

Além da parte esportiva, a Riot também pretende trazer conteúdos de discussão da mulher no cenário de esports, o que é muito importante pra essa causa. A tendência é que cada vez mais mulheres se aproximem do esports e, aos poucos, estamos conseguindo.