Também surpreendendo em 2021, a Slick foi a equipe que garantiu a última vaga para o primeiro Masters brasileiro. Desbancando equipes como Keyd, Vorax e B4 no decorrer dos campeonatos que aconteceram pelo ano, a equipe fundada pelo argentino Hastad quer cravar sua bandeira na elite do cenário.
Esqueçam o streamer tóxico do passado e permitam-se conhecer um argentino que está dando seu sangue para chegar no topo do cenário brasileiro. Hastad construiu uma organização que, ao que tudo indica, chegou para ficar.
“Eu sai do Tiobarão e decidi ir para outros rumos, tentar achar outra organização ou time. Eu recebi várias propostas mas nenhuma me interessou por completo, e foi quando eu conversei com um amigo meu de confiança e a gente entrou em uma reunião [...] e aí foi quando surgiu, do nada, a Slick”, conta Hastad em entrevista ao ESPN Esports Brasil.
Escorregadio. Liso. Habilidoso. São essas as definições da palavra Slick quando você procura na internet e essas definições caem como uma luva para definir o elenco da organização. Duvida? Só dar uma olhada na Raze de Hastad.
Bom round econômico da DELIRAWOWZK1, mas o @hastadvalorant estava lá pra garantir o ponto pra @TheSlickGG!#VCTBR
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Uma fusão entre jogadores novos com jogadores experientes, mas o que todos têm em comum é que todos buscam provar ao cenário e aos espectadores seu potencial e se consolidar de vez como uma das melhores equipes.
“O começo de tudo foi com o Pepa [que joga na paiN] e com ele, a gente escolheu o BLD. Sendo bem sincero, eu que sou um cara que sempre fiquei na minha nas streams e tudo mais, eu não conhecia o Mendes, não conhecia o Dimas, o ntk eu sabia quem era mas não muito; obviamente sem desmerecer ninguém”, lembra.
OS PRIMEIROS PASSOS
Confiando nas recomendações de BLD e Pepa, o foguete construído pelo argentino começou a decolar. Dois a um contra a Vorax no primeiro qualificatório do VCB para garantir a vaga no segundo, terceiro lugar na AORUS League e logo pousaram onde tanto queriam, o Masters.
Dois a zero contra a DELIRAWOWZK nas finais da lower bracket e a garantia de participar do maior campeonato até o momento. O entrosamento foi perfeito, cada peça que compõe essa tripulação do foguete sabe o que precisa fazer para complementar as outras e chegar em seu destino.
“Eu sinto que na Slick, cada jogador encaixa e ajuda na hora que precisa. Se eu estou em um dia ruim, o BLD compensa jogando bem melhor. Se a gente tá perdendo, o Dimas consegue ganhar um clutch, enfim, o time está em um equilíbrio perfeito na minha opinião”, avalia Hastad.
ACE da Sage braba do @bldcs_! 🔥#VCTBR
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A organização pode ser nova e com jogadores não tão conhecidos por enquanto, mas a mentalidade já é de organização grande. Após o começo ruim na terceira e última etapa para a classificação, alguns problemas internos começaram a aparecer após a derrota para a DELIRAWOWZK.
Foi quando decidiram adicionar mais um membro à tripulação: um psicólogo. Menos de três meses competindo e a equipe rapidamente enxergou a necessidade de investir em uma peça tão importante para o desenvolvimento e que até hoje algumas organizações dão pouca importância - aliás, até mesmo Hastad não achava tão importante.
“Ele é um cara que tem experiência na área, então ele conseguiu ajudar a gente muito rápido. Na primeira conversa, foi no momento que a gente precisava ganhar para classificar, então a gente teve essa conversa um dia depois de meio que ter brigado e foi perfeito, acalmou a gente. Quando eu era streamer eu não pensava que era tão importante um psicólogo na área de games, mas realmente é e acho que toda organização profissional deveria ter”, revela o jogador.
O ESFORÇO VALENDO A PENA
A ajuda veio e rapidamente os resultados começaram a melhorar. Passaram pela B4 Esports e se reencontraram com a DELIRA, mas dessa vez, com um psicológico diferente. Dois a zero tranquilo e a classificação para o Masters.
Até o momento o foguete da Slick não conseguiu pousar na primeira colocação de nenhum campeonato e, apesar dos fortes desempenhos mostrados, uma leve brecha no sistema foi exposta: a previsibilidade da equipe.
Isso foi dito em transmissões e também em redes sociais, no entanto o argentino Hastad não acredita 100% que a equipe seja previsível, mas sabe que a equipe ainda tem que trabalhar muito para se tornar ilegível.
Sinceramente, obrigado. Sem vocês isso não aconteceria!
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É oficial, estamos no MASTERS com literalmente 1 MÊS DE ORGANIZAÇÃO.
ggwp, DELIRA❤️
Mais empatia e respeito de todas as partes nos torneios, por favor! vamos provar que somos melhores que isso!❤️
Obrigado dnv, #GOSLICK🚀 pic.twitter.com/tYOz7tUPE2
“A gente está trabalhando como sempre e pensando sim em coisas novas e táticas novas, pensando talvez em algum outro jogador mudar de agente [...] a gente não sabe. Estamos vendo e treinando, acredito que vamos ter um bom desempenho no Masters”, crava o jogador.
A primeira provação da equipe será logo contra a equipe que dominou tudo no ano passado, Gamelanders. Começar o campeonato contra um dos adversários mais difíceis não é uma tarefa simples, principalmente se sua equipe não tem tanto tempo junto.
Mas, estranhamente, Hastad se mostra tranquilo. Parece que aquela extensa galáxia da Gamelanders já foi um lugar por onde o foguete da Slick passou muitas vezes e conhece o terreno. A viagem é difícil? Sim, mas ela também é divertida.
“A Gamelanders é um time muito forte, porém eu sinto que vai ser o time que eu vou ter menos pressão. Não pelo motivo de achar que eles são ruins, ao contrário eles são absurdamente bons, mas sim por eu ser amigo deles e ter jogado muitas vezes contra eles. Então vai ser um jogo legal, um jogo que você curte e divertido. Vamos dar nosso melhor, obviamente”, observa o argentino sobre seu primeiro confronto.
O que realmente preocupa são aquelas galáxias ou estrelas que você não tem familiaridade. É como um buraco negro: inexplorado, misterioso e as surpresas podem ser diversas. Para Hastad, enfrentar a equipe campeã do First Strike pode ser muito mais tranquilo quando comparado a equipes que pouco conhece.
“Tem alguns times que a gente não jogou tanto, como por exemplo a Vikings, que jogamos uma ou duas vezes. Então assim, se eu tivesse que escolher entre Gamelanders e Vikings, eu escolheria Gamelanders porque talvez a gente tenha um dia super inspirado, consiga ganhar deles, e eu me sentiria mais tranquilo jogando contra eles por já ter mais confiança, do que jogar contra a Vikings que eu não conheço bem”, avalia o jogador.
Foguete não tem ré e a Slick entra no campeonato tentando tirar de suas costas esse papel que os adversários colaram escrito “Previsível”, e também de mostrar que Hastad mudou e que não está jogando competitivamente apenas pela diversão. Eles querem ganhar tudo.
Sobre o que podemos esperar de diferente da equipe, o argentino preferiu não dar muitos detalhes e deixou para que os espectadores vejam com seus próprios olhos durante o campeonato.
“O que eu posso falar é que a galera vai se surpreender”, conclui Hastad.
