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LoL: 'Está tudo encaixando muito bem', conta Halier sobre seus primeiros momentos na All Knights

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Para a temporada de 2021, o cenário brasileiro trouxe para a região a implementação do sistema de franquias, mas também viu alguns nomes da região se despedirem para atuar em equipes de outros países, como o técnico Halier.

“Foi algo meio inesperado, eu não tinha esse plano de voltar para cá [LATAM]”, conta o técnico em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

Com propostas para compor o elenco de dois projetos das franquias para o CBLoL bem encaminhadas, o técnico bicampeão do CBLoL com a KaBuM foi surpreendido com um convite para se juntar à All Knights - vice-campeã do segundo split da LLA em 2020 -; e a proposta foi enviada no dia seguinte do contato entre ambas as partes.

“Do nada, faltando alguns dias para assinar o contrato [com a organização brasileira], a All Knights me pediu referências e no mesmo dia perguntaram se eu tinha alguma proposta, e eu contei que estava pré-acordado com um certo time. Foi quando eles falaram: ‘O que eles te ofereceram no contrato? A gente cobre tudo. Queremos você aqui’, e eles cobriram”, conta.

Já familiarizado com o cenário latino-americano, por onde atuou como técnico em 2016 e 2017 para as equipes Dark Horse e Kaos Latin Gamers, Halier enxergou na outra liga grandes oportunidades para sua vida - como profissional, e como pessoa.

Apoiado por sua família e namorada para enfrentar o novo desafio, o brasileiro também levou em conta a experiência de morar em um novo país, além da possibilidade de realizar algo que ficaria marcado em sua carreira: “ser o primeiro treinador brasileiro a ser campeão em duas regiões”.

Além das experiências adquiridas enquanto mora em um novo país e a possibilidade de fazer história, o treinador revela que a oportunidade de treinar com os times norte-americanos também foram um grande atrativo para a sua decisão.

“A LLA está tendo uma boa conexão com o NA, com a ida do Josedeodo e do Newbie, então eu pensei que eu poderia me beneficiar dessa experiência de treinar com duas culturas diferentes ao mesmo tempo [latino e norte-americana]”, observa o jogador sobre a oportunidade.

PRIMEIROS MOMENTOS COM A EQUIPE

Em um salto de fé, Halier se despediu das terras tupiniquins e se direcionou ao México para um novo desafio ao lado da All Knights. Sem muitas preocupações devido a sua experiência prévia com times latino-americanos, a única apreensão do técnico era “encontrar um grupo com um certo ego”.

“Felizmente nesse grupo é uma coisa que não existe, os jogadores falam, escutam a staff e estão comprando muito a filosofia de jogo que eu e o Mora estamos trazendo para cá. Então está tudo encaixando muito bem, honestamente até melhor do que eu esperava para esse começo”, revela Halier.

Se reinventando para a estreia da liga e utilizando o substituto Zothve, a equipe conseguiu terminar sua primeira semana com um 1 a 1, apesar dos contratempos.

Dentro do elenco de jovens profissionais em que atua, Halier se encontra com um velho amigo dos brasileiros, Grell, que atuou na Vivo Keyd entre 2019 e 2020.

Durante sua passagem pelo Brasil, o mexicano se mostrou um talento promissor e também demonstrou muito carisma. Sobre a oportunidade de treinar o jungler, Halier não poupa elogios.

“Ele é um cara muito bondoso, de coração bom e dedicado. A gente tem um brasileiro de reserva na posição da selva e ele claramente não tem medo nenhum de passar conhecimento. Não é aquela relação de ‘Não vou ajudar esse cara porque senão ele pode roubar minha vaga’, não, ele vai e ajuda”, observa o treinador sobre o jungler Grell.

Após passar um mês e meio treinando com um elenco, a All Knights sofreu com a perda de seu top laner Straight, que teve que se afastar da equipe por problemas de saúde que acarretaram em uma cirurgia. Mais tarde, a organização anunciou a chegada do sul-coreano Ruin, ex-CLG.

OS TREINOS COM A AMÉRICA DO NORTE

Resultado das boas atuações recentes da equipe e também da região, que se encontra perto da norte-americana, hoje a All Knights consegue manter uma boa rotina de treino com equipes da região, tanto principais, como do academy, segundo Halier.

Para a evolução e boas atuações da equipe, Halier acredita que grande parte destes são resultados dos treinos que o time vem tendo com as organizações norte-americanas.

“Isso só tende a melhorar, porque as equipes latino-americanas estão aprendendo bastante com o estilo de jogo do NA e acho que é visível essa melhora através dos resultados recentes que a LLA mostrou lá fora”, observa.

A melhora em questão de jogo citada por Halier, pode ser observada durante os eventos internacionais organizados pela desenvolvedora. Quando comparada com o Brasil, o treinador acredita que, com a qualidade de treinos elevada, hoje a região latino-americana está à frente da brasileira.

“A qualidade de treino é muito boa e isso faz com que os times evoluam. De uns dois anos para cá, eu sinto que os time latino-americanos ficaram mais fortes no entendimento de jogo porque eles têm tido uma experiência mais rica de treino que os brasileiros. Por isso que eu acho que hoje, o cenário latino-americano é mais forte que o brasileiro”, avalia o treinador sobre o nível das regiões.

FAZENDO DIFERENTE

Para tornar seu plano de ser o primeiro treinador brasileiro a ganhar em duas regiões diferentes, Halier revela que quer trazer algumas mudanças no estilo de jogo da equipe.

“Eu não costumo dizer eu, porque é tudo um trabalho em equipe, então eu, o Mora [técnico principal] e o nosso analista felizmente temos uma filosofia bem similar. Basicamente o que a gente quer trazer é tentar acelerar mais o jogo, a gente sente que o pessoal em treino joga muito agressivo e em jogo oficial muito passivo”, revela o treinador.

Durante a temporada de 2020, a All Knights não pôde comparecer ao Worlds após perder durante as finais para a Rainbow7 em uma virada por 3 a 2.

Ao lado de Mora, que também teve passagem pelo cenário brasileiro em 2020, Halier vai buscar melhorar a região como um todo para conseguir chegar onde quer. “Queremos fazer com que a região seja melhor nessa transição de early-mid game, que a gente sente que ela é um pouco ‘defeituosa’ ainda”.