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FIFA 21: Zezinho, SpiderKong e streamers avaliam o game em seu primeiro mês pós lançamento

Com o final do mês de outubro, o FIFA 21 chega a, praticamente, seu primeiro mês no mercado. O game de futebol mais popular do planeta, produzido pela EA Sports, é sempre tema de muita polêmica, até mesmo dentro da própria comunidade do jogo.

Para entrar nessa discussão, o ESPN.com.br convidou dois jogadores profissionais e dois streamers do jogo para debaterem os aspectos positivos e negativos da nova edição do game.

Os profissionais convidados foram Henrique Lampke, o Zezinho, vencedor da FUT Champions Cup Stage IV do FIFA 20, Miguel Bilhar, o SpiderKong, que representou o Brasil em diversos campeonatos mundiais e foi semifinalista do mundial de clubes quando era jogador da Roma.

Os streamers chamados foram Allan Carvalho, o Estagiário, um dos principais expoentes do game na Twitch e recém convidado para ser Game Changer, um grupo de parceiros da EA dentro da comunidade para tentar melhorar o jogo, e Samuel Lira, conhecido como Milionário do UT na Twitch e especialista, principalmente, no mercado do FIFA.

Os pontos positivos do FIFA 21

Com apenas um mês de jogo, ainda não é possível fazer uma avaliação completa do FIFA 21. Alguns pontos positivos, porém, já são perceptíveis e destacados pelos entrevistados, como o fato do controle sobre as ações e sobre os jogadores ser mais manual.

"O FIFA 21, na minha opinião, melhorou em relação ao FIFA 20 por alguns fatores que, na minha visão, são simples e é o que todo mundo pedia, né? A gente tem um FIFA um pouco mais manual na parte defensiva, um FIFA que na hora de marcar depende mais das suas skills para você conseguir levar a melhor sobre o seu adversário e isso é uma coisa que não acontecia no FIFA 20", comentou o Estagiário. "Na parte ofensiva, os jogadores estão se posicionando de uma forma melhor, está muito mais inteligente na hora de atacar e você consegue variar mais esse jogo. Então tanto a parte manual da defesa quanto a parte mais criativa são as grandes mudanças positivas do FIFA 21. Você consegue coordenar seu ataque pelo lado, você tem os cruzamentos, você tem o ataque pelo meio, os jogadores estão mais inteligentes, uma coisa que a gente pediu muito durante o FIFA 20".

SpiderKong vai na mesma linha que Allan, dizendo que o principal ponto positivo do novo game é a gameplay estar mais manual.

"Concordo, acho que como um todo o FIFA melhorou, por muitas coisas que a gente pediu durante o FIFA 20 inteiro foram atendidas, principalmente isso do FIFA ser mais manual, acho que até um pouco no ataque. A gente reclamava muito que no FIFA 20 os jogadores se movimentavam pouco e isso mudou bastante, agora eles se movimentam muito mais, o que te dá muito mais opções para atacar, o que não deixa o jogo tão defensivo, então, no geral, eu concordo, sim, acho que o FIFA 21 tem tudo para ser melhor do que o FIFA 20 foi", analisou.

O "mais casual dos quatro presentes", Milionário também vê como positiva a mudança de deixar o jogo mais manual, apesar de pontuar que a experiência fica mais desafiadora para aqueles que não são profissionais do game.

"Acredito que eu seja talvez o mais casual da conversa aqui na questão de gameplay. Pra mim mudou bastante, acho que está mais difícil, até mais gostoso de jogar porque eu gosto do desafio de aprender, de tentar melhorar, de me desafiar, então o FIFA 21 está trazendo bastante isso. Você tem que se adaptar na defesa, tem que se adaptar no ataque. Hoje, uma pessoa que é mais criativa consegue fazer jogadas que você nem vê de onde vem o jogador. O jogador passa por sua zaga inteira e você nem viu. Então o jogo te trouxe esse tipo de mecânica para fazer isso, achei muito legal, mesmo sendo um pouco mais casual e tendo uma gameplay inferior", comentou.

Por fim, Zezinho revela que o FIFA 21 é o que mais lhe ofereceu dificuldades de início e, portanto, o que ele está tendo que mais treinar desde o lançamento do jogo.

"O meu começo de FIFA 21 tem sido muito diferente do que qualquer outro começo de FIFA. Acho que com as mudanças que eles implementaram na gameplay, vou dar exemplo que no começo do FIFA 20, no começo do FIFA 19, eu não tinha uma rotina de treinamento muito dedicada e nesse começo de 21 eu notei que, se não treinar, não vou chegar a lugar nenhum. Então tenho que treinar o máximo possível para manter o nível e também aprender as novas mecânicas que saíram no jogo. As pessoas acham que 'ah, é só uma nova mecânica', mas que, na verdade, quem sabe usar elas já está 10 passos a frente de um jogador casual e até de um jogador profissional que ainda não sabe. O pessoal está passando bastante dificuldade com isso e a gente tem que aproveitar. A gente que é pro player precisa pegar esse tempo para treinar o máximo possível", analisou.

Os pontos negativos do FIFA 21

Obviamente, nem tudo são flores quando se trata do FIFA 21. Apesar da EA Sports já ter lançado a primeira atualização de gameplay do jogo, ainda são necessárias algumas mudanças. A principal delas, segundo todos os participantes, é pedida há muito tempo pela comunidade sul-americana: novos servidores.

"Então, eu acho que o principal que o FIFA 21 que a gente exige mudança, desde o 19 e o 20, é o servidor. A gente sabe que só existe um servidor, em São Paulo, então todas as partidas da América do Sul são deslocadas para esse servidor. Então a gente tem muita dificuldade quando tem muita gente jogando ao mesmo tempo - dia de evento, dia de Weekend League -, o servidor acaba ficando congestionado, acabam acontecendo as quedas de conexão, os momentos de delay na gameplay. Então, acho que é a grande mudança que a gente necessita para ter uma experiência melhor dentro do jogo", comentou o Estagiário.

"Acho que além dessa tecla que o Estagiário bateu aí já dos servidores, que realmente é algo que prejudica muito as pessoas aqui na América do Sul, sendo um pouco mais específico eu diria duas coisas. Os bloqueios automáticos quando você chuta acho que estão um pouco demais e esse nerf do elástico que teve na atualização talvez não fosse tão necessário. Mas acho que está muito no começo para a gente apontar coisas tão ruins. Ainda tá muito no começo, então a gente não tem ideia de como vai ser esse meta, de como o jogo vai se desenvolver, então é difícil apontar coisas negativas agora no começo", analisou SpiderKong.

Como casual, Samuel também apontou um outro problema com a gameplay: a pressão exagerada.

"Além do fato do servidor, que acho que é o principal motivo porque o jogo quando você está em uma conexão boa é muito gostoso de jogar. Quando está em uma conexão ruim é totalmente outro jogo, então falando de um jogo bom, com conexão boa, eu acredito que a pressão. Principalmente aquela pressão automática, tática de pressão, que você aperta na setinha, acho que ela tem que diminuir. Não muito, mas diminuir um pontinho. Não pode ser tão absurda quanto é, mas não pode ser tão estática quanto era. Então eu acho que diminuir um pouquinho já ficaria perfeito. Acho que é só isso mesmo", disse.

Já Zezinho foi o mais enfático dos quatro na hora de criticar o novo game da EA. O jogador da DUX Gaming não poupou palavras na hora de apontar "as coisas ridículas que precisam ser mudadas".

"Agora eu vou abrir meu livro do que eu trocaria. Por treinar muito, acho que já consegui achar muitos problemas do jogo. Tem algumas coisas que são ridículas e tem que ser mudadas imediatamente. Esse exemplo da pressão, do Milionário, é a primeira coisa que eu mudaria porque a pressão tá muito buffada no FIFA. Você faz o comando, tem a pressão do seu time e quanto menos você controlar os seus bonecos, melhor eles fazem a pressão. Por exemplo, quando eu controlo meus bonecos, o adversário sai da pressão tranquilo. Se eu deixo meu controle parado, os jogadores tiram a bola. Isso seria o primeiro problema que eu acho", apontou.

"Segundo problema, você cria as oportunidades de uma forma muito boa no ataque e os bloqueios automáticos estão absurdamente estranhos. Vou dar um exemplo: quando eu chego na frente do gol, eu tenho mais medo de ter um zagueiro na minha frente do que um goleiro, e isso não era para acontecer de jeito nenhum. Então, os auto bloqueios precisam ser revisados porque mesmo que o jogador não esteja controlando esse zagueiro ele vai bloquear de uma forma estranha, por exemplo, de calcanhar como se fosse o escorpião do Higuita, umas mecânicas estranhas para o auto bloqueio, que é uma coisa que é muito difícil de ser executada na vida real", prosseguiu.

"Outra coisa que eu acho que o pessoal tem batido bastante nessa tecla no Twitter e nas redes sociais é a questão dos passes. Esse ano ou os passes são muito automáticos ou são muito inconsistentes. Você vai dar cinco passes com a mesma perna, do mesmo jogador, na mesma distância, e os cinco vão sair de forma diferente. Então acho que isso eles devem corrigir no futuro. Alguns passes penetram a zaga de uma forma incrível, um jogador de 30 de passe consegue dar um passe perfeito e, às vezes, meu Gullit não consegue dar um passe de dois metros", reclamou.

Zezinho, então, finalizou criticando uma parte mais tática do jogo.

"Acho que o overload também. Nós que somos do competitivos também conhecemos essa tática. É uma da tática de equipe e o overload durante o jogo passado foi meta durante dois torneios. O overload é, basicamente, seus jogadores se compactam no meio do campo ou na região que a bola está e ficam, literalmente, 10 jogadores defendendo e o outro time atacando, então essa defesa em massa tinha sido nerfada no jogo passada e voltou um pouco forte demais, agora ela precisa de outro nerf para se tornar uma coisa que seja não tão boa, mas nem tão ruim. Seja uma coisa que a pessoa tem que se preocupar para usar. Da forma que está, o pessoal tem usado a pressão de equipe e o overload durante toda a partida e isso tem deixado a gameplay bem chata para alguns casuais e até para os pro players", finalizou.