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Worlds: Entenda mais sobre as semifinais do Mundial de League of Legends

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DAMWON Gaming e G2 Esports disputam a primeira semifinal do Campeonato Mundial de League of Legends, neste sábado (24). Já no domingo (24), Suning Gaming e TOP Esports duelam pela honra chinesa e a vaga na final. Ambos confrontos ocorrerem, às 7 horas da manhã, pelo horário de Brasília.

Pensando nisso, a ESPN Esports Brasil preparou uma análise do final de semana, que irá decidir a grande final do Mundial de League of Legends

TOP X Suning

Do lado chinês da chave, TOP Esports e Suning Gaming protagonizam um duelo repleto de nuances pelas semifinais do Mundial. Ainda na LPL, a Suning alcançou as semifinais sendo muito desacreditada por analistas da região, enquanto a TOP enfileirou seus adversários e tinha o favoritismo ao seu lado na busca pela taça. No fim, Sofm e companhia conquistaram o terceiro lugar após vencer a LGD por 3-0 e o time liderado por Jackeylove conquistou a LPL e, assim, garantiu o primeiro seed da China para o Mundial. Hoje, pelas apresentações de ambos no Worlds até então, é difícil apontar um favorito claro para o confronto.

Por conta do sangrento embate contra Fnatic nas quartas de final, é possível que a TES esteja em uma situação de desvantagem de informação perante seu oponente, pois a equipe europeia trouxe a tona muitos pontos fracos dos chineses ao decorrer da série. O mais notável deles é a dificuldade que o time apresenta em jogar caso a rota inferior esteja numa extrema posição de desvantagem. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Jackeylove exerce, ao lado de Yuyanjia, a função de weakside no mapa para que suas rotas solos desequilibrem a partida, principalmente a rota do meio com Knight.

Além disso, Karsa (caçador) vem demonstrando sérias dificuldades em se adaptar ao meta atual onde o jungler funciona como carregador, e não para habilitar suas rotas. Na segunda partida das quartas de final, ele foi absolutamente dominado por Selfmade em um match-up de Jarvan x Kindred na selva. Sua fraqueza fica ainda mais escancarada quando se observa as estatísticas de distribuição de ouro do plantel nos quinze minutos iniciais na LPL, no qual o jungler fica, em média, 480 de ouro atrás dos rivais de posição.

Ainda assim, a TOP Esports tem forças claríssimas e também as apresentou no próprio duelo contra Fnatic, como, por exemplo, a grande capacidade mecânica de seus jogadores, resiliência e adaptação ao adversário durante a série. A capacidade mecânica é, inclusive, o conceito que norteia o estilo de jogo da equipe nos minutos iniciais, pois sua intenção é dominar seus adversários no um contra um ou com a presença do caçador para, dessa forma, vencer o early game. Por conta desse fator, Karsa funciona como uma faca de dois gumes e isso ficou claro quando a TES forçou o confronto entre junglers que habilitam as rotas, onde foi muito superior a Selfmade e, por consequência, o coletivo funcionou melhor. Do outro lado do duelo, Suning vem de uma vitória dominante contra a JD Gaming nas quartas de final. Parte desse domínio surgiu do grande desempenho de Sofm e Swordart para neutralizar Kanavi dentro da série. O caçador dos "Leões" é um dos melhores nomes da função no campeonato e o entendimento da equipe em como atuar em torno do vietnamita é a principal chave do terceiro seed chinês para não só vencer a série, contra o rival de região, mas também para trazer a Summoner's Cup para China novamente.

O grande sucesso de Sofm no mundial se torna cada vez mais expressivo quando seus números são observados em comparação aos de seus adversários de posição: é o segundo jogador com a maior diferença média de farm aos dez minutos, é o vice-líder em dano aplicado por minuto e é o caçador com a maior média de wards posicionadas e retiradas por minuto. Juntamente a Swordart, o vietnamita forma uma dupla imparável que controla todas as ações e campos da selva de seus rivais. Um bom exemplo disso é a rotineira movimentação da equipe para punir o caçador inimigo nas Acuâminas (campo da selva).

Outro mérito da Suning é, até então, sua ótima capacidade para realizar pequenas lutas ou 5v5. Bin, Huanfeng e Angel passam por grande fase individual, o que corrobora positivamente para a existência de boas execuções de team-fights. Em contrapartida, alguns deslizes cometidos no período de meio de jogo podem ser fatais e custarem a derrota na equipe na série, principalmente contra um time como a TOP Esports que consegue punir seus adversários nas menores janelas de ação existentes dentro do League of Legends.

Palpite: Suning 3 x 2 TOP

DAMWON Gaming x G2 Esports

Em busca da vaga na final e do título, DAMWON Gaming e G2 Esports reeditam o confronto das quartas de final do ano passado. Naquela ocasião, a equipe europeia se provou bastante dominante em relação aos coreanos e saiu vencedora pelo placar de 3x1. Apesar da entrada do Ghost no lugar do Nuclear ser a única diferença daquele duelo para este, as duas organizações passaram por momentos distintos ao decorrer do ano. Enquanto a DAMWON dominou a segunda etapa da LCK e chegou ao Mundial como favorita, a G2 passou, mesmo conseguindo o título, por altos e baixos durante o semestre de verão na LEC e viajou a Shangai sem o brilho ao seu redor que existia em 2019.

Para Showmaker e companhia, é a chance de vingar a derrota e levar a Coreia ao topo, fato que não ocorre desde 2017. Ainda que, no ano passado, o elenco tivesse certa expectativa em volta de seu desempenho, aquele quinteto estava longe de sua melhor forma. Hoje, com os jogadores em estágios avançados de sua curva de evolução, a DWG parece não apresentar fraquezas. No geral, é uma equipe muito sólida em todos os instantes do jogo, desde o draft até a hora de finalizar partidas. Por conta da imensa champion pool compartilhada de Showmaker e Nuguri, é praticamente impossível colocá-los em situação de desconforto na fase de escolhas.

Além do mais, o time apresentou a melhor adaptação do meta dentro do Mundial. Canyon e Beryl sufocam o caçador inimigo dentro da própria selva sem conceder o mínimo espaço para que ele possa conseguir recursos e, a partir disso, pequenas lutas são criadas através da vantagem numérica no momento da iniciação. Afim de que as lutas sejam sempre iniciadas com vantagem numérica ao seu favor, a DAMWON utiliza-se muito bem das prioridades das rotas, onde é bastante comum ver, mesmo no nível 2 (ou 3), Beryl avançar em linhas inimigas para controlar visão em busca de uma jogada dois minutos a frente quando o Showmaker terá o controle de sua rota.

Durante muito tempo, analistas apontavam que Nuguri apresentava dificuldades em realizar a função de lado fraco no mapa, entretanto, atualmente, essa questão não é mais um problema para o jogador da rota do topo. É indubitável que suas melhores atuações foram quando se incumbiu da função de carregador ao acumular recursos, mas, ao encontrar consistência no decorrer de sua carreira, suas partidas com Ornn (ou até Lulu) ganharam muito valor e aumentaram consideravelmente o leque de estratégias que os coreanos podem propor, seja em melhores de um ou em melhores de cinco.

Agora, olhando na perspectiva europeia, a G2 chegou ao Mundial com algumas dúvidas sobre si, mas duas eram, em específico, muito importantes: 1) a atuação individual de Perkz; 2) a capacidade dos "Samurais" de se adaptarem ao meta de carregadores na selva. O primeiro questionamento foi respondido logo na fase de grupos, pois Luka Perkovic teve performances de altíssimo nível e se mostrou bastante confortável em palco internacional. A segunda pergunta ainda não foi respondida completamente, porque, apesar do grande domínio sobre Clid em relação a farm e experiência nas quartas de final, Jankos ficou devendo no quesito aplicação de dano, principalmente em sua partida de Nidalee.

Mesmo com a dificuldade em se adequar aos carregadores na selva, o time europeu é um dos poucos no mundo que pode colocar a Damwon fora da zona de conforto. Ainda que o meta atual não permita fases de drafts tão ousadas por conta da baixa quantidade de escolhas flexíveis, as decisões dos "Comandados de Ocelote" dentro do Rift são sempre fora da caixa e diferentes do habitual, desde a execução do nível 1 até a forma na qual encerram o jogo. Essa é uma característica extremamente valiosa contra times sólidos e que erram pouco, pois quebrar o status quo da partida possivelmente forçará um erro por parte do adversário. Ao observar de forma individual, o duelo entre G2 Esports e Damwon Gaming é sintetizado por Showmaker e Caps e é, provavelmente, desse confronto que o vencedor da série será declarado. A capacidade que o dinarmaquês possui para desequilibrar partidas e desmontar cenários é absolutamente incontestável, sua própria atuação contra GEN.G na série anterior prova isso. Caso os europeus não tenham muitas cartas na manga, a tentativa de gerar um cenário onde Caps imponha superioridade sobre o rival de posição e, posteriormente, ganhar na força bruta é válida.

Palpite: DAMWON 2 x 3 G2 Esports