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Worlds: Apesar dos tropeços, os rookies da LEC se mostram promissores

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O esporte de alto rendimento é dividido em quatro aspectos básicos: técnico, físico, mental e tático. Ao longo de suas carreiras, com o esforço e trabalho da comissão técnica, os jogadores se desenvolvem ao redor desses fatores para alcançarem seu potencial máximo e, assim, vencerem campeonatos.

O esport não é um mundo tão diferente e os quesitos técnicos, táticos e mentais condicionam vitórias e derrotas em um contexto profissional - de acordo com a evolução dos esports, o fator físico terá mais validade, mas, por agora, focaremos nos outros três citados acima.

É natural pensar que novatos não estão perfeitamente condicionados a prática competitiva de alto nível, o que é verdade, pois nunca habitaram esse ambiente em momentos anteriores. Por isso, é necessário que haja uma boa conjuntura para revelar e desenvolver pessoas jovens.

No League of Legends especificamente, o cenário de pandemia serviu como um filme de terror para MAD Lions e Rogue no tocante a evolução de seus players para competição mais importante do ano: o Campeonato Mundial. Esses dois times tiveram desempenhos aquém da expectativa, onde um foi eliminado na fase de entrada e o outro conseguiu apenas uma vitória em seis jogos disputados.

Sete dos dez jogadores que representaram ambas equipes no Worlds estavam em sua estreia internacional e todos os sete têm menos de um ano e meio de carreira na LEC. Ao ampliar em um contexto macro percebe-se que todos os sete citados passaram, na LEC, mais tempo jogando online que presencialmente no estúdio, sem o mínimo contato com a torcida ou com a pressão de atuar em um palco presencial.

O que é contraditório, porque a ideia de trazer novos nomes é justamente fazê-los representar sua organização no palco e trabalhar em busca dos títulos nacionais e internacionais ao longo da progressão de suas curvas de evolução.

Além disso, a pandemia eliminou a dinâmica de bootcamps realizada pelas equipes europeias ao decorrer do ano. Naturalmente, são feitos dois ou três bootcamps na temporada. Neste ano, apenas um foi realizado, justamente o que prepara para o mundial, que é o torneio mais importante do calendário.

Ao não realizar essa rotina, os estreantes tiveram mais dificuldades na preparação e que não conseguiram otimizar seus tempos da melhor forma possível e, assim, os treinamentos não fluem como deveriam e o impacto de uma derrota em scrim ou de não alcançar boas posições nas filas ranqueadas é ampliada graças a falta de experiência nesse contexto.

Olhando exclusivamente para MAD Lions, Humanoid foi o que mais sentiu a falta do palco presencial durante o ano, por conta de sua função na equipe. Em 2019, o mid laner era novato, mas rodeado por jogadores experientes em uma liga na qual as duas etapas foram realizadas no estúdio, com a presença da torcida.

Em 2020, lhe foi dada a missão de liderar quatro jovens estreantes repletos de potencial, entretanto, a grande semelhança entre atuar no palco das ligas regionais e na LEC, devido ao modelo de competição online, fez com que esse elenco enfrentasse poucas adversidades nas duas etapas e, dessa forma, a função de Humanoid não foi posta à prova. Quando precisou de sua referência como líder, seja mental ou técnica, o time fracassou e caiu na fase de entrada.

Ainda assim, mesmo com a conjuntura de desenvolvimento adequada, competir em palco internacional pode ser uma experiência cruel para estreantes, como há diversos exemplos disso na história.

Em 2014, Rekkles, uma das maiores esperanças da Europa naquele instante, fracassou duramente na fase de grupos do mundial ao ser eliminado.

Outros exemplos recentes são Knight e a equipe da Damwon: enquanto o chinês está longe de corresponder às expectativas criadas após seu incrível ano na LPL. Os coreanos evoluíram absurdamente desde sua estreia internacional, em 2018, onde sua maior dificuldade naquele torneio era conseguir transmitir o desempenho dos treinos para o palco, e, hoje, formam um time definitivamente pronto para vencer o campeonato mundial.

Revelar novos jogadores é fundamental para o sustento saudável de uma liga, pois a competição interna gerada em busca de uma vaga funciona como combustível para elevar o nível individual. Entretanto, é necessário que haja um bom contexto para que os novatos possam se desenvolver nos aspectos técnicos, táticos e mentais.

O cenário pandêmico fez com que os jovens nomes que representaram a LEC nesta temporada não estivessem maturados o suficiente para competir em dimensões globais e isso foi fatal para o desempenho de Rogue e MAD Lions.

A responsabilidade do péssimo campeonato é do time como um todo, tanto dos rookies quanto de todos os outros ali presentes, mas é necessário dar tempo ao tempo, não destruir um bom trabalho e entender que bons resultados são construídos a longo prazo, principalmente quando o assunto em análise é jogadores jovens.