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Worlds: Uma análise do que vimos até o momento na fase de grupos do Mundial

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No último sábado (3) foi iniciada a tão esperada fase de grupos do Mundial de League of Legends que teve a partida de estreia marcada pelo jogo de Flyquest contra a Top Esports.

Diferentemente de edições anteriores, nenhum grande resultado inesperado ocorreu e o script não foge daquilo que foi imaginado pela maioria dos analistas, fãs e entusiastas do cenário competitivo internacional. Confira aqui um apanhado geral da primeira semana do Worlds 2020.

CHOQUE DE REGIÕES

Apesar de estarem apresentando bons desempenhos no geral, as regiões mais badaladas ao título passam por momentos diferentes dentro do campeonato. A Coreia tem, até então, o melhor aproveitamento do torneio, onde venceu 77% dos seus jogos; a China fez ótimas partidas, mas a sensação que transmite é que ainda não se encontrou por completo; a Europa está passando por altos e baixos com seus representantes, mas apresentou nível aceitável na maioria de seus embates.

Após o gigantesco choque de realidade que ocorreu no MSC contra os chineses, DRX e Damwon optaram por subverter a filosofia de jogo imposta pela região. Na segunda etapa da LCK, essas duas equipes apresentaram partidas fora do conceito metódico e pragmático que sempre permeou a Coreia e adotaram o método chinês: caos organizado, ações rápidas em torno do Rift e quebra de tempo do adversário.

No fim, a Damwon colheu o título da segunda etapa e a DRX o vice-campeonato, porém, além disso, essa virada de chave foi fundamental para que ambas apresentassem ótimas atuações na primeira semana do mundial. A Gen.G foge um pouco desse contexto, mas apresentou solidez em seu desempenho no grupo C, de Controverso.

JDG e TES chegaram ao Mundial como francos favoritos ao título, entretanto ainda não tiveram as melhores apresentações no Rift, mas atuaram suficientemente bem para vencer seus jogos, o que pode representar um cenário extremamente assustador para seus rivais. Por parte da TOP Esports, Knight teve partidas abaixo do seu nível e ainda não correspondeu em estágio internacional a alcunha de "melhor mid laner do mundo".

Em relação a JD Gaming, o draft ruim e o erro de preparação no duelo contra Damwon foram fatores fundamentais para a derrota do time chinês, que, contudo, saiu vitoriosa dos outros confrontos com certa facilidade.

Os outros dois representantes chineses passam por algumas dificuldades, mas, ainda assim, conseguem se sagrar vitoriosos. Apesar da derrota contra G2, Suning teve, até aqui, performances confortáveis, ainda que com leves falhas, o que pode ser um empecilho ao pensar nos confrontos eliminatórios.

Já a LGD conseguiu, pelo menos nessa primeira semana, driblar seus problemas do play-in e vencer, porém suas partidas foram pouco convincentes no aspecto geral, visto que elas surgiram por conta de fragilidades e erros dos adversários.

Badalada após dois vices-campeonatos mundiais, a LEC faz uma boa campanha até aqui e apresenta amplitude para melhora na segunda semana. Apesar dos erros no draft e algumas escolhas ruins no confronto com a LGD, Fnatic venceu GEN.G e TSM de forma convincente através do ótimo controle de mapa e do ritmo de jogo, mostrando, assim, que pode liderar o grupo C.

A G2 Esports prova que consegue competir em alto nível e não deve ter sua classificação ameaçada na segunda semana mesmo passando por problemas de adaptação ao meta e por instabilidade mental e mecânica de seus jogadores. A Rogue é o único time europeu realmente ameaçado a cair nesta fase do campeonato, devido a grande força de seu grupo.

Mesmo com todo poderio econômico a seu favor, a LCS mantém, por enquanto, sua sina de fracassos em campanhas internacionais. Com escolhas pouco funcionais e facilmente passíveis de punição no momento atual do jogo, tal qual Zilean no meio ou Twitch, fraca adaptação ao meta e péssimos conceitos de mapa, Team Liquid e TSM foram dominadas por seus adversários na maioria das partidas.

As duas vitórias da América do Norte saíram das mãos de PowerofEvil e da Team Liquid, mas não são nada animadoras, pois surgiram após duelos repletos de erros coletivos e mecânicos por ambos lados. O ponto de ignição para Team Liquid, TSM e Flyquest, principalmente a TSM, melhorarem nos jogos da volta é definitivamente a fase de draft.

Apesar dos resultados indicarem o contrário, a primeira semana das equipes do Pacífico foi boa guardada as devidas proporções. A Machi apresentou desempenho consistente contra G2 e contra Suning, onde poderia ter saído vitoriosa, e venceu a Liquid; já o PSG Talon apresentou boas escolhas no early game contra Damwon.

É notável que há uma disparidade mecânica e coletiva entre os integrates de seus respectivos grupos para com Machi e PSG, mas existe, também, grande espaço para evolução dos representantes da PCS. Talvez esse fato citado não se concretize nesta segunda semana, e sim daqui a alguns meses quando alguns nomes integrantes desses time pintarem pela LPL.

O META E ESCOLHAS DE CAMPEÕES

Antes da fase de grupos ter seu início, muitos analistas apontam a boa interpretação do meta como fator primordial para bons resultados na primeira semana do mundial. Entretanto, grande parte do público crê que a formação do meta se dá pela escolha de campeões, mas, no fim, isso é apenas parte do processo.

O meta significa, em última análise, a forma mais eficiente de jogar para obter a vitória nas partidas. Quando grandes regiões se enfrentam, costuma-se haver um grande embate de interpretações, pois cada time (ou lugar) do mundo lê as mudanças do jogo de forma muita singular e, basicamente, o mundial põe isso em xeque.

Nesta primeira semana, algumas equipes como TES, JDG, Suning, DWG e até a DRX em alguns momentos realizaram muitas ações fora do tempo dos objetivos neutros, enquanto as três equipes europeias jogaram de acordo com os dragões, os arautos e o barão. Isso não representa necessariamente algo positivo ou negativo, apenas uma diferença de identidade regional ou preferência de ações.

Na selva, as escolhas de carregadores ainda estão vigentes como no play-in, mas o trabalho dos caçadores no nivel 1-2 para punir e roubar campos dos adversários está funcionando como fator condicional para vitórias, como foi com DWG, Fnatic, DRX, Liquid, etc. É possível que diversos times mudem sua postura e ações neste primeiro instante do jogo para os embates da volta.

Tratando do meta tendo os campeões como ponto de partida, as escolhas com mais presença são Nidalee, Lucian, Renekton, Syndra e Ornn, respectivamente. A prioridade em relação a essas escolhas são tão altas que todas são feitas as cegas na maioria do tempo. Lucian é a mais eficiente delas com 100% de taxa de vitória, mas a menos utilizada com apenas quatro jogos, pois foi banida em outros 18.

Sua opressão na fase de rotas, flexibilidade na build e constantes picos de poder funcionam perfeitamente em um jogo onde há muitas janelas para lutas e a pressão no meio é fundamental para o trabalho do caçador. Ainda assim, mesmo com sua força, alguns times optaram por seu não banimento, principalmente em duelos contra Rogue e Fnatic no primeiro dia.

Apesar da alta taxa de escolhas, Syndra não está se pagando no panorama geral. Com 14 aparições, sua taxa de vitória é baixíssima, totalizando somente 22,5%. Isso se deve a alguns motivos:

1) Como, na maioria das vezes, a campeã é selecionada as cegas nas primeiras rotações do draft, a possibilidade de elaborar um counter-pick ou colocá-la em situação adversa é muito maior, como ocorreu nas derrotas de Fnatic, PSG e Rogue;

2) A sua funcionalidade em lutas é bastante específica, pois, para ter sua melhor execução, precisa estar em composições que têm como ideia o front-to-back;

3) Os assignments da Syndra são bastantes controversos, por conta da sua fragilidade em trabalhar nas side lanes, e isso faz com que ela tenha que dividir experiência com o ADC na rota do meio, distribuindo-se no mapa no 4-1. Sua aparição deverá cair drasticamente nas partidas de volta.

EXPECTATIVA PARA OS JOGOS DE VOLTA

Historicamente falando, a segunda semana das equipes europeias é exponencialmente superior a primeira. Esse fator está relacionado a dois pontos fundamentais: a ótima capacidade das comissões técnicas e a melhor leitura dos adversários coreanos e chineses.

Como a Coreia e a China treinam semanalmente uma contra a outra por conta da proximidade, ambas regiões têm grande entendimento entre si das janelas exploradas por cada time e determinadas peculiaridades e, por não ter essa capacidade, a primeira semana tende a ser mais difícil pro lado ocidental do globo, pois não há esse entendimento. Então, o período de intervalo é muito bem utilizado pelas equipes para preencher as lacunas existentes e se tornarem mais competitivas.

Tendo isso em mente, é bastante plausível imaginar um cenário onde a Rogue consiga tirar jogos de JDG ou de DWG e que consiga se classificar. A situação é pouco provável, mas, ainda assim, possível, principalmente levando em consideração a capacidade que esse elenco tem de se adaptar em um curto período de tempo, foi dessa forma que, inclusive, se recuperou muito bem nos playoffs da liga.

Definitivamente a conjuntura pesa contra, porque dois dos três melhores times do campeonato estão em seu grupo, mas há capacidade coletiva e mecânica para que isso aconteça, só precisam entender melhor as janelas na qual podem trabalhar e arrumar algumas decisões ruins no draft para poderem competir de igual para igual.

Entretanto, a grande expectativa do público estará voltada para os embates entre DWG x JDG e TES x DRX. Na primeira partida entre os integrantes do grupo B, a fase de draft foi fundamental para que os coreanos saíssem com a vitória. A equipe chinesa menosprezou escolhas primordiais do adversário, como Nidalee, Twisted Fate e Camille e não conseguiu respostas a altura.

A execução desse modelo de composição por parte da Damwon beira a perfeição e, além disso, o elenco consegue ser muito versátil ao executar, pois as jogadas não são feitas necessariamente em volta da Camille como é natural pensar, dado que é muito comum ver Showmaker usar o TF pra gerar vantagem sobre o jungler rival juntamente ao Canyon. O pontapé para JDG sair com a vitória é elaborar uma melhor fase de banimentos.

Ainda que o favorito tenha vencido, TES x DRX foi um duelo repleto de nuances e foi decidido nos mínimos detalhes mecânicos e coletivos. Jackeylove foi a grande estrela do confronto que representou o reencontro com Deft, já que os dois se enfrentaram nas quartas de finais do Worlds em 2018, e o chinês se deu melhor e foi decisivo mais uma vez.

O atirador da DRX teve Draven em mãos, campeão que atuou apenas uma vez antes de hoje, e foi absolutamente superado por Jackey, que o dominou na rota e nas lutas. Entretanto, os coreanos fizeram um ótimo trabalho em controlar os objetivos com Pyosik e Chovy e jogaram muito bem a lane phase contra um time que tem o lane dominance como conceito que norteia seu jogo. Um maior equilíbrio nas lutas em equipe e um respeito maior às ameaças da composição adversária é o caminho da vitória para o time da LCK.