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Moscow Five: O time que foi a base do LoL competitivo

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O jeito agressivo e criativo de jogar da Rússia vem encantando os fãs de League of Legends no Mundial 2020, com a Unicorns of Love.

A grata surpresa da UOL e os feitos da Albus Nox Luna em 2016 não são raios que caíram no mesmo lugar: os russos sempre tiveram essas características, desde as origens com a Team Empire, que veio a se tornar Moscow Five, conhecido o time que deu a base para o League of Legends competitivo como conhecemos hoje.

Mais tarde, a Moscow Five foi adquirida pela Gambit Gaming, que manteve os cinco lendários jogadores para as disputas competitivas na Europa.

O ESPN Esports Brasil destrincha cada uma das carreiras dos jogadores da lendária line-up que também encantou os fãs de LoL daquela época; relembre os feitos, algumas jogadas e saiba se eles ainda atuam competitivamente.

O PIONEIRO DARIEN

Darien é, sem dúvidas, um dos maiores nomes da rota superior na história do LoL competitivo. Dentre alguns de seus feitos estão: usar Fiora, Gangplank e Shyvana na rota superior de forma pioneira, popularizar o uso de Renekton competitivamente, introduzir Malphite e Warwick para o cenário competitivo, escolher Lissandra na rota superior (usava-se apenas na rota do meio).

Falando um pouco mais sobre seu Warwick, o jogador chegou a ser alvo de críticas quando começou a introduzi-lo no cenário competitivo. O campeão, àquela época, era considerado completamente fora do meta e os analistas não o consideravam uma boa escolha. Darien provou que estavam errados. Na LCS EU de 2014, fez com que a Supah Hot Crew banisse Warwick contra ele, o que gerou uma reação peculiar da sua parte.

Ao invés de ficar abalado com o banimento, o jogador ergueu os braços no estúdio e sorriu, comemorando que sua maestria com o campeão havia sido reconhecida pelos inimigos. O que gerou uma reação engraçada por parte dos narradores que transmitiam o evento na época. Confira o vídeo:

Uma outra característica de Darien era a sua criatividade em construir os itens. Dos seus momentos mais marcantes, relembramos o Renekton de Morellonomicon contra a Millennium na LCS EU do mesmo ano. O jogador terminou a partida 6/2/14 com o campeão e surpreendeu novamente o mundo com a sua capacidade criativa. Veja no vídeo:

Apesar de todas as novidades, o ano de 2014 foi o último com a line-up original jogando juntos. A Gambit encerrou a primeira etapa da LCS EU daquele ano caindo nas quartas-de-final, contra a Team ROCCAT de Jankos e Vander, quando perdeu por 2-0. Era o fim de uma era.

O jogador se aposentou do League of Legends em meados de 2015.

O INVENTOR DO COUNTER-JUNGLE

É impossível falar de Rússia, Moscow Five, Gambit, ou até mesmo da função de caçador sem passar pelo nome de DiamondProx. Considerado por muitos, inclusive asiáticos, o maior nome da história da posição, o russo é peça central desse elenco recheado de lendas.

O conceito de colocar uma sentinela avançada na selva inimiga para saber o lugar no qual o caçador adversário vai realizar seu gank é, hoje, o principal quando se fala de early game no League of Legends competitivo. O nome que os analistas, técnicos e profissionais do jogo dão a isso é “tracking”, que vem do inglês “rastrear” e foi inventado por DiamondProx. Esse é o tamanho desse jogador. Inventar um conceito que é base de estratégias após nove anos de LoL competitivo. Ele literalmente revolucionou a forma de se jogar na selva.

Além disso, o jogador popularizou alguns campeões na selva que eram pouco utilizados, dentre eles: Udyr de Lâmina de Doran, Evelynn, Karma, Dr. Mundo, Nasus, Volibear e Xin Zhao depois dos nerfs no campeão. Confira alguns melhores momentos de sua conhecidíssima Karma selva, enquanto atuou pela Gambit:

Apesar do passar dos anos e de dez longas temporadas em sua carreira, DiamondProx ainda atua profissionalmente como caçador da Gambit, na LCL (Rússia). O jogador foi vice-campeão da liga na segunda etapa de 2020, perdendo justamente para a Unicorns of Love, representante da região no Mundial.

O desempenho de Diamond foi elogiado durante o ano e ele ainda é considerado um dos melhores na sua região.

SUPER CARRY ALEX ICH

Muitos se encantaram com a forma que o meio campeão mundial de LoL em 2020, Doinb, jogou durante o torneio. Utilizando escolhas como Malphite, com bastante rotação e apenas utilizando a rota do meio para limpar as ondas de minions. Esse estilo de jogo foi criado por Alex Ich, então meio da Moscow Five.

Alex era considerado imprevisível por ter escolhas completamente distintas em cada partida. Antes de DiamondProx e Edward se juntarem à line-up, o meio russo jogava como caçador. Por isso, algumas de suas escolhas para a rota do meio eram resgatadas da selva, como seu Kha'Zix, que acabou se tornando tendência na época, além de sua Evelynn e seu patenteado Master Yi buildando poder de habilidade (que foi nerfado pela Riot Games alguns patchs depois).

Um elo que aproxima Alex Ich de Doinb é o Malphite. Alex foi o pioneiro em utilizá-lo na rota do meio e era uma escolha flexível com Darien (que também gostava do campeão).

Outra surpresa em seu leque de campeões é o Tryndamere (que Genja, atirador do time, pediu para que ele utilizasse pois achava o campeão forte contra a Anivia de Froggen). Quando se fala de Alex Ich, não podemos esquecer de seu Zed, definitivamente um dos responsáveis por popularizar o campeão.

Os fatos mais marcantes da carreira do meio russo são seus pentakills. Desses, o jogador tem dois em específico que estão guardados na memória do fã de Esports, relembre os lances com Kha’Zix (resetando o seu E), pela Gambit e Master Yi AP, ainda pela Moscow Five. Confira:

O jogador se retirou da carreira profissional em meados de 2017. Além de Team Empire, Moscow Five e Gambit, ele ainda teve passagens por NiP, RoX, Team 8, BrawL.NA, Misfits.NA, Team Dragon Knights, Renegades e Team Envy.

GENJA, O SENHOR DO TEMPO

“Genja era o cérebro desse time” costuma dizer DiamondProx sempre que fala sobre o atirador russo. O ‘senhor do tempo’, Genja, era conhecido por criar tendências para os atiradores em sua época; tinha esse apelido por estar sempre à frente do tempo. Foi o inventor do combo entre Renekton topo e Xin Zhao selva, que se tornou bem popular depois.

Do seus maiores feitos, um deles foi ser o primeiro jogador a buildar Manopla dos Glacinatas no Ezreal competitivamente e divide o posto de “criador da build azul” do Ez com o taiwanês Bebe, campeão mundial pela Taipei Assassins. Outro de seus feitos com o mesmo campeão foi a escolha de maximizar o W, o que foi automaticamente nerfado pela Riot Gaming poucos patchs depois.

Além disso, ele era quem montava as composições do time, atuava também como um técnico. Foi o primeiro a usar botas de resistência mágica ou de armadura em detrimento da de velocidade de ataque para atiradores.

Em seu leque de novidades para a posição de atirador está: utilizar Ahri buildando dano físico na rota inferior, utilizar Kennen e Miss Fortune (que viria a ser meta depois) e também Urgot como ADCs.

Além disso, popularizou a construção de Força da Trindade no Kog’Maw e no Lucian (este primeiro foi o campeão que Genja realizou um de seus pentakills, no Mundial de 2013 pela Gambit, contra a Samsung Ozone, confira no vídeo).

Seu Urgot ADC era solo bot, o Alistar era escolhido por Edward (suporte) como um campeão que ficava livre pelo mapa, com a intenção de crescer rapidamente em experiência o seu campeão. Recentemente, a Unicorns Of Love utilizou a Orianna também solo bot, no Mundial 2020, com Nautilus circulando pelo mapa.

Outro campeão que sofreu um nerf pesado da Riot após Genja populariza-lo foi o Corki. Genja também foi o pioneiro em construir três Lâminas de Doran para um início de jogo mais forte.

O jogador se aposentou, junto com Darien, em meados de 2015.

O “BAD BOY” EDWARD

Outra forte liderança desse time repleto de personalidades fortes, Edward era o suporte da equipe e tinha um nickname diferente quando se juntou à Moscow Five: GoSu Pepper. Dos cinco jogadores era o único que não era russo. Nascido na Armênia, o jogador ficou conhecido também por algumas escolhas e opiniões impopulares.

Em entrevista ao Place2Play, site russo, Edward chama Sona de “o suporte perfeito”. Isso porque ele considera a campeã a mais completa da posição em seu kit, pois tem dano, cura, buffs de velocidade e controle de grupo.

Sua Sona era realmente de impressionar, o jogador foi responsável por grandes atuações com a personagem e foi um dos fatores de tê-la tornado mais conhecida competitivamente. Além dela, não dá pra não lembrar de seu Nunu suporte, que protagonizou a maior jogada de sua carreira enquanto ainda atuava pela Team Empire, contra a SK Gaming.

Além de opiniões e escolhas fortes dentro do Rift, Edward tinha um comportamento mais forte fora dele também. Durante o início de sua carreira, era conhecido por provocar demais os seus oponentes antes, durante e depois dos jogos; mas esse comportamento foi mudando ao longo do tempo e ele foi se tornando mais amigável.

Quando Thresh foi lançado, Edward foi uma das principais referências como o campeão e recebia o título de “o príncipe do Thresh” pela sua habilidade com o campeão. Desde então, ainda é o seu personagem favorito no LoL. Outra característica do jogador era de roubar os abates de seu atirador, o que de certa forma irritava Genja (que confessou depois que, não ironicamente, inventou o Urgot solo bot para se livrar do companheiro na rota).

Edward ainda foi pioneiro em usar Amumu e Kennen suportes em partidas competitivas.

O suporte armeno ainda atua profissionalmente, mas está livre no mercado após deixar a Mkers, time que atua na principal liga regional da Itália, ao final da segunda etapa de 2020.

Edward ainda provocou os fãs brasileiros nas redes sociais, indicando uma possível vinda ao Brasil e interagindo com o atirador brTT pelo Twitter, mas os rumores não se confirmaram.

GRANDE LEGADO SEM UM MUNDIAL

Apesar de toda a história e de carregar o legado de ser a line-up que mais impactou o League of Legends competitivamente, os cinco jogadores não conseguiram ser campeões de um título como a LCS EU ou o Mundial, que são os mais relevantes para os dias de hoje.

Os lendários venceram as finais regionais da Europa em 2012, quando se classificaram para o Mundial que ocorreria no mesmo ano.

No Mundial de 2012, a Moscow Five parou na semifinal para a Taipei Assassins que viria ser a campeã do torneio, por 2-1. Já no ano seguinte, os lendários foram eliminados - agora como Gambit - nas quartas-de-final contra os sul-coreanos da Najin Sword Black pelo mesmo placar.

Também foram campeões do intercontinental da IEM Season 6, que contou com regiões como China e América do Norte e tinha a então campeã mundial Fnatic de xPeke e a vice AAA, de soaZ. No entanto, o torneio não é considerado pela Riot Games como um campeonato mundial. Além dessa conquista, tiveram outras enquanto o League of Legends era um circuito aberto e não tinham ligas definidas, como: IEM Season 6 Kiev, Absolute Arena e Dreamhack.

O legado desta line-up sempre será impagável para a comunidade de LoL. O primeiro respiro de competitividade da modalidade veio nas mãos desses cinco rapazes, que construíram uma linda história, imortalizada nos dias de hoje.