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Worlds: MAD Lions ligou o sinal de alerta para a Europa no Mundial

A MAD Lions deu adeus ao Mundial de League of Legends após a derrota contra a SuperMassive (Turquia) por 3-2. Apesar de chegar como favorita para o grupo, a derrota no confronto era esperada, de certa forma, pela péssima atuação da equipe no torneio, que teve que jogar o desempate pelo último lugar contra os brasileiros da INTZ.

O ESPN Esports Brasil traz uma análise que indica que a MAD pode não ser um caso isolado da Europa para o Mundial e explica um pouco sobre como a região tratou o meta da selva nessa temporada, bem diferente das principais ligas.

Depois de uma fase regular dominante na segunda etapa da LEC, a MAD Lions criou altas expectativas para os playoffs da liga, que não foram correspondidas. Isso porque times como Rogue e Fnatic fizeram uma adaptação à mudança do meta na selva e surpreenderam times como G2 e MAD.

Para a loser bracket, a G2 deu a volta por cima e conseguiu superar a Rogue (mesmo que num quinto jogo que estava, até certo ponto, controlado pela equipe de Larssen e acabou com o baixo desempenho de Hans Sama nas fases decisivas do jogo). Nas finais, Caps foi soberbo e, com grande atuação de Wunder, a G2 aplicou 3-0 na grande rival Fnatic.

A REGIÃO QUE IGNOROU NIDALEE

Durante todas as segundas etapas das principais ligas, com exceção da LEC, Nidalee teve altíssima prioridade na escolha dos times. Na liga europeia, não houve nenhuma escolha de Nidalee na fase regular e apenas Shad0w (MAD Lions) escolheu a campeã uma vez nos playoffs - e perdeu o jogo.

Em comparação com o playoff da LPL (China), por exemplo, a presença de Nida foi de 90% (6 escolhas e 21 banimentos, com 67% de taxa de vitória); na temporada regular, a porcentagem cai para 64% (125 escolhas e 121 banimentos, com 50% de taxa de vitória).

Sem dúvidas, os chineses são os maiores amantes da Nidalee. Entretanto, ela teve a segunda maior presença de um caçador nos playoffs da LCK (Coreia do Sul) também, atrás apenas da Lillia. Nida teve 64% (6 escolhas e 3 banimentos) de presença contra 79% (6 escolhas e 5 banimentos) da Lillia. Ambas as campeãs tiveram 33% de taxa de vitória. Na fase regular, a presença cai para 43% (46 escolhas e 43 banimentos), mas a taxa de vitória sobe para 61%.

Os norte-americanos também deixam a sua marca com a campeã. Nos playoffs da LCS, foi a quarta caçadora com mais prioridade, com 50% de presença (7 escolhas e 16 banimentos, com taxa de vitória de 57%). Na temporada regular, o número cai drasticamente para 26% (12 escolhas e 12 banimentos, com 33% de taxa de vitória), mas nada comparado a escolhê-la nenhuma vez, como fizeram os europeus na LEC.

ROGUE E FNATIC MASTERIZARAM EVELYNN E HECARIM

Os dois pontos fora da curva, Rogue e Fnatic, que podem ser os melhores times da Europa nesse Mundial (ainda que seja polêmico falar isso de uma região que tem a G2), fizeram uma adaptação da mudança do meta para os playoffs da LEC. Isso, inclusive, fez a Rogue atropelar a MAD Lions por 3-0. Inspired surpreendeu a equipe espanhola com Hecarim e Evelynn e teve impiedosas atuações, já mostrando um ritmo diferente do anterior do padrão da liga na selva.

Já Selfmade (Fnatic) foi beneficiado pelo buff que a Riot Games deu à Evelynn nos patchs finais dos campeonato. Como já tinha a campeã em seu leque, foi fácil para ele ser soberbo com a campeã contra a própria Rogue, o que fez com que a G2 a banisse em 7 das 8 partidas que eles se enfrentaram na sequência do campeonato. Para substituí-la, o caçador polonês tentou utilizar Hecarim e Gragas.

Apesar da boa leitura com a aparição de Evelynn, a alta prioridade em Hecarim é outro caso de pizza sem queijo: só se vê na Europa. Foi o campeão com mais prioridade nos playoffs da liga, com sonoros 90% de presença (12 escolhas e 15 banimentos), enquanto nas outras majors a LCK teve 29%, a LCS 21% e a LPL 0%.

O choque de realidade ficou bem claro no confronto entre Liquid e MAD Lions, no Mundial 2020, no qual a equipe norte-americana passou por cima da europeia, numa atuação pífia da Evelynn de Shad0w.

ALTA PRIORIDADE EM CAMPEÕES ULTRAPASSADOS

O que assusta é que a MAD Lions claramente tentou, nesse Play-in, forçar uma adaptação, muito provavelmente por conta de resultados ruins em treinamentos contra equipes de fora. Logo nas primeiras partidas, tentou usar Evelynn e não encaixou a campeã bem. Depois, tentou usar Nidalee e também não obtiveram sucesso.

É óbvio que todo Mundial traz choque de metas de regiões diferentes, e a região que melhor lê o patch acaba saindo na frente. Foi o que aconteceu com a atual campeã FunPlus Phoenix em 2019, que trouxe campeões de utilidade na rota do meio e outras regiões não conseguiram responder a isso.

Isso pode ser o início de um tendência para a Europa. A região deu prioridade fora da realidade com relação às outras nos playoffs de sua liga em Sett selva (12 escolhas) e Sejuani (27% de presença). Apesar da fase avassaladora de Caps, se existir um confronto no qual o meio adversário seja páreo para o dinamarquês, a diferença de leitura do patch pode ser fator decisivo para a equipe da G2 ser surpreendida antes da hora.

Além disso, apesar da adaptação da Fnatic em trazer Evelynn, a equipe não mostrou ter resposta consistente quando o campeão é banido. Em comparação com a LCK e LPL que têm escolhas como Kindred e Lillia para a adaptação, esse pode ser um fator que irá surpreender a equipe de Rekkles.

O QUE ESPERAR?

A fase de grupos do Mundial começa no próximo sábado (3) e revelará se a MAD Lions apenas foi um ponto fora da curva, ou se a Europa leu o patch de forma equivocada com relação às outras regiões (ponto que vinha sendo debatidos pela maioria dos analistas durante a temporada).

O confronto que abre o evento é entre a campeã chinesa Top Esports contra a vice norte-americana FlyQuest, às 5h da manhã (de Brasília). Nesse mesmo dia, a Europa estreia na fase contra uma equipe a ser definida pela fase de entrada, às 7h.

A cobertura do Mundial de League of Legends é feita diariamente pelo ESPN Esports Brasil e o evento é transmitido nos canais oficiais da Riot Games.