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Worlds: A trajetória da Rainbow7 para se tornar o orgulho dos latinos

Em meio à decepção com a campanha do Brasil, há de se reconhecer que um time latinoamericano pôde nos dar orgulho no Mundial 2020: a Rainbow7.

Os mexicanos da R7 venceram a LGD Gaming no sábado (26) e a Unicorns of Love no domingo (27) e se classificaram para a série melhor de cinco após começar o torneio com duas derrotas. O Arco-Íris latino impediu a campanha perfeita da UOL em uma vitória maiúscula contra os favoritos.

A G2 latina

A mudança criou altas expectativas para a segunda etapa de 2020, visto que Leza era o principal jogador do time, até então, e o mexicano experimentaria uma nova posição.

A equipe, àquela altura, apresentou suas mudanças inspirada na equipe espanhola: “introduzimos a G2 latina”, que também mandou Perkz, então meio, para a rota inferior.

Apesar de toda a animação com as mudanças, o início da trajetória não foi dos melhores e parecia que a etapa seria mais uma de dominação absoluta dos chilenos da All Knights. No entanto, o time conseguiu chegar às finais após bater a tradicional Isurus e fizeram valer a camisa da antiga Lyon Gaming quando enfrentaram o time de Jisu na decisão.

Virada impressionante na final

A final da LLA começou com duas vitórias da AK e tudo parecia se encaminhar para um 3x0 impiedoso e um bicampeonato para os Cavaleiros, até que veio a magia da Rainbow7: uma virada histórica construída nas mãos de Shadow e Josedeodo.

O suporte argentino encantou os latinos com seu Bardo, Shen e Nautilus e foi o jogador mais valioso das finais. Já o caçador, compatriota de Shadow, mostrou sua Lillia afiada para garantir uma das reviravoltas mais históricas do LATAM. No final das contas, a Rainbow7 conseguiu fazer a virada no placar e garantiu sua presença no Mundial de League of Legends para representar a América Latina, além de seu décimo primeiro título de liga.

Primeiro baque no Mundial

Com altas expectativas, a R7 decepcionou seus fãs no início da competição. Após derrotas para PSG Talon (Pacífico) e V3 (Japão), o time teria que jogar a vida contra os chineses da LGD, até então favoritos para levarem o grupo.

Mesmo com a derrota para o PSG, a R7 mostrou um early game cheio de rotações para a rota inferior e com muita participação de Aloned, mas falhou na execução das jogadas e foi punido por um efeito bola de neve do time de Hong Kong.

Já contra os japoneses da V3, um apagão total do time. Irreconhecível, a R7 foi massacrada por Bugi e companhia, num jogo completamente controlado e unilateral, com atuações abaixo do normal de Acce e Shadow. O único destaque positivo desses dois primeiros tropeços do Arco-Íris latinoamericano foi o seu caçador, Josedeodo, que manteve um nível aceitável.

A reviravolta

E foi nas mãos dele que começou a volta por cima do time mexicano. Josedeodo jogou a vida contra um dos caçadores mais valorizados do mundo, Peanut, e não fez feio contra o principal campeão do jogador (Lee Sin). Com sua Nidalee, abriu grande vantagem de campos à frente do sul-coreano e conduziu a R7 à vitória histórica sobre a LGD Gaming. Outro destaque deste feito foi, sem dúvidas, Aloned, que com sua Orianna foi muito decisivo nas lutas que reverteram o prejuízo de ouro para os latinos.

Mas a tarefa da R7 não parou por aí: os mexicanos ainda estavam com uma vitória e duas derrotas no grupo e foram para a última partida contra a invicta Unicorns of Love (Rússia) que arrasou seus adversários no segundo dia do evento. Numa impiedosa atuação de Shadow (Alistar) e Josedeodo (Evelynn), os latinos deram orgulho para sua região e colocaram mais de 10 mil de ouro à frente dos russos, feito que os levaram à vitória após uma luta em desvantagem no barão, aos 27 minutos de jogo.

Muitos brincaram que esse era o “buff” de estar 0/2 da Rainbow7, brincando com o feito construído contra a All Knights na final da LLA.

Antiga história, novo capítulo

Essa não foi a primeira vez que um time latino fez história contra os chineses no torneio mais importante de League of Legends. Em 2018, a Infinity (Costa Rica) precisava vencer a EDward Gaming para se manter viva e jogar a melhor de cinco para se classificar à fase de grupos — e conseguiram.

Numa atuação magistral de Cotopaco (Irelia) e do então novato Renyu (Xayah), os costarriquenhos levaram a melhor e foram para a MD5 contra a G2 na ocasião, na qual perderam por 3-1 após vencer o primeiro jogo da série.

O próximo passo

A Rainbow7 enfrentará a LGD Gaming, que foi superada pelos latinos na fase regular, agora numa série melhor de cinco. Os mexicanos mantém o sonho vivo de um latino de poder jogar a fase de grupos do Mundial e agora conta com a torcida de todos que adoram ver um time subestimado alcançar alguma glória. Se vencer a MD5, a R7 espera o segundo colocado do grupo A (que tem os brasileiros da INTZ).

As decisões do grupo A serão na segunda (28). O último jogo regular da INTZ será contra a Team Liquid (América do Norte) às 7h da manhã (de Brasília).

O Mundial de League of Legends é transmitido nos canais oficiais da Riot Games.