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INTZ no Mundial: Entenda como jogam os times do Grupo A da Fase de Entrada

Nesta sexta-feira (25), inicia-se a fase de entrada do Campeonato Mundial de League of Legends. Sem dúvida este é o momento mais esperado do ano para os fãs do título, pois, daqui a um mês e alguns dias, será decidido na grande final do torneio quem é a melhor equipe do mundo. Para nós, brasileiros, chegar a esse patamar é algo improvável, mas ainda sonhamos em repetir algumas boas campanhas do passado, principalmente após a reunião de fracassos acumulados nos últimos anos.

Por conta de problemas relacionados a pandemia de COVID-19, o Vietnam não poderá participar do campeonato e isso fez com que a Riot repensasse o regulamento. Dessa forma, a fase de entrada do mundial contará com dois grupos com cinco times ao invés de quatro grupos com três times cada como era anteriormente. As melhores de cinco acontecerão entre o terceiro e o quarto lugar do mesmo grupo e, posteriormente, o vencedor dessa série enfrentará o segundo lugar do outro grupo. O primeiro lugar de cada grupo se classifica diretamente para a fase principal.

O representante brasileiro caiu no Grupo A com MAD Lions, Team Liquid, Legacy e Papara Supermassive. O jogo de estreia do mundial será protagonizado pela INTZ contra a europeia MAD Lions.

Conheça melhor os adversários do grupo do Brasil na Fase de Entrada:

Legacy - OPL

A equipe oriunda da Oceanic Pro League chega ao mundial após ter dominado a liga do início ao fim nessa segunda etapa. Com a incrível marca de 17 vitórias e 4 derrotas na fase regular, a Legacy perdeu apenas 6 partidas únicas das 29 disputadas no campeonato. Apesar dos ótimos números, entretanto, o contexto competitivo da OPL não é o melhor possível, pois, nos dois últimos anos, a região perdeu muitos de seus principais talentos para América do Norte, como FBI, Ryoma e Triple, e, por conta disso, passa por uma pequena reconstrução.

Ainda assim, o esquadrão formado por Topoon, Babip, Tally, Raes e Isles apresenta boas perfomances dentro do Rift. Individualmente falando, Isles é o jogador que mais chama atenção no plantel, principalmente por ser novato. O suporte australiano é muito dominante e impactante na fase de rotas com suas escolhas de magos, como Lux, Soraka e Bardo, além disso sua importância nas lutas em equipe é ímpar, pois grande parte do destaque de Raes (atirador) nesse momento do jogo passa pelas mãos do seu companheiro de rota e seu trabalho de proteção para habilitá-lo nas lutas.

Contudo, a pouca consistência de Tally (meio) em realizar a função de ser um carregador confiável pode comprometer a campanha da Legacy em fase internacional. Analisando o último recorte do meta deixado pela parte final das ligas regionais, o impacto da dupla de caçador e rota do meio foi gigantesca para que equipes se consagrassem campeãs ou apresentassem bons desempenhos, como é o caso de G2 Esports ou de Damwon Gaming. Todavia, sua função dentro do time é absorver pressão, trabalhar com escolhas que possibilitem a criação de jogadas nas rotas laterais e ser uma válvula de escape em drafts para que Topoon trabalhe com o match-up a favor no lado vermelho.

No contexto coletivo, a equipe tem preferência pelas duas rotas laterais no momento de criar jogadas. No lado vermelho, geralmente com o counter pick a favor de Topoon, o strong side é a região superior do mapa, onde Babip e seu companheiro realizam dives para punir o adversário de rota. No lado azul, a Legacy elabora ações de forma mais equilibrada no mapa, devido a dificuldade de gerar um match-up confortável para rota superior no draft. Uma constante em seus jogos é a prioridade do Arauto em detetrimento dos primeiros dragões, pois, para Raes e companhia, ter o controle do tempo das ações em Summoners Rift é um recurso mais importante que os status providos pelos dragões iniciais.

PAPARA SUPERMASSIVE - TCL

Após o fracasso na primeira etapa, a organização turca passou por um processo de reformulação em seu plantel, onde Stomaged e Japone foram trocados por Kakao e Snowflower - em sua segunda passagem pela Turquia. Em teoria, a Supermassive tinha em mãos o time dos sonhos, entretanto a expectativa criada ao redor desse elenco demorou a ser correspondida. A equipe liderada por Zeitnot concluiu a fase regular com apenas 11 vitórias e 7 derrotas, na terceira posição, atrás de Istambul Wildcats e Galakticos. Seu desabrochar veio nos playoffs ao desbancar a 5Ronin na final e se sagrar campeã, mas, antes disso, venceu a Besiktas por 3-1 e Galakticos por 3-0.

Definitivamente a dupla da rota inferior formada por Zeitnot (atirador) e Snowflower (suporte) é o principal destaque individual desse time. O suporte coreano é uma engrenagem extremamente importante no funcionamento coletivo, pois sua característica de playmaker é imprescindível para realizar ações no mapa, que, na maioria do tempo, funciona como ferramenta de engage primário para encontrar lutas em equipe ou skrimishes. Além disso, sua qualidade como criador de jogadas completa perfeitamente seu companheiro na fase de rotas, na qual conseguem ser extremamente dominantes e gerar grandes vantagens sobre seus adversários.

No entanto, o desempenho demonstrado por Kakao (jungler) e Bolulu (meio) em muitos momentos da final gera um ponto de interrogação acerca das ambições da Supermassive neste play-in. A tendência do mid laner é optar por escolhas que deixe-o em situações de conforto para que possa absorver pressão e, no futuro, se destacar em teamfights, enquanto seu caçador procura espaço em outros locais do mapa para criar jogadas ou punir seu rival de posição. Quando a condição de vitória da equipe girou em torno da rota do meio, especificamente do trabalho de 2v2 selva e meio, a equipe fraquejou e saiu derrotada sem conseguir achar muitas janelas dentro da partida.

Por conta dos atributos dos jogadores que compõem a equipe, é muito comum que os drafts funcionem em torno de estratégias de siege e longo alcance, como, por exemplo, Caitlyn, Zoe e Nidalee ou Jinx e Orianna. Apesar da grande versatilidade, Armut funciona como lado fraco no mapa para que Zeitnot e Snowflower tenham maior proximidade de Kakao e consigam dominar a rota e a parte inferior do rio. Esse controle se reflete no alto número de objetivos neutros, pois, além do dragão, a equipe consegue controlar o Arauto de forma extremamente satisfatória, devido a boa capacidade da dupla de se movimentar pelo mapa e realizar inversões para ter vantagem numérica nos objetivos.

MAD LIONS - LEC

Numa fase regular bastante conturbada e disputada de LEC, a organização espanhola brigou até a última partida da liga pelo primeiro lugar contra Rogue, com o placar de 12 vitórias e 6 derrotas. Mas nos playoffs, não conseguiu repetir o sucesso da primeira etapa quando venceu a G2 Esports por 3-2 e garantiu a terceira posição; nesse split, terminou apenas em quarto após ser derrotada pela Rogue por 3-0, mas antes perdeu para G2, por 3-1, e venceu o Shcalke, por 3-0, respectivamente.

Mesmo não tendo resultados que correspondessem a expectativa após a ótima apresentação no regular, a MAD Lions é mecanicamente muito completa em todas as posições e extremamente competitiva no aspecto coletivo. A mentalidade que permeia os jogadores que compõem a equipe é de agressividade e de sempre buscar ações no Rift, e o desempenho de Shadow (caçador) e de Kaiser (suporte) ao decorrer do ano sintetiza isso. O suporte alemão é, talvez, a maior revelação da posição na história da Europa e, definitivamente, um dos melhores do mundial. O caçador ítalo-chinês é ótimo em encontrar janelas e punir adversários fora de posição, principalmente com Lee Sin em mãos.

Ainda assim, é necessário ter calma ao analisar o elenco, principalmente em fase internacional, pois quatro de seus cinco jogadores estão no primeiro ano como profissional na elite do League of Legends europeu. Humanoid (meio), o mais experiente dos cinco, precisou se habituar e se adaptar a função de liderar quatro novatos e, por conta disso, em muitos momentos na primeira etapa, a equipe - e ele - oscilou bastante em relação a desempenho. Na segunda metade da temporada, mais amadurecidos, conseguiram encontrar a consistência e se tornaram mais competitivos, mas, nos playoffs, sofreram com uma queda de performance e uma série de tomadas de decisão ruins em momentos decisivos.

Um dos principais méritos dos Leões no segundo semestre foi a grande inteligência da comissão técnica ao interpretar e achar soluções no meta. Quando Varus era uma escolha com 100% de presença na liga - e ao redor do mundo -, a MAD foi o único time que elaborou drafts e estratégias para punir o campeão, a ponto de virar tendência em outras ligas, como na LCK, por exemplo. No mata-mata, optou pela alta prioridade em Akali, como primeira escolha algumas vezes, para punir Orianna, que era o campeão mais forte do 10.16 até aquele instante. Além disso, Carzzy e companhia são mortais em lutas 5v5 e skirmishes: desde achar a melhor janela pra iniciar até como se estruturar para luta, seja em bloco, flanco ou explodindo a backline adversária.

INTZ - CBLoL

Diferentemente de anos anteriores onde venceu o CBLoL - ou chegou a final - após fases de pontos ruins e repleta de altos e baixos, nesta etapa a INTZ foi extremamente consistente desde o início do campeonato e venceu sendo a melhor equipe indubitavelmente. Entretanto, pelo desempenho e pelos diversos erros de gerenciamento apresentados no primeiro split, o título era um resultado inimaginável por grande parte do público até então. Comandado por Maestro, o esquadrão terminou a etapa regular em segundo, com 12 vitórias e 9 derrotas e, nos playoffs, venceu a Kabum por, 3x2, e a paiN na grande final, por 3x1, assim habilitando-se para representar o Brasil no Mundial.

Na parte individual, uma das principais armas dessa equipe é a champion pool de seus solo laners, Tay e Envy. A vasta quantidade de campeões que os dois podem utilizar é uma ferramenta que faz o plantel ser superior aos seus adversários em momentos de draft. Além do mais, cria uma maior facilidade para se adaptar a metas distintos e se adequar a estratégias e rivais de diferentes regiões ou playstyles. Em competições internacionais, esse pode ser um grande trunfo, principalmente após a mudança de formato do play-in, onde, possivelmente, os brasileiros poderão jogar duas melhores de cinco.

Em contrapartida, Shini pode apresentar certa dificuldade em se encaixar no patch do mundial, no qual se imagina que a selva será voltada para escolhas de carregadores que acumulam recursos para si, e não para campeões que criam para suas rotas, fator conflitante com sua característica e champion pool. Fugindo um pouco do aspecto relacionado a escolha de campeões e meta, é muito comum ver MicaO em grande desvantagem se comparado ao atirador inimigo em situações de contestação de Arauto ou de lane assignment, o que pode gerar uma janela de ação para os outros times do grupo o punirem, sobretudo a Supermassive.

Apesar de ter administrado bem esse momento nos playoffs, o early game não é o período do jogo que a INTZ tem como destaque. Sua melhor qualidade está presente no mid game e o quão bem o elenco tem os conceitos do jogo assimilados, seja controle de wave, trabalho de side lane, controle de visão ou configuração de jogadas, todos pontos muito fortes que fazem vantagens adquiridas nos minutos iniciais por oponentes serem demolidas por Envy e companhia. Além disso, as lutas em equipe são executadas em ótimo nível, especialmente quando tem em mãos campeões, como Orianna e Sett, Gragas e Bardo ou até Zac que foi utilizado por Shini na fase regular.

Team Liquid - LCS

Depois de passar por sérios problemas e por mudanças de line-up ao fim do primeiro split, a Team Liquid dominou por completo a fase regular da segunda etapa da LCS, perdendo apenas 3 de 18 jogos disputados. Entretanto, nos playoffs, após vencer a Golden Guardians, por 3x0, sofreu duas derrotas em sequência, uma para Flyquest na final da chave dos vencedores, por 3x2, outra para TSM na final da chave dos perdedores, também por 3x2. Dessa forma, a equipe liderada por Jatt (coach) amargou um terceiro lugar aquém das expectativas apresentadas ao passar dos dezoito jogos.

Mesmo que a América do Norte passe por grandes dificuldades para revelar e, por conta disso, tenha ido atrás de novos jogadores na OPL, o grande destaque dessa Liquid é a dupla formada pelo americano sensação da etapa Tactical e o suporte CoreJJ. Novato e na sombra de um dos maiores jogadores da história da região, Doublelift, o atirador não sentiu a mínima pressão em subsituir seu antecessor e jogou como gente grande neste segundo semestre. Foi extremamente decisivo em inúmeras lutas em equipe e, juntamente a CoreJJ, foi o principal responsável pela belíssima campanha da equipe no regular.

Todavia, a passagem do caçador Broxah na equipe é bastante conturbada apesar do bom resultado no segundo split. Na primeira parte do ano, o dinarmaquês sofreu com problemas de visto e não pôde jogar por, pelo menos, quatro semanas. Agora, a dúvida presente é em relação ao seu desempenho, pois, quando foi contratado, esperava-se o mesmo jungler que atuou em altíssimo nível na Fnatic para que a organização pudesse dar o salto internacional que tanto ambiciou, mas o recebido até então foi um jogador com bastante dificuldades para se adaptar a um conceito de selva mais voltada para a realização dos campos e extremamente dependente de escolhas específicas para desempenhar em alto nível.

Em relação a estilo de jogo e organização coletiva, a Team Liquid tem como lado forte do mapa a porção inferior e busca gerar vantagem e criar jogadas por essa região. Por conta disso, é muito comum ver os americanos forçando lutas pelo controle do rio nos minutos iniciais de partida, principalmente por conta de CoreJJ e sua habilidade de se movimentar pelo Rift. Aliado a essa intenção de sempre ter o controle do rio, o suporte recebe a preferência para escolher seus match-ups no momento dos drafts para que, assim, possa desequilibrar a rota e garantir prioridade para que a dupla, com Tactical, consiga sair da rota inferior primeiramente que seus adversários e, dessa forma, criar vantagem numérica no instante da jogada.

*Em colaboração para o ESPN Esports Brasil.