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B4: O time que nasceu como um grupo de amigos e virou uma nação nos esports

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O torcedor do Rubro-Negro está feliz por ter mais uma categoria para torcer. Além do futebol, das regatas, do basquete e League of Legends, o Flamengo finalmente entrou na maior categoria do esporte eletrônico: o Free Fire.

Em meados de agosto foi anunciado que o Flamego entraria na disputa da Liga Brasileira de Free Fire e desde então vem disputando a liderança da tabela no campeonato. O Flamengo é o quarto time de futebol a entrar na Série A ao lado de Corinthians, Cruzeiro e Santos, mas sua chegada na categoria foi concretizada com a união de uma das principais equipes de destaque: a B4.

A equipe nasceu como um grupo de jogadores muito competitivos que queriam se destacar nos servidores de Free Fire e, segundo Antonio Cardoso, um dos criadores da B4, esse é um grande diferencial da equipe.

“Acho que a gente tem uma história um pouco diferente da maioria dos times porque a gente não surgiu como um time de esports, nascemos como uma guilda, a Bastardos. A gente criou a guilda só pra reunir os amigos e jogar – e puramente isso” disse o empresário em entrevista exclusiva para o ESPN Esports Brasil.

“A gente sempre teve uma pegada em ser muito competitivo. Aí começamos a nos reunir e trazendo uma galera boa para dentro da guilda e começamos a ganhar campeonatos. Até que a gente venceu uma Liga das Estrelas e foi aí quando a gente explodiu no cenário de Free Fire”.

Com quase dois anos de existência, a B4 saiu de uma guilda de amigos para se tornar uma das principais equipes do cenário competitivo do game mobile. “Até então a gente não tinha CNPJ, não tinha sociedade, não tinha nada. Éramos apenas um grupo de amigos que curtia muito Free Fire. E quando a gente estourou a gente tinha mais de 400 mil [seguidores] no Instagram e foi aí que a gente decidiu se profissionalizar. Em 2019 a gente criou a B4 para ser um time de esports a partir do Free Fire e desde então a gente vem se desenvolvendo”.

A parceria entre Flamengo e B4 envolve apenas a equipe de Free Fire, porém a equipe acabou esticando os braços para outras categorias “A gente já passou pelo Fortnite (mas a gente não está mais), temos um time de PUBG Mobile e somos um dos melhores times da América Latina – o segundo melhor hoje no Brasil. Também temos um time de Brawl Stars, onde a gente também é bem qualificado no ranking latino americano”, diz Antônio.

O empresário fala com orgulho que “Hoje segundo o Esports Charts, a gente é o quinto maior time do Brasil em redes sociais” e reforça sempre que isso se deve à organização que o grupo teve desde sua formação.

“Eu acho que nosso segredo foi ser sempre bastante organizado e competitivo” pondera Antônio. “Você pegava nosso servidor do Discord e notava que era absurdamente organizado, com função para jogadores, tarefa pra cada um, com agenda, etc. Isso ajudou a gente ter uma vantagem competitiva em frente aos outros clãs lá no início. E quando você ganha um ou outro [campeonato], os outros jogadores querem jogar com você. E a B4 acabou se posicionando dessa forma no Free Fire desde o início”.

Os números da B4 nas redes sociais são realmente impactantes para uma equipe que tem apenas dois anos de fundação. Atualmente a equipe possui 1,8 milhões de seguidores no Instagram e 61 mil seguidores no Twitch.

“Muita gente me pergunta: ‘como é que vocês conseguiram fazer para chegar a tantos seguidores’. E eu acho que isso para gente é a parte fácil porque isso sempre foi orgânico pra gente. O difícil foi se estruturar para bater de frente com times que têm 10, 11 e até mais anos”, conta o empresário.

Para ele, o principal obstáculo foi transformar a guilda da B4 em um time profissional nos esports. “O maior desafio foi quando a gente parou de sentar com caras que são só amigos e passamos a sentar com caras que são atletas profissionais”, conta. “Você tem que fazer um negócio que é bom para todo mundo. Eu acho que isso foi a grande mudança que a gente teve que fazer no final de 2019 para 2020, que foi quando o Free Fire explodiu”.

Antônio diz que vislumbrava o cenário competitivo, que existia um potencial inato na comunidade de Free Fire com os esports “A gente sabia que existia uma oportunidade aí, mas nunca foi tangível pra gente. Nunca fomos do LoL, do CS a ponto de ser tão profissional. Mas aí o Free Fire teve uma explosão muito rápida e acabou se tornando o jogo mais jogado do país”.

Segundo ele “A grande graça dos esports são as comunidades que estão dentro [desse universo]. Quando um cara vai jogar CS, Fortinite ou Free Fire, ele não está ali só pra jogar. Ele está ali para fazer parte de uma comunidade”.

A CHEGADA DO FLAMENGO

Antes do Rubro-Negro bater às portas da B4, é importante lembrar a escalada da B4 no cenário competitivo. A B4 foi a terceira guilda brasileira a ser lançada no Free Fire, de acordo com os membros da equipe, em maio de 2018. De lá pra cá eles acumularam cinco títulos na NFA.

Porém na estreia da LBFF o time não desempenhou bem e terminou em 9º lugar em 5º colocado na C.O.P.A. Free Fire. Já vestindo o manto rubro-negro o Flamengo B4 atualmente ocupa o 3º lugar na tabela de pontos.

Segundo Antônio, as negociações com o Fla Esports começaram no início do ano, pouco depois da Simplicity Esports se tornar a coordenadora da marca nos esports. “O Fla me procurou através de um amigo em comum, o Fred Tannure me procurou justamente porque a ideia deles era fazer uma parceria com que estava dentro [do cenário de Free Fire] para poder ajudar a entrar da melhor forma”.

“E quando ele me procurou disse ‘Eu acho que Free Fire tem tudo a ver com o Flamengo e a gente quer entrar’. E a gente chegou em um denominador comum de como levar o Free Fire para essa galera acompanhar”, conta o empresário.

Antônio nasceu em Niterói e diz que sempre foi flamenguista. Ele diz que depois que foi anunciada a parceria entre B4 e o Flamengo, muitos torcedores foram conferir se ele era realmente Rubro-Negro “E é engraçado que a torcida toda foi ver no meu perfil nas redes sociais e viu que a gente era realmente flamenguista”.

A verdade é que o Flamengo estava sendo muito cobrado para participar do cenário competitivo de Free Fire. Não foram raros os momentos em que a torcida corria para as redes sociais do FlaEsports pedindo por um time no jogo mobile. E para Antônio diz que “O Flamengo é perfeito para o Free Fire, assim como o Corinthians também. Porque esses são os times do povo e o Free Fire é o jogo do povo”.

"Flamengo é perfeito para o Free Fire, assim como o Corinthians também. Porque esses são os times do povo e o Free Fire é o jogo do povo" Antônio Cardoso, CEO da B4 Esports

Flamengo é perfeito para o Free Fire, assim como o Corinthians também. Porque esses são os times do povo e o Free Fire é o jogo do povo – Antônio Cardoso, CEO da B4 Esports

Por ser flamenguista, Antônio diz que a chegada do Flamengo trouxe uma grande responsabilidade, porém, sabe que a organização estava preparada para aceitar o desafio. “Quando eles entraram já tava tudo na caixinha, desde a contabilidade toda certinha, até todo mundo com contrato assinado, redes sociais bombando... A gente sabe que com o Flamengo o peso é outro, a gente já sente isso”, conta.

JOGO DO POVO

Apesar de tudo isso, Antônio acredita que a B4 ainda tem muito o que crescer. “Acho que nossa maior luta é nos mantermos como uma comunidade. A guilda é forte até hoje e sempre estamos tentando aumentar a estrutura”.

Ele diz que se orgulha de sua origem e quer manter essa chama acesa na organização “Apesar de a gente ser hoje uma org de esports, a gente tenta manter nossa essência como comunidade porque foi essa comunidade que trouxe a gente até aqui. A gente quer manter essa comunidade e levá-la para novos caminhos. A nossa essência é ser uma comunidade de jogadores e a gente quer manter isso e até hoje a gente vem crescendo”.

Ele diz ainda que “Se eu tivesse que escolher entre manter uma org ou a comunidade, eu escolheria a comunidade porque essa comunidade é o que faz a B4 acontecer”.

A chegada do escudo do Flamengo na camisa da B4 trouxe a responsabilidade de representar bem o clube. “Os próprios jogadores sentem [a responsabilidade]”, diz o empresário que enfatiza que o Free Fire é um ‘jogo do povo’ relembrando a origem dos jogadores: “Eles pegaram um joguinho de telefone, sentavam na beira da calçada para pegar o Wi-Fi do vizinho e agora jogam na frente de 1 milhão de pessoas pelo YouTube. Foi realmente um crescimento muito absurdo”.

Sobre os desafios futuros, Antônio diz que o desafio dos esports é tentar fazer com que as pessoas adotem os times como seus clubes de coração. “O que eu sempre me pergunto é: Como que os esports conseguem acionar ainda mais a torcida? Eu sempre fui no estádio cantar, gritar, fazer parte da comunidade. E eu acho que pra nós, dos times, o maior desafio é poder criar isso que os times de futebol criaram. Essa torcida, essa paixão. É isso o que eu mais sinto falta hoje dentro dos esports”.