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Análise: Sem grandes novidades, EA repete fórmula em Madden 21

Estamos em um momento importante da história dos videogames, pois uma nova geração de consoles está prestes a ser lançada. Em meio a esta passagem de bastão, a nova temporada do futebol americano da EA chega com Madden 21.

Para quem curte a NFL, Madden é o primeiro contato com as novidades da liga. No no game, Tom Brady e Rob Gronkowski estão no Tampa Bay Buccaneers, Cam Newton comanda o ataque do New England Patriots, Washington Redskins de lugar para Washington Team. É um “esquenta obrigatório”, para um jogo que acompanha o fanático pelo futebol americano ao longo de toda a temporada.

No entanto, ainda não é aquela lufada de ar fresco para a franquia ou a resposta às demanda da comunidade para a correção de erros. Trata-se de um legítimo capítulo do que vem acontecendo nos games anuais da EA nos últimos anos: um jogo com qualidade, mas a continuação do que se viu na anos anteriores, com uma novidade ou outra que faz mais barulho do que realmente faz diferença na franquia.

LANÇANDO A BOLA OVAL

The Yard é a grande novidade de Madden 21. Nos mesmo moldes de Volta, de Fifa, trata-se de uma maneira de “simplificar” a partida e remete a prática do esporte em praças, quintais e ruas. Com regras diferentes, The Yard destaca o espetáculo, a plasticidade do futebol americano.

São 3 campanhas para cada lado, com um playbook mais enxuto e recheados de passes longos. Para participar, o jogador cria um avatar e convoca estrelas da NFL para a disputa das partidas em campos menores, com menos jogadores. É possível encarar a Inteligência Artificial ou outros jogadores em confrontos com 1x1, 2x2 ou 3x3 competidores.

É um modo para que curte jogadas de efeito, mas que enjoei rapidamente. Trata-se de uma ideia interessante que precisa ganhar corpo e conteúdo para se tornar mais atrativa, como a adição de mais modos de disputa, formato de torneios e integração com o Ultimate Team, para que vá além da personalização do avatar com itens cosméticos.

O Face of the Franchise aparece também como um a “novidade” e entra no lugar de Longshot – incluindo seu formato de “novela”. Você assume o controle de um novato que almeja o estrelato da NFL. Após criar um avatar e optar por uma das opções de posição (Quarterback, um Wide Receiver ou Running Back), é hora de (mais uma vez) trilha suar carreira pelo mundo do futebol americano, incluindo colégio, universidade e a liga principal.

No período da universidade, você defende um das opções presentes no jogo, como Michigan State, Oklahoma, Nebraska, Clemson, Oregon, Miami, LSU, Texas, USC e Florida. Na sequência, passa pelo Combine e Draft, até ser escolhido por uma das 32 franquias. Essa passagem pela etapas da vida de um atleta é interessante para o fã, mas essa estória é contada anualmente por Madden e já se tornou maçante.

Como não poderia deixar de ser, Madden Ultimate Team, a galinha dos ovos de ouro da EA em Fifa, também marca presença para alegria dos cofres da desenvolvedora. Mais uma vez o time do ano passado é colocado de lado para montarmos nos esquadrão com os cards que representam os atletas da NFL.

Por um lado, temos que jogar muito – ou gastar muito – para montar uma equipe de respeito. Por outro, sempre é interessante montar times com estrelas atuais e que marcaram época na história do esporte.

Em Fifa 21, estádios, uniformes e outros elementos serão personalizáveis. Falta isso em MUT, então esperamos a nova geração traga estes elementos para Madden.

Franchise, o calcanhar de Aquiles da franquia, é o modo que a comunidade clama por melhorias. Não há nada de novo neste ano do lado positivo, pois do negativo, seguem muitas reclamações que deixam a experiência de comandar uma equipe e leva-la ao Super Bowl limitada. Visualmente, não é gratificante conseguir bons resultados e, durante o Draft, você só sabe o que os outros times escolheram ao final do evento, são alguns dos exemplos que elementos que precisam ser corridos para tornar o modo mais atrativo.

TÉCNICA EM DISPUTA

A jogabilidade entrega uma experiência sólida de jogo, seja para quem gosta de algo mais Arcade e tenha passes em profundidas ou arrisca a quarta descida em toda campanha, seja para quem é um “nerd” de playbook e sabe de cor qual é a melhor jogada para superar a defesa adversária.

A quantidade de fumbles está muito acima do que vemos em partida da NFL, algo que a EA deve alterar em futuras correções. Já o uso do Analógico Direito no controle para cortes secos em corridas ou para caçar o Quarterback adversário tornou estas jogadas mais acessíveis e impactantes.

Presente pelo segundo ano, X-Factor e Superstar são formas que a EA encontrou para emular no jogo as capacidades de jogadores que são acima da média. São habilidades acionadas por gatilhos na forma de parâmetros. Uma vez que o jogador cumpre esses parâmetros, recebe o benefício correspondente.

Uma vez que temos a opção de escolher o estilo de jogo das partidas, Arcade e Simulação, estas habilidades não deveriam fazer parte da segunda opção. A ideia de recriar a força no braço de Patrick Mahomes ou a capacidade de colocar a bola onde quer de Aaron Rodgers não combina com a certeza com que essas bônus são acionados.

Explico: em Madden, você contará com o bônus se cumprir o parâmetro. Na vida real, seja Tom Brady ou Julio Jones, por mais que o atleta domine a arte de jogar futebol americano, pode estar em um dia ruim e não jogar bem. X-Factor e Superstar deveriam ser limitado a um estilo mais Arcade.

Em se tratando de atmosfera, Madden segue dando show. A recriação dos estádios, incluindo a nova casa do Las Vegas Raiders, o Allegiant Stadium, e a transformação da tela de jogo em uma transmissão televisiva, faz com que tenhamos a mesma emoção de assistir a uma partida da NFL. Menus são acessíveis e transmitem a profundidade do que é o esporte.

No entanto, o visual dos jogadores continua sendo inferior a outros elementos visuais do game. Apesar do capacete estar quase todo o tempo, pela abertura na parte frontal, podemos ver um recriação bem fraca dos rostos dos jogadores, que lembram vagamente de suas versões reais. Impressiona o contraste na beleza dos estádios, com a falta de esmero na recriação de jogadores.

JOGADA FINAL

Madden 21 no geral segue o que vemos nos últimos anos: a EA conseguiu encontrar uma bela fórmula para recriar o esporte no mundo virtual. Do contrário, a franquia não faria o sucesso que detém, principalmente nos EUA. Porém, seja pela falta de ação por parte da EA em corrigir problemas ou limitação técnica, é bem possível que o verdadeiro Madden 21 apareça apenas para a nova geração de videogames.

Madden 21 foi lançado para PlayStation 4, Xbox Series e PC. O jogo terá versões para PlayStation 5 e Xbox Series quando os consoles da nova geração estiverem disponíveis no mercado. Quem comprou o game para a atual geração terá direito a versão para os futuros consoles de forma gratuita.