Nesta quarta-feira (10), a Ubisoft Brasil lançou a série documental “Ascensão: O Caminho para um Sonho”, que conta de maneira aprofundada e tocante a história de oito jogadores profissionais do cenário brasileiro de Rainbow Six Siege.
Roteirizada e dirigida pelo jornalista Leo Bianchi, “Ascensão” é uma reparação necessária diante da trajetória audiovisual que a publisher se lançou de forma ousada nos últimos anos. É a prova definitiva de que a Ubisoft encontrou a fórmula para humanizar o cenário de R6, exatamente um dos competitivos que mais arrancam emoções do público pelo desempenho do Brasil em mundiais.
As produções lançadas anteriormente, “Por Outro ngulo” (2018) e “Em Busca da Vitória” (2019), se mostravam tecnicamente primorosas, mas pecavam exatamente no objetivo de trazer para o público o lado humano dos pro players.
Pelo pouquíssimo tempo para contar a história de Cherrygumms, da Black Dragons, e do narrador André Meligeni, “Por Outro ngulo” foi apenas um ótimo esboço do potencial que a Ubisoft tinha em mãos para se tornar uma produtora de conteúdo.
Esperava-se que “Em Busca da Vitória”, que tem ziGueira como um dos protagonistas, fosse o passo de vez para consolidar a Ubisoft no ramo. Não foi o que aconteceu. Impecável tecnicamente, o documentário não soube extrair as boas histórias com os grandes personagens que estavam ali. A narrativa se perdeu, ainda mais pelas falas em inglês no cotidiano de ziG que só aconteceram por causa da gravação - não à toa, o único momento sincero e humano retratado do maior nome brasileiro de R6 foi em uma rápida sequência dele com a família dentro do carro à caminho do mundial da Pro League, disputado no Rio de Janeiro em 2018. No fim, o trailer trazia mais emoção do que o documentário em si.
“Ascensão”, por sua vez, é um trabalho documental que consegue amarrar primorosamente as histórias contadas com o aspecto técnico. Fica evidente no resultado obtido como faz diferença a produção ser inteiramente nacional.
Roteiro e direção dão a dimensão necessária para que o espectador possa se conectar aos players que estão ali. E não só daquele seu jogador favorito, mas de todos os personagens convocados para a série.
Histórias não faltam. O primeiro episódio, que tem nesk (Team Liquid) como protagonista, já está disponível no canal de YouTube da Ubisoft. A ideia é que os episódios sejam lançados até o início do Brasileirão de R6. Também estão na série: cameram4n” (FaZe Clan), muzi (Ninjas in Pyjamas), Bullet1 (MIBR), DRUNKKZZ (INTZ), LuKid (Team oNe), pzdd (Black Dragons) e Paluh (Team Liquid).
Nada soa forçado, com exceção de alguns offs que escorregam um pouco na hora de passar a emoção. Tirando isso, até mesmo as cenas gravadas para o documentário e que simulam o dia a dia dos protagonistas - de tão bem dirigidas que são - ajudam a materializar o que ouvimos ao decorrer dos episódios. Os dramas ganham força, como na cena de briga entre DRUNKKZZ e sua mãe. Você não só compreende, mas como também sente a vivência dos jogadores.
Inclusive, “Ascensão” acerta em cheio ao dar mais voz para os familiares dos protagonistas. É o recurso narrativo necessário para você ser envolvido aos poucos na história dos jogadores. Cria-se um mix de sentimentos, principalmente para o jogador que está na busca de ser profissional ou aquele que já está no competitivo. Isso porque são os momentos de se sentir na pele a própria vivência: a família, que é pra ser a nossa base da vida, pode até mesmo em alguns momentos frear a busca nossa por um sonho exatamente por preocupação e a realidade ali da casa; ou então não, a família vai abraçar o seu sonho e buscar condições para que ele seja alcançado. Ainda há relatos de amigos e companheiros de equipe, que é o tempero para requintar a história contada.
A Ubisoft consegue, enfim, humanizar os jogadores profissionais criando, assim, uma conexão maior com o próprio competitivo. “Ascensão” fortalece os laços da comunidade com os principais agentes do show. Dessa forma, as partidas ganham novo olhar por parte dos fãs, que se colocarão um pouco mais na pele daqueles jogadores. Às vésperas do novo competitivo que será lançado, o documentário é um atalho muito interessante e cativante para que a comunidade se sinta ainda mais conectada com os seus ídolos.
