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Opinião: As péssimas escolhas da paiN e a injusta pressão da torcida contra Tinowns

Tinowns, mid laner da paiN Gaming. Riot Games

A paiN Gaming tem a maior torcida do Brasil, mas também uma das mais injustas, chegando a rivalizar a de alguns times de futebol. Na tarde do último sábado (8), o ‘time dos sonhos’ foi derrotado pelo KaBuM de uma forma vergonhosa. A mesma KaBuM que passa pelos mesmos problemas de comunicação que a paiN vem demonstrando, mas que, de alguma forma, pode ser considerado um time fraco.

A torcida está sendo muito injusta e não está prestando atenção no que se deve. Clama pelo retorno do Kami, que está sem jogar profissionalmente por dois anos e que só voltou para o competitivo por uma ação de marketing da paiN com a Gilette, e pelo afastamento de Tinowns, um dos jogadores mais dedicados e habilidosos do League of Legends nacional.

Quando Kami se aposentou, após a segunda etapa de 2017, o meta era outro. O jogo rodava em torno da rota do meio, e aquele segundo split no qual a Team oNe venceu o campeonato teve muitos críticos sobre a qualidade estratégica dos times e é chamado nos bastidores como “o ano perdido do CBLoL”.

Ele entrou na ‘pausa’ não em seu auge, mas em uma boa situação, afinal, a paiN tinha ficado com o vice-campeonato. Todos sabiam que ele não era o melhor midlaner, mas que também não era o pior do cenário. Na real, era bem medíocre, e alguns companheiros de rota chegavam a dizer que a ameaça que Kami trazia à rota era comparável com a de uma torre.

Tinowns, por outro lado, sempre foi considerado um dos melhores jogadores de sua rota, e isso se deve aos diversos torneios 1x1 que ele venceu, por sua campanha com a KaBuM em 2014 e pelo vice-campeonato de 2016 pelo CNB. Por mais que lhe faltem títulos como os que Kami carrega, todos os analistas, jogadores e técnicos dizem com clareza e sem titubear que Thiago Sartori é um ótimo midlaner.

Agora, em 2020, a torcida está armada com tochas e pedem pela cabeça de Tinowns para a entrada de Kami. Mas qual será o Kami que vai aparecer em Summoner’s Rift? O Kami streamer divertido e que analisa cada jogada da SoloQ ou o Kami player que ficava parado na rota do meio como uma torre quando jogava com Victor ou Syndra? Ou, ainda, o Kami que desrespeitou YoDa ao escolher Katarina em uma final?

Sejamos justos: Tinowns também não vive seu melhor momento. Mas será que isso se deve apenas ao jogador ou à forma que o time joga? A apresentação do último sábado mostrou que todos os jogadores da paiN jogaram abaixo do nível.

Para mim está claro que a derrota para a KaBuM tem mais a ver com a comissão técnica da paiN, que subestimou a KaBuM ao apostar em uma estratégia que só os melhores times ao redor do mundo conseguiram aplicar — o que é um tanto complicado de se pensar, tendo em vista a dificuldade de comunicação da equipe, que vem sendo discutida incansavelmente desde o início do campeonato.

O problema da má fase da paiN não é o Tinowns, mas um conjunto de situações que acontecem nos bastidores do clube. Será que o marketing não está falando mais alto que as opções estratégicas? Por que trazer uma Tristana e Lissandra, que estão fora do meta? Por que não apostar mais em campeãs como Cassiopeia, Zoe e LeBlanc, que são as mais fortes do meta atual? Talvez você, torcedor, não tenha que cobrar a volta do Kami, mas sim o retorno dos jogadores às aulas de inglês para se comunicar melhor. Ou melhor: cobrar para a comissão parar de fazer escolhas dúbias e aprender a fazer a lição de casa, analisando onde foi que o time acertou no campeonato e reforçar esses pontos — assim como faz qualquer time em qualquer liga do mundo.

O campeonato está apenas em sua terceira semana. Ainda dá para a paiN voltar a vencer. Agora imagine se a paiN estivesse na mesma posição da INTZ nessa altura do campeonato, com apenas uma vitória. Os Intrépidos estão em uma situação muito pior que a paiN, afinal, é um time que mexeu muito pouco entre 2019 e 2020 e, em teoria, era para estar disputando a cabeceira do CBLoL, não o fundo da tabela.

Talvez, se a torcida da paiN estivesse cobrando as coisas certas e não a volta de um jogador aposentado, o time estaria observando melhor seus erros e não perdendo tempo se questionando se a volta de Kami poderia trazer alguma melhora.