Desde outubro passado, para Jeferson Moreira, o sentimento que nutre pelo Corinthians se tornou ainda mais especial. Até então apenas um torcedor roxo do Timão, o paulistano passou a assistir de camarote o filho, Nobru, escrever o próprio nome no clube do Parque São Jorge.
Mas não pelas glórias conquistadas no futebol, a intenção inicial, e sim no Free Fire. "É a realização de um sonho", define em entrevista ao ESPN Esports Brasil.
Jeferson conta que Nobru treina desde os 9 anos porque "sempre almejamos que ele fosse um profissional dentro dos campos". Plano que vinha dando certo até os 17 anos, quando o jogador acabou sendo dispensado de um clube do interior de São Paulo. "O responsável dispensou ele, que ficou meio decepcionado". Foi nesse momento que a transição dos esportes tradicionais para os eletrônicos começou na vida de Nobru.
"Chegou em uma época em que ele acabava sumindo com o meu celular. Ele se isolava muito e eu comecei a pegar no pé dele falando que não estava treinando mais", afirma Jeferson, O pai revela que Nobru deu a notícia de que queria se tornar jogador profissional de Free Fire após uma discussão entre os dois.
"Acabamos brigando e ele falou que queria ser streamer, jogar Free Fire profissionalmente. Pra mim isso foi um choque porque eu não conhecia esse mundo e não sabia como fucionava. Mas de certa forma, sempre apoiei meu filho seja no que fosse e falei pra ele que não ia deixar de apoiá-lo", conta.
Jeferson aponta que depois do ocorrido deu o próprio celular para Nobru iniciar a carreira já que "na época eu estava desempregado e estávamos passando por algumas necessidades porque eu não havia recebido minha rescisão de contrato. Não tínhamos condições de comprar um para ele. Ele usou o meu celular, assumiu que se tornaria pro player e começou a fazer as lives".
Mas o investimento na carreira do filho não parou por aí. Mesmo desempregado, Jeferson questionou Nobru sobre o quanto ele precisava para iniciar na carreira de streamer: "Ele chutou um valor alto que eu não tinha no momento. Aí ele falou sobre meu cartão de crédito e perguntei como iríamos pagar. Ele respondeu que ia ajudar e acreditei nele. Passei meu cartão e dividimos em inúmeras vezes. Comprei tudo o que ele precisava e, a partir deste momento, tudo começou a acontecer".
De apenas um streamer de Free Fire, Nobru conseguiu se tornar profissional na modalidade e, no ano passado, assinou para representar o Corinthians no Battle Royale mobile. Saber que o filho ia vestir a camisa alvinegra "foi um sonho" para Jeferson: "Imaginávamos que fosse nos gramados, mas como não aconteceu, Deus desenha tudo de forma diferente e, hoje, é pelo Free Fire".
"É o nosso time de coração. Além dele jogar com seriedade e profissionalismo, joga também por amor não só pelo jogo, mas também pelo Corinthians. Desde os 5 anos eu levava ele ao estádio. Lá no meio dos clássicos, a gente gritava muito", relembra.
No ano passado, tanto na fase final da terceira temporada da Pro League, como também no Free Fire World Series, Jeferson esteve no Rio de Janeiro para acompanhar o filho nas primeiras competições de Nobru pelo Corinthians. "Foi emocionante. Acompanhamos o dia a dia deles. Então, sofremos juntos e quando aconteceram as vitórias, comemoramos juntos", classifica.
Ter visto o filho ser campeão brasileiro e mundial de Free Fire fez Jeferson se sentir realizado pelo filho: "É uma realização profissional dele e o que eu mais quero, hoje, é ver meu filho feliz. Sei de onde ele saiu, as dificuldades pelas quais passou até chegar aqui e a humildade que ensinei a ele. Minha maior realização é vê-lo tendo sucesso profissionalmente e também todo o carinho que o público tem por ele, em especial os torcedores do Corinthians".
Jeferson revela ainda ao ESPN Esports Brasil que a sensação de ter visto o filho ser campeão mundial com a camisa do Corinthians foi "maior" em comparação ao que se sentiu ao ter comemorado o mundial de clubes no futebol, em 2012: "Foi maior. Além de torcedor, sou pai. Estamos próximos e sofremos juntos. Sei de tudo o que ele passou para chegar até aqui. Não que no futebol eu não tenha gostado. Gritei, torci. Mas com o Bruno foi diferente'.
Ao ser questionado se, como torcedor do Corinthians, gostou do investimento feito pelo clube nos esportes eletrônicos, Jeferson afirma que sim. "O Corinthians fez uma proposta para trazer os públicos infantil e adolescente para o futebol e levar os adultos para o Free Fire porque tem muita gente que não conhece o jogo. Foi uma mão de duas vias e está sendo lucrativo em questão de reconhecimento tanto para o Free Fire, como também para o clube", opina.
Jeferson afirma ainda que o retorno do Corinthians aos esportes eletrônicos ajuda também na quebra do preconceito ainda existente: "Muito se falou que era apenas um jogo. Eu ouvi muito de outros pais que deveríamos ir procurar um emprego ou vi muitas vezes pais falando para seus filhos que 'não vai ganhar nada com isso'. Mas a entrada do Corinthians quebra barreiras e o clube está de parabéns por investir nos esports".
