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LoL: Riot coreana multa Griffin e bane antigo CEO e técnico do time da LCK

Griffin disputou o Mundial de LoL em 2019 Riot Games

A equipe sul-coreana da Riot Games e a Associação Coreana de Esports (KeSPA) emitiram, na última quarta-feira (20), suspensões ao ex-diretor da Griffin, Cho Gyu-nam, e ao treinador Kim "cvMax" Dae-ho, além de multarem a equipe da LCK em 100 milhões de won coreanos (cerca de R$360 mil, na cotação atual).

No resumo da investigação, Riot e KeSPA disseram ter encontrado evidências de que Cho pressionou injustamente o jungler substituto Kanavi em um acordo contratual enquanto ele ainda era menor de idade. Riot disse que Cho também adicionou uma cláusula ao contrato de Kanavi quando ele foi emprestado à JD Gaming, para que o tempo de Kanavi na JD Gaming não afetasse o contrato com Griffin.

A Riot afirmou que Cho não comunicou essa alteração à Riot e à KeSPA, que exigem que todas as equipes de cada região competidora enviem folhas de resumo dos contratos.

Enquanto isso, Riot e KeSPA disseram ter ouvido testemunhos de jogadores e funcionários de que cvMax era abusivo verbal e fisicamente com os membros da equipe.

"O abuso verbal e outras ações abusivas não serão toleradas na LCK", disse a Riot em comunicado traduzido pela ESPN. "O abuso verbal e outras ações abusivas vindo de um treinador, uma posição dentro da LCK, é ainda mais difícil de ser justificado. Confirmamos que o nível de violência verbal cometido [por cvMax] aos jogadores em um longo período de tempo foi pessoalmente prejudicial, devido a vários depoimentos e provas apresentados ao Comitê. Além disso, alguns jogadores que foram vítimas dessa violência física e verbal eram menores de idade."

Mais tarde, CvMax negou as alegações em uma transmissão ao vivo após a decisão. Três jogadores — Sword, Tarzan e Rather — e o treinador Chaos afirmaram em entrevista ao Inven Global, na quarta-feira (20), que foram sujeitos ou testemunharam abuso verbal ou físico por parte de cvMax.

A empresa-mãe da Griffin, Still8, também afirmou que tomaria medidas legais contra cvMax por alegações que, para a empresa, são difamatórias.

Cho e cvMax estão barrados de ocupar qualquer posição oficial em qualquer equipe que participe de um evento de esports afiliado à Riot, incluindo a League Champions Korea (LCK). A Riot também multou a Griffin por conta da organização do time estar diretamente envolvida e negligenciar o comportamento exibido por Cho e cvMax. A Riot Games afirmou que monitorará a Griffin nos próximos meses, e, se encontrar outras alegações de má conduta, sua vaga na LCK estará em risco.

"Se, por esse processo, encontrarmos atividades violatórias semelhantes no futuro, aplicaremos outras penalidades, sendo a penalidade máxima a retirada da vaga da Griffin [na LCK]", disse a Riot.

A ação disciplinar põe fim a uma investigação conduzida pelas afiliadas coreanas e chinesas da Riot Games e pela KeSPA sobre o suposto tratamento indevido da transferência de Kanavi para a JD Gaming, equipe da liga chinesa (LPL). Essas alegações foram levantadas pelo cvMax durante uma transmissão ao vivo em outubro.

A decisão provocou uma forte resposta do membro da Assembléia Nacional da Coréia do Sul, Ha Tae-kyung, que têm se pronunciado nas redes sociais desde que Riot e KeSPA abriram a investigação, em outubro de 2019.

Antes da divulgação da investigação, Ha divulgou na terça-feira (19) uma declaração de suas descobertas, que incluía alegações de que a Griffin atribuiu a representação judicial dos jogadores a um escritório de advocacia chamado VEAT, que também presta auxílio jurídico exclusivo à Griffin. A VEAT representou Kanavi — sem seu conhecimento explícito — como resultado de um contrato que assinou com Griffin. Em sua declaração, Ha alegou que a Griffin forjou um selo da empresa, com Ha compartilhando várias fotos de um selo legítimo e o encontrado neste contrato.

Ha alega que a Riot puniu injustamente cvMax, que Ha argumenta que deveria ser protegido pela Lei da Coréia do Sul sobre a Proteção dos Denunciantes de Interesse Público. Nos últimos dois meses, Ha pediu uma ação da Assembléia para investigar o papel da Riot e da KeSPA, dada sua proximidade e interesse em proteger as equipes participantes. Ele também tem sido muito vocal sobre o assunto publicamente.

"Os resultados foram chocantes", disse Ha em uma reação à decisão da Riot, traduzida pela ESPN. "Não apenas Cho, mas também cvMax, a pessoa que expôs a corrupção e o absurdo, também está sendo suspenso indefinidamente. Esse é um ato claro de vingança contra o denunciante. A Riot, ao tomar uma ação de vingança contra um denunciante, pode ser punida.”

"Se não fosse pelo ato corajoso de cvMax, o caso do contrato absurdo de Kanavi e as ameaças teriam permanecido debaixo do tapete. Ele é um denunciante corajoso. O CvMax é alguém que deve ser protegido e recompensado, e não punido e vingado".

No dia 12 de novembro, Cho renunciou ao cargo de diretor da Griffin em meio a investigações e críticas de membros da Assembléia Nacional. Em entrevista ao Sports Chosun, no dia em que ele renunciou, Cho contestou as alegações de cvMax contra ele e disse que pretende processar o técnico.

Semanas antes do Campeonato Mundial de League of Legends deste ano, em que a Griffin se classificou para as quartas de final, cvMax foi dispensado de suas funções como treinador da equipe. Antes da suspensão, foi anunciado que cvMax havia sido contratado pela DragonX, da LCK, para a temporada 2020.

*Esse texto foi publicado originalmente no ESPN Esports