No dia 15 de agosto, a Vivo Keyd deu mais um passo no cenário feminino de esports ao anunciar sua nova escalação de League of Legends. O time é composto pelas jogadoras Lolly, Uchiha, Akalina, Fireheart e 1998, que disputavam campeonatos femininos amadores e se uniram sob a bandeira da organização.
Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, as jogadoras evidenciam que a contratação é um marco para o cenário feminino de LoL e afirmam estar ansiosas para as próximas competições.
De acordo com Nathalia Pereira, caçadora do time e chamada de Uchiha, a iniciativa da Vivo Keyd “incentiva mulheres a quererem seguir o sonho delas de jogar”. “Eu sei que tem muitas mulheres que também têm esse sonho, mas muitas vezes não vão atrás por não terem apoio ou visibilidade. O que falta para ter mais mulheres jogando LoL profissionalmente é mais incentivo, apoio, campeonatos e divulgação”, opina a jogadora.
VONTADE DE COMPETIR
Antes de serem contratadas pela Vivo Keyd, as jogadoras já tinham vontade de competir no League of Legends, apesar da falta de representação feminina no jogo. Uchiha conta que queria ser profissional desde que atingiu, no jogo, o elo Diamante pela primeira vez, destacando-se.
“Até montei um time misto em que eu jogava de suporte. O time ia bem, mas (...) acabou não dando certo. Esse ano, surgiu uma seletiva feminina, e me chamaram pra jogar. Não passei e foi muito frustrante. Pensei em desistir, mas parei e falei para mim mesma: ‘não vou deixar ninguém falar pra mim que eu não posso e não consigo’”, confidencia.
“Montei o time com a Ana [1998, suporte da Keyd], que também não passou, e começamos a treinar muito. Cada vez a paixão pelo competitivo ia aumentando, e a vontade de ser profissional novamente voltou”, explica a caçadora.
CENÁRIO FEMININO
Antes de 2019, as oportunidades para que mulheres mostrassem seu espírito competitivo no League of Legends eram poucas. A situação mudou com o estopim dado pelo Projeto Sakuras, iniciativa feita por mulheres da comunidade que fomentou o cenário feminino, mobilizando garotas para disputarem campeonatos.
A partir disso, iniciativas que visam incluir mulheres no cenário de LoL tornaram-se mais palpáveis e visíveis. Desde a seletiva Invocadoras, da INTZ, até o Circuito Feminino da BBL Esports, projetos fizeram com que cada vez mais jogadoras de LoL entendessem sua paixão pela competição e sua vontade de serem profissionais.
As Guerreiras da Keyd, por exemplo, afirmam a importância desses projetos. “Eu, por exemplo, não teria chegado aqui sem o Projeto Sakura, que foi o primeiro competitivo que participei”, confessa Lina Rachid, ou Akalina, mid laner da equipe. A atiradora Karoliny Hupp, ou Fireheart, concorda: “Traz mais visibilidade para o cenário feminino e incentiva outras meninas a participarem.”
De acordo com elas, no entanto, alguns fatores precisam ser resolvidos para que mais mulheres sintam-se seguras para se dedicarem às competições. Para Akalina, “mais campeonatos, incentivos financeiros e profissionalização dos times femininos” devem acontecer, porque “ainda é um cenário novo, sem muita visibilidade e perspectiva de retorno.”
As jogadoras defendem, também, que deve haver mais divulgação para os torneios femininos, pois “muita gente nem fica sabendo” quando eles acontecem. “A Vivo Keyd sendo a primeira [organização] a adotar uma line-up feminina foi um grande progresso”, comenta a suporte Ana Paula Bausen, conhecida como 1998. “Se outras organizações fizessem o mesmo, seria um avanço enorme”, opina.
JOGAR NA VIVO KEYD
Presente no cenário competitivo desde 2012, a Vivo Keyd é uma das organizações mais tradicionais do League of Legends brasileiro. A pressão trazida pelo nome do time é sentida pelas jogadoras, mas não é tida como obstáculo.
“Sem dúvidas há uma certa pressão em representar esse clube enorme, mas darei meu melhor para atender as expectativas dos Guerreiros. Estamos sempre tentando trabalhar nosso mental para que a pressão não se torne um problema”, diz Akalina.
Fireheart concorda. “É uma grande responsabilidade representar a Vivo Keyd, mas não podemos deixar a pressão atrapalhar durante o game. Acredito que teremos uma grande torcida agora e espero poder retribuir todo carinho e apoio que venho recebendo”, acrescenta a atiradora.
A suporte 1998 comenta uma ‘responsabilidade’ quase exclusiva da escalação feminina, que é a de representar a comunidade. “Há pressão sempre, ainda mais por sermos mulheres. Como somos o primeiro time feminino, temos uma maior responsabilidade por estar representando as meninas que também jogam”, afirma.
EXPECTATIVAS
O time, atualmente, prepara-se para disputar o campeonato de LoL do GirlGamer Festival, e aguarda mais oportunidades de competirem em grandes torneios do jogo. Enquanto isso, os treinos seguem firmes.
“Desde que começamos a representar a Vivo Keyd, a vontade de treinar e melhorar foi só aumentando”, conta Uchiha. “Todas se esforçam muito, e o melhor é que não precisa ninguém vir cobrar, a gente faz isso por nós mesmas, isso é uma qualidade muito boa no nosso time. A gente tem ajuda do psicólogo João Cozac [que atua na Vivo Keyd e no MIBR], então estamos bem confiantes, apesar da pressão”, afirma.
“Estamos treinando muito para honrar a camisa da Vivo Keyd”, diz Evelyne Rolim, a Lolly, top laner da equipe. “Pretendemos [também] participar de outros torneios, pois também temos o intuito de aproveitar essa oportunidade para incentivar outras mulheres a jogar”, crava.
“A gente realmente espera que, após o Girl Gamer Fest, apareça mais campeonatos femininos e mais times femininos também. A gente pretende jogar outros torneios e qualificatórios, femininos ou mistos, e continuar jogando e dar o nosso melhor pela Vivo Keyd”, finaliza a caçadora.
