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Opinião: Eu quero voltar a gostar do CBLoL

Riot Games Brasil

O CBLoL não é mais o mesmo.

Meu primeiro contato com o campeonato foi em 2014, semanas após a vitória da KaBuM contra a CNB no Maracanãzinho, na grande final daquele ano. Eu havia começado a jogar League of Legends há poucos meses, e o vídeo de uma jogada de Alocs com a Nami fez com que ele instantaneamente se tornasse meu ídolo, mesmo tendo perdido a final.

A primeira série competitiva de LoL que eu vi na vida foi entre Samsung White e Samsung Blue, na semifinal do Mundial do mesmo ano. Ao longo de 2015, me lembro de mostrar aos meus amigos e familiares fotos da final, sediada na Coreia do Sul, em que 40 mil pessoas viram o time de Mata ser campeão.

No ano seguinte, o CBLoL foi oficializado e o cenário se profissionalizou, com um estúdio dedicado e contratações de seus casters e jogadores. Eu assistia ao campeonato todos os finais de semana, religiosamente, para ver brTT brilhando na paiN, Daydream dominando na jungle da Keyd ou Matsukaze sendo revelado como Yasuo ADC. Era gostoso acompanhar o CBLoL!

E eu sinto falta disso. Tenho saudade da minha empolgação em assistir o campeonato, a paixão pelo cenário competitivo que me trouxe até aqui — às páginas da ESPN, em que eu reclamo da falta de hype experienciada pelo fã do CBLoL atualmente. Eu quero que o CBLoL volte a ser o mesmo de antigamente.

O problema é que, bem, ele meio que é. Temos os mesmos casters desde 2015, o mesmo estúdio desde 2018 — com poucas mudanças desde 2015, sem torcida presencial desde sempre — os mesmos jogadores desde, bem, quase sempre. O mesmo medíocre resultado internacional, a mesma produção de conteúdo engessada, as mesmas respostas, as mesmas histórias…

Insatisfeita e desanimada com o rumo que o CBLoL tomou, conversei com amigos e fãs que também acompanham com dedicação o torneio — entre eles, Bernardo Pereira (o Beru, do Around the Rift) e Gabriel Melo (o Pumba, daqui da ESPN). Foi só para mim que o CBLoL perdeu o hype? É verdade ou implicância minha?

Nessa matéria, vou resgatar no apaixonante passado do CBLoL o que, em minha visão, ele precisa para voltar a ser empolgante aos olhos dos fãs, jogadores e entusiastas, de dentro e de fora.

RUMO AO AUGE

O CBLoL não apareceu do nada e não se tornou o que é hoje por sorte. A Riot tinha um plano idealista, certeiro e pioneiro ao pisar com assertividade em um cenário de esports que engatinhava, em meados de 2013 e 2014. Houve cenário competitivo antes disso — é importante citar as edições da IEM que aconteceram em São Paulo entre 2012 e 2014 —, mas vou começar a traçar por um episódio específico.

Falando de Brasil, o LoL enquanto jogo e competitivo foi apresentado a alguns milhares de potenciais jogadores na Brasil Game Show 2012. Lá, um protótipo do que se tornaria o CBLoL aconteceu — o “CBR” consagrou a vTi.Ignis como vencedora da primeira semente de campeonato brasileiro.

A BGS ainda é a maior e mais relevante feira de games no Brasil. Colocar os pés em um cenário competitivo profissional na presença de tantos fãs de games foi um ambicioso, certeiro e sonoro passo, o que marcou o início de um tempo interessante para os fãs de LoL.

Em 2013, meus amigos começavam a abandonar minhas jogatinas de FPS gratuitos e MMORPGs rumo ao LoL, e eu me recusava a seguir o mesmo caminho. Os personagens coloridos e pouco personalizáveis, a má fama do MOBA no meio dos games e a dificuldade de aprendizado fazia com que eu não quisesse experimentar a moda.

A migração de TODOS os meu amigos gamers para o LoL parece ter sido um caminho comum aos “LoLzeiros” com quem convivo atualmente. Em 2015, um fenômeno interessante acontecia no meu círculo social: todo mundo jogava LoL.

Eu não me lembro de outro jogo que tenha mobilizado uma comunidade inteira como LoL fez entre 2014 e, talvez, 2016, com 2015 como auge. Era bom ser lolzeiro, era interessante conversar sobre LoL, suas novidades, estratégias, suas jogadas, tudo. Era bom abrir o YouTube e ver canais sobre LoL bombando. Meu tempo livre era dividido entre jogar LoL e consumir conteúdo sobre LoL.

E, com o tempo, o final de semana se tornou dedicado ao CBLoL. Era bom aprender a jogar de Vayne e ver o estreante Matsukaze dando aula no competitivo. Era incrível ver pessoas que amavam o jogo que eu amava a ponto de se tornarem profissionais nele.

O hype no competitivo foi instaurado junto da febre do League of Legends. Eu sinto que a Riot tinha noção de que a obsessão dos adolescentes pelo jogo — motivada, na minha visão, pelos baixos requisitos de hardware necessários para rodar o game na época, além do trabalho em equipe — não seria eterna, mas sabia que a consolidação do LoL como esporte seria possível.

E, assim, sem deixar o jogo de lado, a empresa passou a investir no competitivo.

MEGALOMANIA

Megalomania. O Beru usou essa palavra para definir os avanços da Riot a partir de 2014, e eu fiquei bem pensativa. Ela resume a iniciativa de sediar a final de seu campeonato ainda em ascensão no Maracanãzinho e, um ano depois, no Allianz Parque. É gigante até para o cenário atual. A fim de apresentar-se como esporte, o LoL foi consagrado em arenas tradicionais.

Eu não consegui ir ao Allianz em 2015. Falta de vontade ou de dinheiro? Não.

Os 7 mil ingressos esgotaram-se em menos de 4 horas.

Também não consegui garantir um dos 5 mil do segundo lote, que esgotaram em 30 minutos. Mas eu assisti de casa e, dias depois, eu mostrava para todo mundo que perguntasse o que eu estava assistindo as fotos do CBLoL no Allianz Parque. Você consegue captar o sentimento de orgulho por fazer parte daquilo, mesmo que como comunidade?

2016 seguiu os passos dos anos anteriores e teve a final da Segunda Etapa no Ginásio do Ibirapuera. Naquele momento, o CBLoL já estava consolidado nos corações dos fãs. O hype era garantido também por outros motivos — a ascensão do Exodia da INTZ, a revolta com o banco de brTT, a retomada da CNB enquanto grande time.

As narrativas eram boas, interessantes. A torcida passava a ser fiel, seja a jogadores ou organizações. Os grandes eventos davam motivação e garantiam proximidade dos jogadores com o público.

Como Beru apontou, os anos seguintes carregavam a difícil tarefa de satisfazer a expectativa arrebatadora que a Riot Games criou ao longo dos anos anteriores — e que ainda aumentaria com a edição do Mid Season Invitational no Brasil, em 2017. Foi aí, no entanto, que as coisas começaram a complicar.

RESULTADOS INTERNACIONAIS

Em 2014, a KaBuM foi o primeiro time brasileiro a nos representar no Mundial.

Nós sabíamos que éramos underdogs. Nossa região ainda não tinha investimento e um cenário consolidado. O Brasil engatinhava nos esports e no League of Legends.

Nesse contexto, a vitória do time de tinowns contra a campeã europeia Alliance foi histórica. O domínio do time brasileiro fez com que a narrativa instaurada a partir de então fosse marcada por sonhos — o Brasil tinha potencial para ser bom no LoL. A gente só precisava de investimento, de dedicação, de profissionalização.

E, bem, isso ocorreu. A Era Estúdio de 2015 trouxe carteiras assinadas para boa parte dos jogadores, gaming houses para quase todos os times e uma estabilização do cenário.

No segundo split do mesmo ano, a paiN vinha como Messias do cenário brasileiro ao vencer o CBLoL (no Allianz) e classificar-se para o Mundial através do Wildcard. O resultado pode ser considerado uma sucessão ao da KaBuM — duas vitórias no campeonato, sendo a segunda depois da eliminação.

2-4 não é um bom resultado internacional. Mas é expressivo pra uma região que sonha em se tornar grande, certo? É um passinho a mais em direção ao tão sonhado “passar da fase de grupos”.

O único resultado a ser destacado após 2015 foi a vitória da INTZ contra a EDG no Mundial 2016 — jogo que eu assisti chorando, sem acreditar e morrendo de orgulho da minha região. Depois disso, foi ladeira abaixo: os resultados tornaram-se cada vez menos satisfatórios, o que, na minha visão, foi um ponto importante para que a relação dos fãs com o CBLoL se fragilizasse.

Os resultados internacionais são parte crucial do motivo pelo qual um fã acompanha um campeonato. A gente quer ver nosso time indo longe. É difícil gostar de um time quando ele perde tudo. E quando o melhor time do campeonato, o campeão, perde tudo?

É mais difícil ainda. Com o passar dos anos, o CBLoL teve solo para se desenvolver, com investimentos gigantes na estrutura das equipes e na profissionalização do cenário. Havia uma progressão a ser seguida, uma expectativa foi criada pelos fatores citados anteriormente, mas o nível de jogo do cenário brasileiro perante o internacional não acompanhou o esperado.

Enquanto o CBLoL dava, bem, vergonha, internacionalmente, outros esports que se desenvolveram graças ao ou ao lado do LoL tinham fortes representantes brasileiros. Entre Luminosity e SK, o time de FalleN foi tricampeão mundial no Counter-Strike. A Team Liquid de Zigueira foi campeã da Pro League de Rainbow Six.

O Brasil conseguiu vagas suadas em Majors e no The International 8 de DotA 2, além de boas representações em Clash Royale, Hearthstone e outros esports. A inevitável comparação desses resultados com o LoL frustrou os fãs do CBLoL, que viam modalidades com cenários menos consolidados indo melhor internacionalmente.

HISTÓRIAS (E SUAS NARRATIVAS)

No ano de 2018, outro fenômeno aconteceu no League of Legends: a insatisfação dos jogadores com o metagame.

A maneira de jogar era diferente da com o qual o público estava acostumado, e estratégias como afunilamento de recursos e magos na rota inferior traziam desânimo a espectadores e jogadores. Um vídeo do astro norte-americano Doublelift escancarou uma verdade complicada: por conta de suas atualizações e do metagame, LoL, como jogo, não era mais tão divertido.

O CBLoL, no entanto, manteve-se. Conversando com alguns outros jornalistas entusiastas do campeonato, percebo que temos um fator comum para continuar acompanhando: a afeição por suas histórias.

Eu comecei a gostar do CBLoL por amar LoL, sim, mas me mantive gostando do campeonato em 2015 por causa da KaBuM! Black, que se erguia no campeonato apesar de uma punição de -4 pontos na tabela. Me mantive em 2016 pela curiosidade em ver onde o quinteto da INTZ chegaria com o retorno de Revolta.

Me mantive em 2017 pela ascensão do ídolo YoDa como campeão do CBLoL, e, bem, a trajetória da Team One no segundo split era de tirar o fôlego. São excelentes histórias.

Mas e aí? 2018 não teve nenhuma história?

É lógico que teve. Tivemos a ascensão de uma KaBuM que vinha da pior crise de sua história. Do rebaixamento que sucedeu a intensa negligência para com seu time de LoL à dominância absoluta no campeonato, com o recém-adquirido protagonismo de Titan, atirador prodígio e estrela do time.

Teve também a vinda do Flamengo para a primeira divisão do LoL — e o cheirinho vivenciado pelo time nas duas finais disputadas. E em 2019 teve mais um cheirinho, e uma INTZ completamente subestimada sendo campeã com protagonismo dividido entre alguns talentos subestimados.

Mas essa é a história contada. Disso, bem... as pessoas sabem.

Por que a gente não sabe mais de onde as pessoas vêm? De onde vem a empatia por um jogador e por que a gente não consegue mais criar com ninguém no CBLoL?

Será que temos que ficar tão dependentes de figuras como YoDa, Titan, Revolta ou brTT?

A gente tem tantas histórias no CBLoL. Por que a gente não conta elas? Por que elas ficam tão escondidas, tão ocultas debaixo de uma máscara esquisita de um CBLoL que pouco conversa com as demandas seu público?

Isso não é uma crítica à transmissão do CBLoL (mas vai haver uma, espera um pouquinho). Isso pode ser considerado uma autocrítica, inclusive — porque eu não fui atrás de contar mais histórias sobre esse campeonato? Porque eu, a ESPN, outros veículos de imprensa, as organizações e os próprios jogadores não contamos essas histórias?

Um bom exemplo é o time da Uppercut, ex-IDM Gaming. Eles já chegaram ao CBLoL em uma situação complicada, ofuscados pelo Flamengo na final do Desafiante — mas, com o tempo, o time teve problema em encontrar identidade, e suas histórias e motivações não são conhecidas pelo público.

A Up é uma das poucas organizações no CBLoL que surgiu de dentro da comunidade. Atualmente, o time conta com dois portugueses que não tiveram muitas chances de mostrar carisma ou de contar suas motivações; conta com um analista tricampeão sul-americano e um top laner que jogou durante um ano na CLS.

Essas histórias são muito pouco exploradas. Pela transmissão da Riot, pela imprensa, pelas próprias organizações e pela maneira com que os jogadores se comunicam com o público e o meio externo. E tem muitas outras boas histórias no CBLoL — passando o pente fino, tranquilamente uma ou duas por time. Mas isso não tem sido tão bem explorado pelos meios em que o CBLoL é apresentado aos seus fãs.

O CBLoL passa por uma fase difícil sem algumas de suas principais histórias, de seus principais astros. E a dificuldade do Brasil em reverter novos astros é um motivo pelo qual o CBLoL ficou entediante. Como a gente assiste um campeonato sem ter essas histórias pra se apoiar?

CRISE DE IDENTIDADE

Pensando sobre a transmissão do CBLoL, foi desafiador, mas não difícil, identificar pontos que me deixam insatisfeita sobre o show apresentado no torneio — e que eu imagino que também incomodam o público.

Se a gente comparar rapidamente com outros campeonatos de esports (penso, aqui, na LEC, no Mundial de Fortnite e no próprio Circuito Desafiante), a identidade visual do CBLoL é apática e, talvez por não ter seguido algumas dessas tendências, aparenta estar ultrapassada.

A transmissão do CBLoL — e seus programas “anexos”, League News e Depois do Nexus — tem elementos que faz com que ela tente ser um pouco divertida e um pouco interessante, mas ela acaba tropeçando nos dois pontos, em uma aparente dificuldade em estabelecer sua persona.

Não consigo pensar em outro termo para definir o problema da transmissão do CBLoL além de “crise de identidade”. Os recursos utilizados pelo CBLoL desde 2015 (e desde 2018, se contar a reforma mais recente do estúdio) não me faz ter interesse no torneio, e sinto que também não atrai outros fãs.

Os quadros apresentados entre os jogos são cansativos e frequentemente ignorados pela comunidade. As respostas dos jogadores parecem ensaiadas (eu sei que não são, mas aqui voltamos no ponto anterior: temos uma dificuldade intensa em trabalhar as histórias do campeonato) e o resultado não é exatamente interessante ao público. Eu sinto que o CBLoL entrou um pouco no automático, sabe?

A dinâmica apresentador-analista-narrador-comentarista parece algo que funcionava, mas, por algum motivo, se desgastou. A do Circuitão, por exemplo, é mais divertida, cumprindo a proposta. O show promovido pelo CBLoL perde por nocaute para seu irmão mais novo.

E isso não significa que o elenco do CBLoL seja ruim. Eu não consigo pensar em pessoas mais competentes que Schaeppi, Skeat e Melão para suas funções. Mas não é sobre os integrantes, e sim sobre a maneira de conduzir o show — e isso é uma questão difícil de ser ajustada da noite para o dia.

POSSÍVEIS SOLUÇÕES

No último terrível resultado internacional vivenciado pelo Brasil, lembro de ter me atentado a uma discussão no Twitter — em meio ao vulcão de xingamentos e insatisfações fadado a ser ativado em torneios em que o campeão do CBLoL participa.

Nela, alguns criadores de conteúdo discutiam sobre como o mau resultado internacional é algo a ser melhorado por toda a comunidade. Pelos jogadores, pelas equipes, pelos influenciadores, imprensa, fãs.

Na época, não entendi e achei besteira. Hoje em dia, entendo que o CBLoL só vai voltar a ser bom de assistir e participar com um esforço de toda comunidade.

Existe um exemplo claro de sucesso nesse aspecto no próprio circuito competitivo de League of Legends: a LEC, liga europeia, repaginada na última temporada.

Eu não era exatamente acostumada a acompanhar a finada LCS EU, mas tenho noção de como a liga passava por um momento de estagnação antes do rebranding em 2019. Não é como se a G2 tivesse vencido o MSI por consequência direta da repaginação da identidade da marca LEC, mas a iniciativa foi decisiva para que a liga fosse vista, outra vez, como potência mundial, em entretenimento antes de desempenho.

Eu acredito, sim, que o CBLoL mereça um rebranding. A gente tem condição de produzir um show satisfatório aos fãs — vide a transmissão extremamente divertida do Circuito Desafiante. A equipe de transmissão do CBLoL é muito, muito competente. Mas falta um alinhamento das ideias a serem passadas para o público. Falta esforço em fazer o público querer acompanhar o CBLoL.

Além disso, a desenvolvedora apresentou os eventos presenciais de uma forma muito maior do que o que tem acontecido atualmente. Os 15 mil lugares em 2016 não batem com os 3 mil oferecidos no segundo split de 2018. E têm muito menos a ver com as finais no estúdio, em São Paulo, para cerca de 200 fãs, nos primeiros splits de 2018 e 2019.

Vendo pelo lado da Riot, é difícil investir em um passo tão ousado em uma liga que não tem “dado retorno”. No ano passado, o novo estúdio e o formato md3 foram apresentados como soluções para o péssimo desempenho internacional. Só piorou. Esse ano, md1, e… bem, já falamos disso.

Vocês entendem o esforço conjunto?

É cíclico. Sinto que faz sentido que o primeiro passo venha da Riot, mas ele tem que ser acompanhado por todo mundo que faz parte disso. Os jogadores, as equipes, a imprensa, os influenciadores e, cada vez mais, os fãs.

E isso não significa passar a mão na cabeça de jogador que apanhou lá fora.

Eu acredito que, com esforços das outras partes, é orgânico que os fãs que ainda acompanham religiosamente o CBLoL voltem a gostar de assisti-lo. E esses esforços podem aparecer em uma atenção a mais para novas histórias, incentivos a mais para assistir aos jogos, em narrativas atreladas a eles.

Ou a uma transmissão com novos rostos, mais representatividade, mais entretenimento, mais conversa com quem assiste. A própria LEC ganhou força quando trouxe figuras como Froskurinn para a tela. Chama o Bronziocre pra produzir vídeos sei lá! Trazer carisma para a transmissão, construir no estúdio um ambiente gostoso de assistir, que tenha a ver com que os fãs do CBLoL pensam em 2019.

Não dá para o brTT ou o Flamengo ser o único apelo dos fãs para acompanhar o CBLoL. Precisa haver esforço para que novos ídolos surjam, novos brTTs, novas paiNs apareçam no cenário de LoL. O torcedor necessita se apoiar em algo para ver o campeonato, e o CBLoL tem poucos atrativos hoje em dia.

Eu amo assistir a LCS (liga norte-americana) porque:

1) Sou torcedora da TSM desde 2014 (e fã do Bjergsen desde então);
2) Adoro o visual da liga, desde os closes na torcida (!!!!) até as músicas do intervalo, as cores, o palco;
3) Adoro a equipe de transmissão, desde os narradores, comentaristas e apresentadores até a entrevistadora, Ovilee;
4) O quanto a liga é imprevisível e o quanto o nível de jogo aparenta estar em uma crescente me atrai como entusiasta de LoL.

Dá pra fazer um paralelo com a LEC pelos mesmos motivos, porque as duas ligas mantiveram-se em reformulação ao longo dos anos. Ninguém conhecia o Caps há dois, três anos. Não tem um Caps no Brasil. O Dynquedo, por exemplo, poderia ser um, mas não teve sua imagem trabalhada o suficiente para isso.

O Ranger tem todo o potencial para ser um Doublelift, mas é a mesma questão de trabalhar imagem. brTT é o ídolo mais sólido do cenário, ao lado de YoDa e, talvez, Revolta — que anseiam no Circuito Desafiante a volta ao CBLoL.


Talvez seja idealista, mas eu acredito que tenha como o CBLoL voltar a ser tão legal quanto antes. Que nós, fãs do CBLoL decepcionados e entediados com o campeonato, voltemos a acompanhá-los com a emoção que acompanhávamos nos anos áureos do cenário brasileiro de LoL.

Mas, para isso, as histórias devem ser resgatadas, a transmissão deve ser repaginada, o contato presencial entre os fãs e o competitivo deve ser incentivado e, aos poucos, o resultado internacional precisa voltar a ser otimista, também. E, para isso, o esforço deve vir de todos os lados — mas principalmente de quem vem de dentro.

Esse é meu apelo de fã do CBLoL. Eu espero que, nos próximos meses ou anos, as coisas mudem positivamente para que ainda seja gostoso acompanhar o CBLoL — como têm sido acompanhar outras ligas. O LoL não tá morrendo, muito menos o CBLoL. Ele só tem que mudar um pouquinho pra se consolidar de verdade, com estabilidade, assertividade e retorno.

Eu tenho fé e amor pelo CBLoL. Ele ainda tem jeito.