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Pioneiro em jogos mobile, Playhard é convicto: "Free Fire tem um futuro absurdo"

Playhard tem mais de 8 milhões de inscritos em seu canal no YouTube e sempre deu atenção aos jogos mobile. Reprodução

Lançado oficialmente em dezembro de 2017 com exclusividade para mobile, Free Fire se destacou entre os jogos do estilo battle-royale e já acumula mais de 100 milhões de downloads apenas em dispositivos Android, além de estar no topo de assuntos de vídeos e transmissões de games e atrair cada vez mais jogadores e criadores de conteúdo.

Com mais de 8,6 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, Bruno “Playhard” é um dos grandes nomes do cenário brasileiro de Free Fire. Considerado pioneiro em títulos mobile, ele conversou com o ESPN Esports Brasil sobre o sucesso do jogo durante o lançamento da plataforma de streaming Nimo.TV, realizado em São Paulo na última quarta-feira (5).

“Desde o início, lá em 2014, meu foco tem sido jogos mobile”, lembra. “No começo foi um tiro no escuro, eu gostava mesmo e resolvi fazer conteúdo disso, e com o passar dos meses eu acabei percebendo que era uma tendência que ia crescer cada vez mais. E se você parar pra pensar, hoje o mobile é isso, é um nicho que explodiu tanto ao ponto de jogos como o Free Fire terem uma das maiores audiências em games no Brasil”.

Playhard conta que seu primeiro jogo foi Clash of Clans, que “estourou tanto em players quanto no Youtube, e ninguém mais podia falar que era ‘só um joguinho de celular”. “Era um jogo que faturava mais de 1 milhão de dólares por dia ao redor do mundo, tinha milhões de jogadores ativos diariamente e conseguiu construir um império. A partir daí, a Supercell se consagrou uma grande desenvolvedora e fez outros jogos, todo foram um sucesso”, explica.

Segundo ele, o Free Fire foi um “marco” no cenário de jogos mobile que está tomando proporções “que a gente nem entendeu ainda”. “Eu tinha certeza na época de Clash of Clans que nada ia ser maior que ele. Daí veio o Clash Royale e agora o Free Fire. A gente não sabe onde vai parar”, afirma.

“Somando todas as línguas, o primeiro mundial de Free Fire teve mais de 1 milhão de espectadores simultâneos, quase mais do que os outros grandes torneios de games. [O jogo] Começou o ano passado e já vem muito forte menos de um ano depois. [A Garena] Tem estruturado cada vez mais os torneios, as competições, os times vão se formando, a comunidade vai se aquecendo, as marcas vão entrando - como a Nimo - tudo vai convergindo para provar que o mobile é a próxima tendência que vai crescer cada vez mais”, crava Playhard.

Quando perguntamos os motivos para a fama de Free Fire, Playhard aponta duas coisas: acessibilidade e comunicação por voz. “O jogo traz uma acessibilidade muito boa em celulares de entrada, então a galera que não tem um aparelho de ponta consegue jogar. Isso abre muitas portas pra abrangência do jogo”, garante.

“E outra coisa que acho bem legal, e que os outros jogos não tinham implementado ainda, é a comunicação por voz. Você entra pra jogar com seu time e conversa com ele, faz amizade, e isso prende o cara no jogo. Então acho que tudo isso transformou o Free Fire nesse fenômeno”, complementa.

Playhard também está atento ao promissor cenário competitivo de Free Fire e já tem uma iniciativa na área: a organização Loud. “Eu sou um dos três fundadores da Loud, e hoje você pega os números do nosso time e eles são maiores que de muitos outros da América Latina em três meses de vida. Já dá pra ter uma noção da força do mobile hoje em questão de audiência”, compara.

Os jogadores e streamers na organização até o momento, Vinizx, Mob, GS, Crusher, Coringa, Bradoock e Babi, somam mais de 7,9 milhões de inscritos no Youtube, além de 328 mil curtidas no Facebook e 3,3 milhões de seguidores no Instagram.

No entanto, Playhard confessa que o competitivo de Free Fire ainda “precisa de muito trabalho” na questão de estrutura, números de torneios e premiação. “Um grande problema do battle royale como competitivo que ninguém conseguiu acertar muito bem ainda são os fatores de sorte em uma partida. Se você cai na ilha e toma um tiro, já era. Acho que esse é o principal problema de um battle royale e do Free Fire como competitivo”, aponta.

“O ideal são formatos de torneios nos quais você tem que jogar várias partidas em mapas diferentes para definir qual é o melhor time. Por enquanto, não é assim. Alguns torneios você joga uma única vez, e isso não prova que seu time mereceu ganhar”, complementa. “Tirando isso, Free Fire tem um futuro absurdo pela frente”.

DO HOSPITAL AO FREE FIRE

Mob é uma das grandes promessas da Loud para o Free Fire. O jogador de apenas 17 anos é uma das novas adições da equipe e já está fazendo sucesso com seu canal e suas jogadas.

Em conversa com o ESPN Esports Brasil também durante o evento da Nimo, Mob mostra a diferença das antigas para as novas gerações ao contar que sempre jogou em celular desde pequeno. “Eu nunca tive videogames, então sempre joguei no celular”, lembra. “Nisso, quando saiu Free Fire, comecei a jogar por diversão, e de tanto jogar o dia inteiro, virou uma rotina”.

A “rotina” de Mob, no entanto, era puxada. O técnico de enfermagem acordava às 4h da manhã para pegar o trem e chegar ao hospital - a 70km de distância de sua casa - para o plantão das 7h45. Então, saía do serviço por volta das 13h, chegava em casa duas horas depois e dava início à maratona de Free Fire.

Mob explicou seu amor pelo jogo: “acho que a principal coisa que me fez olhar pro Free Fire foi como eles conseguiram colocaram um jogo tão grande em um celular. É um jogo que poderia ser até de PC, mas é para telefone. Peguei uma paixão de cara com o jogo, porque achei ele sensacional”.

Foi essa paixão e as ótimas habilidades dentro do jogo que fizeram Mob cogitar entrar no competitivo. “Eu achava que não era possível, mas quando vi que era, entrei de cara e hoje estou aqui, jogando campeonato, sendo streamer e crescendo no jogo”.

“Não tenho dúvida nenhuma de que o competitivo de Free Fire vai crescer bastante. Atualmente, ele é um dos jogos mais jogados no Brasil porque todo mundo pode jogar por ser de telefone. Então, ele só cresce e todo mundo quer se profissionalizar”, crava Mob.