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Apoio essencial: Pai de Caps lidera torcida para o filho e a G2 no MSI

Michael Winther, pai de Rasmus "Caps" Winther, torcendo para o filho e a G2 Esports no Mid-Season Invitational 2019 de League of Legends. Riot Games

Rasmus “Caps” Winther, de 19 anos, havia acabado de eliminar o melhor jogador de League of Legends de todos os tempos nas semifinais do Mid-Season Invitational no Heping Basketball Gymnasium em Taiwan. A primeira pessoa a correr para o palco quando a G2 Esports garantiu a vaga na grande final usava um uniforme customizado da equipe com as palavras “Pai do Caps” nas costas.

Michael Winther levantou o punho ao ar, feliz por ver seu filho dar mais um passo na direção de seu sonho. Fãs se reuniam ao redor do Winther Pai, o líder da torcida da equipe. Toda vez que ele começava a entoar, o resto seguia em uma serenata a seu filho, que está prestes a se tornar um dos jogadores de videogame mais reconhecidos do mundo.

Caps e os campeões europeus da G2 eliminaram o tricampeão mundial Lee “Faker” Sang-hyeok em um clássico para avançar à final. Esta será a segunda final internacional seguida de Caps, que chegou até a grande final do Mundial do ano passado com a Fnatic — e perdeu de 3 a 0 para a chinesa Invictus Gaming. Na pré-temporada, ele mudou de lado e deixou o clube no qual estreou competitivamente para se unir ao seu maior rival, a G2, em busca de uma coroa internacional.

“Todos os nossos quatro filhos praticavam esportes como natação, handebol, futebol, e jogavam videogame, contanto que fizessem a lição de casa, etc.”, afirmou Michael Winther. “[O irmão mais velho de Caps] fez faculdade e jogava torneios semanais de Dota 2. Então, ele foi morar sozinho e começou a fazer transmissões ao vivo com os amigos e fez seu próprio time [de esports]”.

Christopher Borregaard “Ryze” Winther começou a jogar Dota 2 profissionalmente em 2012. Apesar de darem apoio, a família não entendeu o escopo do esport de verdade até verem o filho viajar para jogar em países como Taiwan e Ucrânia.

Nessa época, eles viram o potencial em Caps enquanto viajavam com seu filho mais novo para torneios semi-profissionais do League of Legends por toda a Europa. Caps era jovem demais para se tornar um jogador profissional ou se juntar a um time, então Michael conseguiu ver o crescimento de seu filho como um jogador a partir de casa. Ao invés de forçá-lo a estudar ou impedi-lo de viajar, ele confiou em seu filho e deu todos os passos ao longo do caminho com ele. Aos 17 anos, Caps ingressou na Fnatic para o início da temporada de 2017.

“Ele assiste a todos os nossos jogos”, disse Caps na coletiva de imprensa após a semifinal. “Toda vez que temos um jogo importante, uma partida internacional ou final [doméstica], ele está sempre lá. E ele acompanha todos os nossos jogos da fase regular, então isso significa muito para mim. Também sei que grande parte da minha família está assistindo de casa, e isso me ajuda, especialmente nessa semifinal. Estávamos atrás na série [prestes a sermos eliminados], mas o público torceu por nós. Eu sei que meu pai se esforça bastante para que o público torça para a G2, então isso definitivamente significa muito e nos ajudou a virar a série”.

No segundo jogo da semifinal, quando a SKT estava na frente do placar após uma vitória dominante na primeira partida, o pai animou o filho. No meio das cadeiras da plateia, vestido nas cores da G2 e com uma bandeira no colo, Michael ficou com os olhos colados nas telas, vibrando com os palitinhos iluminados de torcida sempre que a G2 voltava para o jogo.

Quando Caps venceu a segunda partida e empatou a série em 1-1 com um pentakill, eliminando todos os cinco membros da SKT com sua Akali, Michael foi o primeiro a se levantar do assento e correr para a frente do palco para celebrar a conquista do filho. Toda vez que as câmeras da Riot se voltavam para ele, Michael chacoalhava a bandeira da G2 — para o delírio do público, que irrompia em uma torcida quase tão alta quanto a direcionada aos jogadores.

Dentro e fora do local de jogo, o pai pode ser mais popular que o filho. Sozinho pela maior parte do tempo, Michael gosta de explorar e tirar foto com todos os cosplayers do evento, mergulhando no mundo ao qual seu filho dedica vida. Em uma das interações, ele pediu para tirar foto com uma das várias cosplayers de personagens do jogo, mas não percebeu que já havia uma fila se formando para tirar uma foto com ele.

“Minha missão aqui é filtrar o [ódio] digital e falar com as pessoas mais legais”, explicou Michael. “Quando você as conhece na vida real, a maioria é amigável”.

Ao longo de sua aprendizagem sobre o mundo de League of Legends, o Winther Pai também aprendeu sobre a lenda conhecida como “Faker”. Ele nunca imaginou que seu filho iria competir contra um jogador conhecido como “Deus” e “O Rei Imortal”, assim como o pai de um jogador de futebol juvenil nunca pensaria que seu filho estaria no mesmo campo que Lionel Messi. Mesmo que, na estreia de sua carreira profissional, Caps tenha recebido o apelido de "Baby Faker" para enfatizar seu enorme potencial.

Apenas alguns anos depois, lá estava Caps, considerado um dos melhores jogadores da atualidade, enfrentando o lendário Faker na frente de milhares.

No quinto e último jogo da série, a G2 conseguiu uma vantagem inicial antes de desperdiçar parte de sua vantagem, para o desalento de Michael e do resto do pequeno, mas barulhento, contingente da G2 na multidão.

“Meu coração e meu corpo queriam ajudar... sentindo a qualquer momento que uma mudança pudesse acontecer... e então a G2 ganhou!”, exclamou Michael, revivendo os momentos finais e estressantes do jogo que levaram seu filho a outra grande final. “Caps se esforçou e trabalhou muito para uma nova era... É possível acreditar”.

A história de Caps ainda não chegou ao fim. Faker pode ter sido derrotado (por agora, de qualquer forma), mas a grande final ainda o aguarda. A Team Liquid está no caminho para a G2 se tornar a primeira campeã ocidental de um torneio internacional de League of Legends desde o Mundial inaugural, em 2011. Desde então, a cena foi completamente dominada pela Coreia do Sul e, recentemente, a China. Até Taiwan garantiu um título mundial em 2012, enquanto a América do Norte e a Europa assistiam a tudo de fundo e em silêncio.

“Amanhã, daremos tudo de nós”, afirmou Caps. “Acho que da última vez, nós… bom, eu, pelo menos, desrespeitei muito a TL, pensando ‘bom, é só o NA’. Amanhã, eu os respeitarei um pouquinho mais, e talvez vençamos”.

Uma vitória para Caps cementaria seu status como um craque europeu e colocaria seu nome na lista de possíveis melhores jogadores do mundo nos dias de hoje. Há cinco anos, seu pai o assistia em casa, sem entender o jogo pelo qual seu filho havia se apaixonado. Agora, juntos — Caps no palco e seu pai na plateia, com a bandeira na mão e o mesmo uniforme — estão dominando o mundo.