A equipe dinamarquesa da Astralis domina Counter-Strike no momento. O time espanhol da Origen voltou para o cenário de League of Legends na Europa. Os torneios da BLAST têm se tornado um dos maiores nomes do cenário competitivo mundial e em breve desembarcará em São Paulo. O que todos eles tem comum? A RFRSH Entertainment, que vem despontando no mundo dos esports como uma das principais companhias do ramo.
A empresa não está para brincadeira. Com uma visão profissional e de vanguarda em tudo o que envolve os esportes eletrônicos, tem conseguido patrocínios de alto calibre, como é o caso da Audi. Com isso, as equipes que andam em baixo desse guarda-chuva, vem ganhando evidência ao redor do globo.
O ESPN Esports Brasil conversou com Steen Laursen, diretor de comunicação e marca da RFRSH, para entender como funciona sua ação na indústria dos esports, como tratam suas equipes, como se deu a escolha de São Paulo como sede de um BLAST e muito mais da equipe.
A RFRSH está recebendo mais atenção em todo o globo, incluindo patrocinadores fora da indústria dos videogames - a Audi foi uma das grandes adições a estampar a camisa Origen. É um grande passo para uma empresa que tem apenas alguns anos no mercado dos esports.
“Investimos pesadamente em uma organização com algumas das pessoas mais experientes nos esports, mas também em pessoas com grande experiência em cargos de liderança na indústria geral de entretenimento, tecnologia e esportes tradicionais", conta Laursen. "Hoje, somos mais de 50 pessoas em nossos escritórios em Copenhague e em Londres, e sinceramente não acho que você encontrará muitas organizações, se houver alguma, com uma profunda percepção e conhecimento que temos em nossa equipe”.
Steen vê a conexão com a Audi como um poderoso passo para o futuro da RFRSH - a montadora já foi patrocinadora da Astralis. O diretor diz que esse movimento é benéfico para a companhia “não posso falar em nome da Audi, mas de nossa parte parece trata-se de algo certo. Tanto o primeiro como o novo acordo com a empresa são significativos para a RFRSH. Ao entrar em uma parceria estratégica como esta, muitos fatores são levados em consideração, incluindo a financeira. É de suma importância que a RFRSH se junte a marcas e organizações que podem [e vão] contribuir ativamente para fortalecer nossa posição global - tanto com o universo do esports quanto com o público em geral”.
O diretor completa sua resposta com um alerta para que as empresas saibam em quem estão investindo: “o primeiro acordo que fizemos com a Audi foi o pioneiro do tipo na indústria dos esports e, desde então, vimos outras grandes marcas não endêmicas se envolverem. Tenho certeza de que esse desenvolvimento vai continuar, mas é importante que as marcas encontrem as organizações certas para trabalhar - há muita coisa acontecendo no esports agora, e muitas armadilhas - mas certamente há muitas oportunidades e um potencial enorme se você fizer as coisas direito”.
Em 2016, muitas organizações europeias foram à imprensa anunciar que mercado não estava pronto para os esports. Na contramão, a RFRSH fez diversos acordos com grandes patrocinadores desde então. Perguntamos a Steen se o mercado europeu está mais favorável para empresas patrocinadoras de esports atualmente e o que mudou desde 2016.
Para ele, o cenário ainda não pode ser não ter se consolidado totalmente, mas acredita que sua tem um uma forma diferente para trabalhar com esports: “de certo modo, as organizações naquela época estavam certas - e até certo ponto ainda é o caso. Mas vimos um desenvolvimento muito positivo e muitas áreas se tornaram bem mais profissionais. O que nós da RFRSH oferecemos é um nível totalmente diferente quando se trata da organização e da maneira como trabalhamos o mercado".
Ele complementa: "Não há diferença entre nós e qualquer uma das organizações de esportes ou entretenimento mais profissionais quando se trata de parcerias, transmissões, envolvimento de torcedores ou atividades de relações públicas. Eu até me atrevo a dizer que estamos à frente em muitas áreas. Essa é uma das nossas prioridades desde que fundamos a RFRSH para investir na organização e garantir a equipe e o gerenciamento mais qualificados em todos os níveis”.
COMO LEGÍTIMOS PROFISSIONAIS
A Origen é uma marca muito ligada à xPeke e muitos se questionaram o motivo pelo qual a empresa resolveu adquirir uma equipe e não levar o nome da Astralis para a LEC, Steen explica dizendo que "primeiro de tudo, nós não queríamos usar o nome Astralis, pois ele é fortemente conectado ao Counter-Strike. Quando dois torcedores de nossas equipes se encontram, eles devem saber imediatamente qual equipe apoiam. No que diz respeito a Origen, no entanto, há um elo com a Astralis, já que as duas organizações são bastante semelhantes. Ambas foram iniciadas por jogadores e têm muitas semelhanças. Vimos o enorme potencial em trabalhar com xPeke para revitalizar uma marca e uma equipe que foi muito querida pelos fãs, então quando analisamos o potencial e as possibilidades, não tivemos dúvidas sobre ir com a Origen”.
Seria isso um sinal de uma nova era do mundo dos esports? Afinal outras organizações possuem "nomes fantasia" para diferentes esports, como Immortals e MIBR. “Por um lado, acho que é muito importante que cada equipe tenha uma identidade própria. É algo importante para os fãs, para as marcas se envolverem, para as emissoras e, basicamente, para todas as partes interessadas. Você não dobra o valor de nenhuma das partes interessadas por ter duas equipes com o mesmo nome”, conta o diretor.
Sobre a Astralis e Origen, vimos uma equipe muito forte em 2018 e sabemos que a infraestrutura da RFRSH é uma das razões pelas quais isso aconteceu. O uso de psicologia esportiva é o tópico mais falado. Podemos esperar o mesmo tratamento para os jogadores da Origen? De que forma ajudará a Origen a crescer da mesma forma que ajudou a Astralis?
Steen Laursen revela que a preparação de uma equipe vencedora, além força dentro do jogo, deve estar preparada fora dele: “o modelo de desempenho inclui tanto um psicólogo esportivo, mas toda uma série de outros elementos, incluindo a forma como treinamos, a maneira como nos comunicamos, exercício físico, foco em uma dieta saudável e estilo de vida em geral. Ao formar o elenco e trabalhar com uma equipe, operamos exatamente como a maioria dos maiores atletas e clubes esportivos tradicionais".
O executivo continua: "Nosso diretor tem uma equipe técnica que inclui alguns dos profissionais mais qualificados em suas áreas, mas até mesmo o jogador mais jovem vai melhorar significativamente seu jogo apenas se mantendo em forma, comendo direito e oxigenando seu cérebro. É importante para nós que os nossos jogadores sejam modelos e só se tornem mais importantes à medida que esports crescem”.
A BLAST PRO SERIES É AQUI
Quanto à BLAST Pro Series, há muitos torneios importantes de Counter-Strike, mas a RFRSH conseguiu fazer algo diferente. Como foi a decisão de fugir dos padrões da indústria e criar algo diferente? Steen responde que o feedback das partes envolvidas acabou gerando seu formato.
“Levamos um ano para chegar ao formato atual, conversando com fãs, jogadores, organizações, patrocinadores e emissoras de todo o mundo. Uma grande preocupação para todos era o fato de que você nunca sabia quem estaria jogando na arena no fim de semana. Os fãs nunca podiam comprar um ingresso para ver seu time favorito ao vivo, já que não sabiam se eles realmente iriam se classificar. Sempre perguntamos aos fãs sobre sua experiência e é óbvio que criamos algo que envolve uma competição justa e um show de entretenimento digital ao vivo que você não encontra em nenhum outro lugar”, diz.
São Paulo receberá um BLAST Pro Series. A RFRSH tinha outros destinos ou simplesmente escolheram a “terra da garoa”? O gerente responde: “a BLAST Pro Series é um torneio especial que só vai para cidades especiais. Consideramos outros lugares no Brasil, mas estamos trabalhando em estreita colaboração tanto com o MIBR quanto com outros principais nomes brasileiros, e com base no feedback deles, na nossa própria experiência e o que trazemos para a cidade, esperamos que o evento em São Paulo supere tudo o que vimos no esports até agora. Certamente será um evento marcante”.
Os brasileiros estão realmente empolgados com o torneio, mas ainda não temos muitas informações. É o primeiro Blast de 2019, então podemos esperar algo diferente em relação ao formato ou qualquer outra novidade? Teremos time brasileiro convidado além do MIBR?
Steen se esquiva, mas comemora o evento: “Anunciaremos as equipes em um futuro próximo. O Blast não é um circo que viaja pelo mundo com o mesmo show de novo e de novo. Estamos constantemente aprimorando nosso conteúdo, e esperamos começar a temporada com um espetáculo. Estamos trabalhando em melhorias para os torcedores em São Paulo, que terão um papel importante no show ao vivo, e também para as transmissões. Dois meses parecem uma eternidade - mal podemos esperar para abrir esta temporada!”
Como se dará a escolha dos participantes? Nas edições de 2018 não tivemos qualificatórias, apenas convites. A América do Sul é uma região que adora competir e se esforça ao máximo nas eliminatórias online. É possível que o Blast São Paulo tenha um SA ou uma qualificatória? Steen: “tudo é possível. Ouvimos a comunidade local e os torcedores, então veremos como podemos incluir todo mundo”.
