Não é só a torcida brasileira que está ansiosa para ver a reunião brasileira na MIBR. Líder da principal equipe de Counter-Strike: Global Offensive do mundo, Lukas “gla1ve” Rossander também espera por grandes resultados para o quinteto.
“Não tenho dúvidas que nossos bons amigos da MIBR vão aparecer muito fortes. Eles tiveram alguns problemas de comunicação no ano passado, mas agora isso acabou, veja sua nova escalação”, afirmou o capitão da Astralis em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.
Para gla1ve, as contratações de Epitácio “Taco” Filho, João “felps” Vasconcellos e Wilton “zews” Prado vão recolocar os brasileiros nos trilhos. A aposta do dinamarquês é que a equipe volte a brigar com a Astralis pelos principais títulos.
“Eles vão ser um time de topo em 2019 e realmente espero que eles tenham sucesso. Queremos jogar e ganhar contra eles, mas há tanto respeito entre os times e os jogadores que, mesmo que competimos um contra os outros no palco, eu gosto de assistir a MIBR e eles são grandes amigos”, completou.
ROTINA CAMPEÃ
A Astralis teve um 2018 memorável. A equipe dinamarquesa venceu 11 títulos internacionais e de quebra faturou o primeiro Intel Grand Slam - adicionando US$ 1 milhão extra para seus cofres.
“Foi um ano incrível para nós, mas também foi muito difícil. Trabalhamos duro para conseguir o que conseguimos e a competição é extremamente dura”, destacou gla1ve.
De acordo com o jogador, não basta só se preparar dentro do servidor. Para chegar a um nível de domínio nunca alcançado antes, a Astralis também se preparou de outras formas.
“Introduzimos um novo modelo, que inclui treinamento físico, dieta saudável, preparação psicológica e, no geral, uma vida como a de qualquer profissional de outros esportes. Isso não tira nossa paixão do jogo, nenhum pouco, e nos deu ferramentas novas de melhorar nosso desempenho”, completou.
Para gla1ve, não basta só que as equipes busquem inspiração da Astralis assistindo demos e analisando estratégias. A parte extra-jogo que a equipe desenvolveu também é importante - e não só para os jogadores profissionais, mas também para qualquer pessoa.
“Acho que todos deveriam olhar para o que nós conseguimos fazer com a ajuda da RFRSH. Não importa se você joga CS, outro jogo ou simplesmente quer ser melhor no que você faz. [Para isso é importante] viver uma vida saudável, comendo e bebendo as coisas certas, mantendo-se em boa forma, alcançando um balanço psicológico e lembrando de tomar um ar fresco para o seu corpo e seu cérebro”, afirmou.
“São coisas que vão te fazer melhor no que você faz, não importa o que isso seja. É algo que espero que todas as crianças aprendam também. Se você quer ser o melhor, não é só sobre o jogo, mas sim sobre ser saudável, pronto, de cabeça limpa, tirando um tempo para fazer as coisas fora do jogo”, completou o capitão da Astralis.
Conseguir implementar essa nova rotina foi complicado, por isso, gla1ve decidiu se desligar completamente do jogo durante suas férias.
“Quando elas começaram, eu simplesmente desliguei o computador e não fiz nada. Eu vi minha família, meus amigos, e fizemos coisas que não conseguimos durante a temporada. Eu estou muito feliz de que conseguimos relaxar, mas não vejo a hora de jogar novamente”, destacou.
UM ANO QUE PROMETE
Todos títulos conquistados pela Astralis na última temporada colocam os dinamarqueses como time a ser batido em 2019. Depois de deixar os adversários comendo poeira no ano passado, a equipe se prepara para forte concorrência que terá nos próximos torneios.
“Vai ser um ano fantástico de Counter-Strike. 2019 pode ser um dos anos mais empolgantes até hoje, pois nós queremos continuar melhorando, mas há tantos times bons e todos melhoraram”, contou gla1ve.
“Sabemos que olham para gente como inspiração, assim como nós fizemos com outros times no passado. Isso significa que não podemos ficar parados e temos que melhorar se quisermos vencer mais troféus. Nós queremos, queremos vencer cada jogo que a gente joga, assim como também querem MIBR, NiP, Liquid, FaZe, Na`Vi e todo mundo lá fora. Respeitamos muito esses caras e eu acho que vamos ver o nível mais alto do CS esse ano”, completou.
JANTAR DINAMARQUÊS
Alguns times já explicitaram esse desejo de destronar a Astralis - e a MIBR foi um deles. Entre as diversas equipes que promoveram mudanças na escalação, os brasileiros deixaram claro que o objetivo é “jantar dinamarquês”.
Para gla1ve, tuítes e brincadeiras como essa só mostram o quão “famintos e determinados” estão Gabriel “FalleN” Toledo e companhia.
“É disso que estou falando (risos). Eles estão tão famintos e determinados para serem os melhores. Quando FalleN diz isso é porque somos os atuais primeiros do ranking e o time a ser batido”, contou.
O dinamarquês, inclusive, vê o quinteto brasileiro como o principal adversário da Astralis para a nova temporada.
“Eu certamente acho que eles vão ser um dos melhores times de 2019 e vão exigir muito de nós. [Astralis contra MIBR] será, provavelmente, a maior rivalidade dos palcos em 2019”, cravou gla1ve.
“Espero que a gente consiga jogar contra eles na Blast Pro Series em São Paulo. Eu amo os fãs brasileiros, mesmo que eles sejam duros e contra nós. É um engajamento que eu realmente respeito e admiro”, completou o jogador.
Questionado sobre a presença da Astralis - de propriedade da RFRSH Entertainment, que também comanda a Blast Pro Series -, gla1ve disse que isso ainda não está certo.
“Eu ainda não sei se vamos jogar. Eu espero que sim, muito por conta do público brasileiro. O último evento que jogamos em Portugal foi muito insano e teve uma torcida ótima, mas todos dizem que os brasileiros são ainda mais barulhentos”, afirmou.
“Caso a gente jogue na Blast São Paulo, o duelo com a MIBR vai ser muito intenso. Vamos ver. Eu quero jogar no Brasil em algum momento, eu amo os fãs de lá”, completou.
PRESSÃO NO MAJOR
Para começar 2019 como terminou 2018, vencendo, a Astralis já está de olho na IEM Katowice - o próximo major. Apesar de ter um compromisso no iBuypower Masters IV antes, a equipe dinamarquesa almeja a conquista do título mais importante do início da temporada.
Gla1ve sabe, porém, que não será nada fácil. Ainda mais porque todos estão de olho na equipe.
“Vencer dois majors consecutivos seria incrível. É um sonho, mas será provavelmente o campeonato mais difícil que jogaremos esse ano. Ou um dos. Todos vão estar nos perseguindo e estamos por nós mesmos”, afirmou o capitão.
“Vai ser difícil, porque vários times estão melhorando e parecendo bem. E todos eles sabem como jogamos em 2018. Se queremos ter uma chance de vencer, precisamos melhorar e desenvolver o nosso jogo”, completou.
O dinamarquês também destacou a preparação do time, que começou de uma maneira nada convencional.
“Tivemos uma ótima experiência de construção da equipe em um velho barco militar, onde permanecemos por três dias e a preparação começou lá. Mas, mais uma vez, todos querem vencer o major e precisamos manter a humildade quanto a isso”, finalizou.
