Reconhecendo a alta popularidade dos esportes eletrônicos entre os jovens, a Prefeitura do Rio de Janeiro quer utilizar o esport no combate aos índices de evasão nas escolas e nos centros socioesportivos conhecidos como Vilas Olímpicas. O primeiro passo será dado já neste ano e trata-se da implementação de salas de treinamento para a prática dos esports nas Vilas.
Ao ESPN Esports Brasil, o coordenador de esportes e inclusão social da Subsecretaria de Esportes e Lazer do Rio, Michel Lima, afirma que o projeto-piloto será feito na Vila Olímpica de Vila Isabel em conjunto com uma incubadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O coordenador revela que o município cederá um espaço na Vila Olímpica e abrirá uma atividade sistemática. "Como existem as aulas de futebol, basquete e natação, a gente vai definir na semana um período para aulas de determinadas modalidades eletrônicas. Ou vamos definir um jogo exclusivamente, ou vamos fazer uma mostra de jogos e, via experimentações, selecionaremos as modalidades farão parte da atividade", explica.
Michel Lima aponta que “existe uma evasão de alunos da rede municipal de ensino, com idade entre 13 e 17 anos, sendo esta a mesma evasão de alunos das Vilas Olímpicas”, e que atual gestão entende que “os jogos eletrônicos podem ser uma forma de voltar com esses alunos para as escolas e para as Vilas”. Segundo o coordenador, nas escolas a evasão está “acima de 30%” e nas Vilas, “é maior”.
Responsável pela pasta, o subsecretário de esportes e lazer da cidade, Gustavo José Freue, revela que a iniciativa será apoiada também pela Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esporte Eletrônico (FERJEE), que cuidará da qualificação da mão de obra.
Segundo o subsecretário, a Prefeitura do Rio de Janeiro começou a acompanhar os esportes eletrônicos mais de perto logo após o Parque Olímpico, no fim do primeiro semestre de 2018, receber um grande evento, que despertou na secretaria o “interesse de viabilizar a criação de salas de treinamentos para a prática dos esportes eletrônicos” nas Vilas Olímpicas.
"A ideia não é criar um projeto novo, mas sim implementar nas Vilas as atividades dos jogos eletrônicos. Nossa proposta é finalizar 2019 com três polos de jogos eletrônicos nas Vilas Olímpicas, com o projeto-piloto e duas réplicas", afirma Gustavo Freue.
Questionado pela reportagem sobre o quanto de recursos a Prefeitura pretende destinar a essa iniciativa, o subsecretário responde dizendo que “não temos cálculos com relação aos recursos”. Gustavo continua explicando que “a primeira iniciativa será feita dentro dos contratos existentes” e revela que a secretaria já fez "uma consulta a Procuradoria" em busca de um aval "com relação a implementação de uma nova atividade num contrato já existente" porque "os contratos das Vilas foram licitados sem especificar os esportes eletrônicos".
Se por um lado a Vila Olímpica de Vila Isabel foi escolhida para receber o projeto-piloto, os outros centros socioesportivos que vão receber o projeto ainda não foram definidos. O subsecretário explica que “temos que ver dentro dos contratos quais Vilas possuem mais capacidade de absorver uma estruturação de uma sala de treinamento e profissionais”. Gustavo afirma ainda acredita num trabalho geográfico para atender toda a cidade: “deve ser uma [Vila] em cada canto da cidade; uma na Zona Oeste, outra na Zona Norte e assim por diante”.
O subsecretário revela que a capacitação dos profissionais que participarão do projeto está a cargo da FERJEE e que neste mês de janeiro a secretaria vai se reunir com a Federação carioca para a estruturação da iniciativa. “Vamos desenvolver mais como será o projeto, se vamos dividir por carga horária, dividir por jogos ou por aulas”, explica.
Gustavo Freue finaliza relembrando que, atualmente, “as Vilas Olímpicas estão contempladas pelo projeto liderado pela secretária da educação chamado Vilas Olímpicas e Escolas (VIES), que tem como objetivo trazer as crianças das escolas para dentro das Vilas a fim delas degustarem as atividades que lá são oferecidas e as modalidades eletrônicas serão mais algumas dessas atividades”.
“A gente tem certeza que tendo uma atividade dessa [esporte eletrônico] estamos trazendo para as Vilas Olímpicas um público que, na teoria, não é nosso. Temos a oportunidade de trazer um público novo para um equipamento público que, consequentemente, podem fazer uma atividade esportiva paralela e mais tradicional”, analisa o subsecretário.
