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Opinião: FIFA 19 tem o que é necessário para recriar a era de ouro do futebol

A “época de ouro” do futebol em toda sua glória no FIFA Reprodução/EA Sports

FIFA 19 traz a terceira temporada do modo Jornada, no qual controlamos o destino do aspirante a estrela do futebol mundial, Alex Hunter. No entanto, o que mais chama a atenção no modo não são os confrontos da Champions League, as jogadas de Hunter pelo Real Madrid ou sua meia-irmã defendendo a seleção norte-americana, mas uma simples partida que é disputada logo após a retrospectiva de Jornada.

Trata-se do segundo tempo do encontro entre Burnley Football Club e Coventry City Football, no qual o avô de Alex, Jim Hunter, está em campo na busca pelo centésimo gol de sua carreira. O jogador de FIFA 19 tem um “choque” ao ver a recriação de um jogo de futebol do passado, uma típica partida inglesa, com direito a um jogo físico e lama acima da média.

A EA Sports acertou ao dar “vida” a um momento importante da vida Jim, um personagem importante na vida do protagonista de Jornada. Por que não expandir esse momento de nostalgia para o game como um todo?

ÍDOLOS DO PASSADO

FIFA 19 tem o que é necessário para trazer a glória do passado do futebol. Se a franquia conseguiu em FIFA 19 a última grande licença, a Champions League, chegou a hora de expandir, em um movimento semelhante ao que fez com a expansão da Copa do Mundo de 2018: um modo no qual o futebol de décadas passadas estivesse à disposição do jogador.

Problemas de licença à parte, que tal disputar torneios nacionais quando o Botafogo tinha Garrinha e o Santos contava com Pelé. Que tal irmos para os anos 70 e jogar com a Academia do Palmeiras ou o Inter campeão invicto? Times fortes? Iríamos com versões de Flamengo e São Paulo da década de 80 do século XX.

Passando para a esfera internacional, seria legal reviver momentos importantes das grandes ligas, quando o Madrid era comandado por Alfredo Di Stéfano, as ligas italiana e alemã ganhavam cada vez peso e o campeonato da Inglaterra dava seus primeiros passos rumo a vanguarda atual. Que tal jogar com o Nottingham Forest bicampeão da Liga dos Campeões, capitaneado pelo técnico Brian Clough, contra o Napoli de Diego Maradona? Seriam diversas possibilidades.

FIFA arranha essa ideia com os Ídolos, grandes jogadores do futebol mundial que são representados em cards especiais no modo Ultimate Team. Tem Pelé, Ronaldinho Gaúcho, Fenômenos e muitos outros jogando juntos com craques da atualidade. Por que não expandir essa interação entre as gerações, colocando times de hoje e de ontem uns contra os outros?

PACOTE COMPLETO

Quando digo que gostaria de jogar esse modo especial do passado, falo em um “pacote completo”. FIFA 19, ou seus sucessores, poderiam explorar esse túnel do tempo e buscar uma experiência completa. A partida de Jim Hunter é no meio da lama, com um filtro na tela para sugerir uma transmissão para as velhas “TVs de tubo”.

Como seria no game essa transformação? Além dos times, o jogo poderia ser adaptado. O projeto gráfico na tela teria fontes da época e menos elementos ilustrativos. Gostaríamos de ver a recriação de grandes estádios em versões anteriores a grandes obras e uniformes com menos publicidade. O jogo em si seria mais cadenciado, para que se respeitasse uma época que o condicionamento físico seria um foco menor.

Para realizar esse projeto, que poderia surgir como uma expansão ou um modo de jogos independente, o trabalho maior seria a aquisição de licenças e direitos de uso de jogadores e equipes do passado. Na parte técnica, o game já alcançou um nível aceitável de qualidade, bastando que sua programação foi acertada para a recriação de períodos diferentes da história do futebol.

Para que viveu, seria uma dose cavalar de nostalgia. Para quem curte a história do futebol, uma experiência única. Para os mais novos, um caminho para enriquecer seu conhecimento do esporte.