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A Fnatic, o Mundial de LoL de 2018 e a dor da esperança

Fnatic momentos antes de disputar a final do Mundial de League of Legends de 2018 Divulgação/Riot Games

Com confete dourado caindo do céu no Incheon Munhak Stadium, a Fnatic viu seu adversário se tornar campeão mundial de League of Legends em 2018.

Ao contrário de anos passados e suas finais, os integrantes do elenco da Fnatic não estavam caídos em suas cadeiras ou desabados sobre suas mesas, com lágrimas escorrendo em seus rostos. Todos os jogadores estavam de pé, semblantes que misturavam olhares de confusão e frustração. O líder da equipe, Martin "Rekkles" Larsson, encarou o frio noturno de novembro sul-coreano, com a fumaça e confete nublando sua visão, e a lembrança do 3-0 contra a Invictus Gaming da China provavelmente ainda pairando em sua mente.

Esperava-se que a final do mundial de League of Legends em 2018 fosse a mais parelha possível. As duas equipes já haviam jogado na fase de grupos, sendo três jogos empolgantes e tensos, com a europeia Fnatic fechando com duas vitórias e apenas uma derrota.

O que ocorreu foi exatamente o contrário. Foi a final mais rápida da história dos mundiais. O tempo total de jogo combinado das três partidas foi de pouco mais de 85 minutos. Nenhum dos jogos durou mais de 33 minutos, e o mais longo, o segundo, só foi estendido graças a erros casuais do finalista chinês. A iG estava “brincando com sua presa” no palco principal do LoL. O topo da equipe, Kang "TheShy" Seung-lok, tratou a maioria das séries como se fosse uma partida casual com amigos, investindo contra torres por diversão.

Foi rápido e doloroso. Os torcedores ocidentais que esperavam ver a primeira equipe não-asiática a levantar a Summoner's Cup ficaram tão estupefatos quanto os jogadores. Cada prognóstico ao longo do torneio apontava para a Fnatic não só ser capaz de ganhar o título, mas também ser a favorita a ganhar tudo. Eles já haviam despachado a iG em seus dois últimos jogos.

No dia de imprensa, a equipe se sentou em fila dentro do LoL Park, em Seul. Não houve sorrisos ou risos sobre a chegada à final. A Fnatic não era uma “história de Cinderela” que desafiava as expectativas. Eles eram os campeões europeus em sequência, a melhor equipe ocidental de todos os tempos em League of Legends, e prontos para vencer o campeonato mundial.

"Estou aqui para vencer", disse Rekkles no dia da imprensa, inabalável quanto ao seu objetivo.

A dor da perda vem das consequências oriundas da esperança. Ao contrário de outros mundiais, nas quais uma equipe ocidental chegar longe ser uma vitória moral, independentemente de onde fossem eliminados, a Fnatic realmente acreditava na conquista. Os torcedores, em menor número em Incheon, envoltos em bandeiras europeias e o laranja da Fnatic, ainda acreditavam mesmo quando o placar apontava um 0-2 na série que a Fnatic poderia voltar. A equipe conquistou a confiança dos torcedores ao longo do ano com suas atuações, e foi por isso que, quando a iG “colocou o último prego no caixão”, doeu mais do que se tivessem perdido para a C9 nas semifinais ou se não tivesse se classificados na fase de grupos.

A Fnatic trouxe uma esperança legítima para uma parte do mundo que só consegue imaginar o título do mundial desde a entrada da Coreia do Sul no cenário em 2012. Os fãs ocidentais não sonhavam com uma equipe vencendo a final. O sonho era a semifinal. Talvez, se todas as estrelas da galáxia estivessem alinhadas, pudessem chegar à final antes de serem destruídas na decisão por uma SK Telecom T1 ou Royal Never Give Up.

Pela primeira vez desde 2012, a Fnatic era boa o suficiente para não só chegar à final, mas vencê-la. O império sul-coreano havia caído e a favorita do torneio, a Royal Never Give Up, fora eliminada nas quartas-de-final. Tudo combinava perfeitamente para que a Fnatic fosse a heroína de Incheon. No entanto, tudo desmoronou em questão de minutos. Uma fase ruim de rotas se transformou em um acúmulo de erros até que a série terminou num piscar de olhos, com a sensação de ter sido mais curta do que a cerimônia de abertura que veio antes dela.

Deixando a Coreia do Sul, a Fnatic tem muito com que se orgulhar. Ela massacrou a Cloud9 nas semifinais. Venceu seu grupo sobre a Invictus Gaming. Lutou nas quartas de final, onde não estava no seu melhor contra outro adversário chinês, a Edward Gaming. Dois títulos europeus domésticos. Rift Rivals. Semifinalista do Mid-Season Invitational. Prêmios individuais. A lista de conquistas é grande. Ela pode manter a cabeça erguida, mesmo com a derrota na final, como a maior equipe ocidental de todos os tempos.

No entanto, ao embarcar no avião e voltar para casa, esperando que as semanas se passem até que a pré-temporada de 2019 comece, a derrota na final vai doer mais do que qualquer derrota que tenha ocorrido antes. Às vezes, uma expressão vazia e um estado neutro podem mostrar muito mais angústia do que uma queda na cadeira ou uma explosão de emoção descontrolada.

Dói porque a Fnatic poderia ter ganhado tudo.

Esta foi uma equipe que não queria vitórias morais. Eles não queriam ser classificados como o melhor time ocidental da história.

Eles queriam ser o melhor time da história. Nenhum prêmio individual ou vitória moral será suficiente para mascarar essa dor.