As mudanças anunciadas pela Blizzard para o ano de 2019 da Overwatch Contenders ligou um alerta na comunidade brasileira. A divisão sul-americana é uma das que vai sofrer com cortes de times, redistribuição de premiação e outras alterações para as temporadas do ano que vem.
Em conversa com o ESPN Esports Brasil, membros da cena local destacaram alguns pontos da mudanças que já foram anunciadas pela Blizzard - que prometeu mais novidades nos próximos meses.
“Até o momento, eu estou muito receoso com essas mudanças. Elas podem ser tanto extremamente boas quanto extremamente ruins para o cenário em geral. Eu estou com um pé atrás em relação à elas”, afirmou Enrico "Pardal" Pace, suporte da UP Gaming.
Um dos jogadores mais conhecidos do Brasil, Eduardo “dudu” Macedo vê as mudanças prejudicando mais as regiões mais fortes. Recentemente, dudu anunciou seu afastamento da Brasil Gaming House e sua aposentadoria das competições.
“As mudanças anunciadas não ajudam o cenário, mas também não prejudicam tanto quanto em outras regiões mais fortes como a sul-coreana, por exemplo. Acho que vai ser uma piora bem considerável para eles”, contou.
Felippe “Feco” Linhares, figura proeminente da comunidade sul-americana e moderador de uma série de canais de discussão, acha que ainda faltam informações sobre itens importantes, mas explicou algumas das mudanças já aplicadas pela Blizzard.
“A questão da mudança de três para duas temporadas por ano pode vir a ser positiva por ter um melhor formato de grupos, ou liga, já que não anunciaram o formato. Será mais longo e mais fácil de acompanhar, e, provavelmente vai liberar valores para possíveis presenciais”, destacou.
“Já a redução de times vai beneficiar os que hoje em dia sempre se mantém no topo, com a questão de premiação. Mas também irá dificultar mais o acesso, já que as vagas serão mais restritas”, completou.
CARREIRA PROFISSIONAL
Com os esports de Overwatch se popularizando cada vez mais, é natural que o interesse de jogadores casuais em seguir uma carreira profissional aumente. Mas, enquanto a Overwatch League esbanja dinheiro, a cena amadora e semiprofissional ainda sofre com a falta de apoio. Para quem quer começar, se dedicar exclusivamente ao jogo não é uma boa ideia.
“Por enquanto, eu recomendo usar o Overwatch ‘profissional’ que temos na América do Sul como uma fonte de renda extra, junto de um trabalho convencional. Viver de Overwatch hoje em dia é literalmente impossível”, contou Pardal.
“A melhor coisa a se fazer é continuar levando a vida normalmente e, no seu tempo livre, jogar. No momento não acho que largar os estudos ou até mesmo uma carreira para se tornar jogador profissional de OW seja algo minimamente viável no Brasil”, completou dudu.
Para Feco, quem quer perseguir uma carreira nos bastidores tem uma preocupação menor.
“Muitos dos que fazem trabalhos como o meu possuem outras funções dentro da cena. Alguns são jornalistas, trabalham para empresas de mídia ou até trabalham como gerentes em times. Outros são apenas entusiastas como eu, então acaba sendo mais ‘fácil’. Mas, a gente fica com receio de que o que a gente gosta acabe de uma hora para a outra”, destacou.
Para o trio, conseguir jogar em uma região mais abastada ainda é a melhor opção para quem aspira o profissionalismo.
“Eu ainda acredito que uma mudança para outra região só teria benefícios para qualquer jogador. Tanto no quesito financeiro quanto na visibilidade”, comentou dudu.
FOCO NA OWL
Grande produto e com franquias que valem dezena de milhões de dólares, a OWL vai crescendo e recebendo apoio na contramão da Contenders. Assim como todas as ligas, porém, ela terá de passar por renovação em algum momento, e essa será a chance da comunidade “tier 2”.
“A essa altura eu acho que já é bem claro paro cenário mundial que o foco da Blizzard é 100% na OWL. Isso realmente é o que mais causa os problemas no cenário tier 2 e nas regiões com menos prestígio, como a nossa”, afirmou dudu.
“O investimento deles acaba sendo muito inferior. Não só a longo prazo, mas a curto prazo também, acho que é prejudicial. Se a cena tier 2 não for forte, fica mais difícil para os jogadores chegarem na OWL”, completou.
“Eu acredito que eles erraram em fazer essa comunicação incompleta agora, pois assuntos que são importantes para definir se essas alterações são boas ou apenas um corte de gastos não foram anunciados. Gera mais descontentamento, talvez desnecessário e antecipado, do que esclarece”, contou Feco.
DEBANDADA
Questionados se a falta de oportunidades acaba fazendo que os jogadores que já estão inseridos no meio desistam, os três têm visões diferentes.
“Ainda é muito cedo pra falar, mas, na minha opinião, se o cenário não melhorar no próximo ano, existe uma chance muito alta dos jogadores simplesmente perderem a vontade e interesse em competir. [Continuar] é algo que não traria retorno e, sendo sincero, essas mudanças a princípio não me parecem uma melhora”, contou.
Pardal, por sua vez, foi um pouco mais temeroso: “Isso é um grande medo que eu tenho. O cenário simplesmente perder força e acabar desaparecendo por conta de falta de apoio e exposição por parte da Blizzard”.
“Eu imagino que a cada notícia que tenha muitas mudanças, como essa, e que não atenda as expectativas de cada um, com certeza alguns irão repensar suas carreiras”, afirmou Feco. “Eu torço para que a Blizzard venha à público e esclareça esses pontos nebulosos que faltam, para que possamos ver o horizonte dessa reformulação no Path to Pro”, completou.
MUNDIALITO
Entre as ideia para uma melhora, uma pareceu bem aceita na comunidade: a possibilidade de um “mundialito” entre as divisões da Contenders. A Blizzard, inclusive, parece acenar para isso.
“É um item que me chama muita atenção, é o último citado [na nota da Blizzard]. [Está escrito] que estão avaliando oportunidades de fazer eventos presenciais entre regiões da Contenders. Imagino que esse seria o item que todos que jogam nessa divisão gostariam que tivesse mais detalhes”, afirmou Feco.
Mesmo de fora do cenário profissional, dudu aprova a ideia. Eu realmente espero que seja anunciando uma espécie de mundialito da Contenders, onde os vencedores de cada região se enfrentam em lan. Acho que isso ia dar uma grande visibilidade para os jogadores”, finalizou.
