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Cloud9 vs. Fnatic: O maior confronto ocidental nas semifinais do Mundial de LoL

Sneaky e Svenskeren, da Cloud9, durante o Mundial de League of Legends 2018. Riot Games

Em setembro de 2013, o maior confronto entre a América do Norte e a Europa em League of Legends aconteceu em Los Angeles. Na ocasião, a líder da América do Norte, a nova organização Cloud9, e a campeã da Europa, a Fnatic - uma célebre organização dos velhos dias de Counter-Strike e StarCraft II, entre outros - se enfrentaram nas quartas de final do Mundial. Isto foi antes da era do domínio sul-coreano no Mundial, que acabaria por começar no mesmo evento com a SK Telecom T1 ganhando seu primeiro título.

Na série, a Fnatic acabou com as esperanças da C9 de ganhar um título mundial em seu país de origem ao vencer por 2 a 1. A C9, que havia dominado o LCS NA em sua temporada inaugural, perdeu o ar de invencibilidade, e essa foi a última vez que o público em geral acreditou que uma equipe norte-americana tinha alguma chance de levantar a Summoner’s Cup. A Fnatic iria cair na semifinal pelas mãos da chinesa Royal Club, apenas para voltar ao Top 4 do Mundial dois anos depois, mais uma vez sendo eliminado por um time asiático - desta vez na forma da iniciante e sul-coreana KOO Tigers.

Cinco anos desde o maior confronto entre as regiões na história do jogo, a tocha será passada para uma nova disputa, desta vez nas semifinais entre as mesmas duas equipes.

Bem, quase isso.

C9 e Fnatic, destinadas a continuar a rivalidade, vão se encontrar na mais improvável das circunstâncias, com um dos dois confirmados a se tornar o primeiro finalista do ocidente desde a temporada profissional inaugural de League of Legends em 2011, que nem sequer incluiu equipes da China ou da Coreia do Sul. Sem dúvida, este é o maior jogo que ambas as regiões já jogaram uma contra o outra desde que o League of Legends foi criado.

Em uma pesquisa recente feita pela Forbes, a Cloud9 veio como a franquia de esports mais valiosa do mundo (US$ 310 milhões), enquanto a Fnatic, em sexto (US$ 120 milhões), foi a principal franquia europeia. Estas são as duas potências de suas regiões no cenário internacional. Mesmo além do League of Legends, C9 e Fnatic construíram histórias vitoriosas em várias modalidades ao longo dos anos, e esse é o ponto culminante de ambas, cada uma querendo gravar seu nome no livro da história do League of Legends.

Em um ano em que as equipes sul-coreanas implodiram e a favorita do torneio, Royal Never Give Up, da, China caiu nas quartas-de-final, esta não é apenas a melhor chance da Europa (com a G2 Esports também do outro lado da chave) e da América do Norte de conquistar a Summoner’s Cup em anos - esta pode ser sua melhor chance por um longo tempo. Com a região da China se fortalecendo à medida que o sistema de franquias continua e as equipes sul-coreanas voltando a se concentrar após o ano mais embaraçoso da região, ambas as equipes sabem que essa pode ser a melhor chance de vencerem, e nenhuma das duas desistirá fácil em Gwangju.

Bem-vindo ao Super Bowl do League of Legends do Ocidente.

Cloud9

"Ao entrar na Cloud9, eu definitivamente não esperava que fôssemos nos tornar tão fortes. Acho que muitas pessoas [pensaram] que perdemos a offseason ou algo do tipo, mas olhando para a escalação, eu sei que posso ser super bom. Eu sei que Jensen é uma completa fera. Sneaky é sempre consistente. Eric [Licorice] é um novato que está melhorando muito rápido. É justo que eles [critiquem], mas estou feliz em provar que estão errados". - Dennis "Svenskeren" Johnsen

Durante a primeira semana do Mundial na Fase de Entrada, a C9 mereceu uma nota 2 de 10 em relação ao seu desempenho. A equipe foi desleixada. O mid laner Nicolaj "Jensen" Jensen estava doente. Eles quase perderam para um dos times mais fracos, a Detonation FocusMe, do Japão, duas vezes, e quase caíram na segunda rodada, onde o time precisava vencer os cinco jogos para eliminar a Gambit Esports.

Quando chegaram ao Grupo B, parecia que o torneio estava acabado para a C9. Eles estavam em um grupo com a atual campeã mundial, a Gen. G Esports da Coreia do Sul, e o atual campeã do Mid-Season Invitational, a RNG da China. Fim de jogo. A C9 mal conseguira vencer a Gambit, e agora tinha que jogar contra duas equipes que poderiam se encontrar na grande final.

Após a primeira metade da fase de grupos, eu daria à C9 um 5 de 10. A equipe estava bem. Nada muito bom. Nada muito ruim. Ela foi absolutamente abalada pela RNG para a surpresa de ninguém, conseguiu uma vitória sobre a Team Vitality da Europa, e depois jogou uma partida decente contra a Gen.G, que saiu de controle após uma jogada agressiva e malfadada na rota do meio, resultando em uma derrota rápida para a C9.

No final das fases de grupos, a C9 estava subitamente jogando em um nível 8 de 10. A hesitação da equipa e a fraca fase de rotas fora do topo pareceram desaparecer sem deixar vestígios, e as vitórias começaram a acontecer, primeiro contra a Gen.G, depois uma surpresa sobre a RNG e, finalmente, uma decisiva contra a Vitality. Apesar de ter perdido no desempate pelo primeiro lugar do grupo para a RNG, que estava a favor da C9 até uma teamfight imaculada dos campeões do MSI, foi o dia mais impressionante de qualquer equipe norte-americana no Mundial. Eles jogaram como uma equipe de classe mundial e foram recompensados por isso.

Nas quartas-de-final, o time se recuperou novamente, atropelando a Afreeca Freecs por 3 a 0. Fora uma segunda partida instável e alguns erros no jogo decisivo, havia pouco para se criticar. A C9 jogou em um nível 9 de 10, um mês depois de parecer morta na praia contra uma Gambit que provavelmente teria tido dificuldades de vencer um único jogo na fase de grupos.

Todo o torneio tem sido uma experiência parecida à Sala do Tempo de Dragon Ball para a C9. A equipe não se parece em nada com a versão que jogou contra a Team Liquid pelo título da LCS NA e foi atropelada em Oakland há dois meses. Toda vez que a C9 retorna ao palco na Coreia do Sul, ela está melhor.

Há duas semanas, eu teria dito que a C9 tinha pouca ou nenhuma chance contra a Fnatic. Mesmo antes da série contra a Afreeca, eu pensei que, embora a C9 tivesse a chance de vencer o time sul-coreano, uma série acirrada contra a Fnatic nas semifinais seria um final satisfatório para a equipe no torneio. Depois de vencer por 3-0 contra a equipe sul-coreana e estar no Top 4 com Fnatic, G2 e Invictus Gaming, da China, por que a C9 não pode vencer o Mundial?

A Cloud9, alcançando o ápice no momento certo, pode ser capaz de fazer o impensável.

Fnatic

"Eu sinto que o jogo vai ser de 35 minutos e que haverá uma teamfight no final do jogo. Eu posso ver Sneaky cometendo erros e morrendo. Eu só não vejo Rekkles fazendo o mesmo". - Gabriël "Bwipo" Rau

Pare de agrupar a Fnatic ao lado da C9 e G2 Esports. Esta não é uma corrida pela equipe que será a ‘Cinderela’. Esta não é uma série de vitórias surpreendentes ou a evolução de uma equipe que está crescendo em mais de um mês de Coreia do Sul. Quando a Fnatic aterrissou na Coreia do Sul, ela sabia que tinha tudo para ganhar. Embora o resto dos favoritos tenha caído ao seu redor, ela perseverou, fazendo a transição de seu suposto domínio de treinos para o palco, onde pareceu quase imparável ​​desde a segunda metade da fase de grupos.

Foi necessário apenas uma derrota para a Invictus Gaming para a Fnatic despertar. Desde que viu seu Nexus explodir, ela perderam apenas uma outra partida durante todo o torneio, a de abertura nas quartas de final contra a Edward Gaming, vencendo três seguidas após a única derrota. A Fnatic não só se vingou da iG pela derrota na primeira metade, mas venceu as outras partidas e tirou o primeiro lugar do grupo da equipe chinesa no que lembrou mais uma luta de boxe do que um jogo de League of Legends.

Embora a Fnatic provavelmente tenha tentado vencer o macro da Invictus, ela focou na força da equipe chinesa e a venceu em seu próprio jogo. Em uma briga de cinco contra cinco, a Fnatic foi superior em ambas as partidas, e esse tipo de jogabilidade confiante só se estendeu para a etapa melhor de cinco, onde o topo e "sexto homem" Bwipo assumiu a responsabilidade de se tornar o pára-raios da equipe com seus vários campeões.

Ao lado da C9, a Fnatic deve ser muito favorecida. Ela ganhou duas divisões domésticas europeias este ano. A C9 ficou em 10º lugar na América do Norte antes de subir na classificação e chegar à qualificatória regional. A Europa é uma região mais forte do que a América do Norte no geral. No Rift Rivals, a disputa não foi nem acirrada, já que as equipes europeias fizeram com que seus colegas norte-americanos parecessem anos-luz atrás no meta em seu caminho para uma vitória fácil.

Comparar a história da Fnatic este ano a alguma de “Cinderela” seria um desserviço ao time que foi construído nos últimos dois anos. Em comparação, a C9 é muito mais parecido com a Fnatic do ano passado, quando a equipe era uma mistura de novatos e veteranos. A Fnatic caiu nas quartas de final do ano passado para uma melhor escalação da RNG. Depois de um ano jogando juntos, evoluindo em algumas posições e vendo sua estrela, Rasmus "Caps" Winther, crescer de novato indeciso a um mid laner de nível mundial e MVP europeu, esta equipe da Fnatic está pronta para se tornar campeã mundial.

Caps é um dos melhores mid laners do mundo. O veterano Martin "Rekkles" Larsson era jovem demais para disputar a primeira partida entre C9 e Fnatic em 2013, mas desde então tem trabalhado para conquistar a Summoner’s Cup, e esta será a melhor chance de sua carreira. Paul "sOAZ" Boyer disputou a primeira final mundial em 2011 e quer voltar após perder em suas duas últimas semifinais. A outra jovem arma da Fnatic, Mads "Broxah" Brock-Pedersen, pode ser o principal candidato à MVP do torneio neste momento, mesmo ao lado de Rekkles e Caps.

Tudo está alinhado perfeitamente para a Fnatic. 2017 não foi o ano dela. 2019 não é o ano dela. 2020 não será o ano dela. 2018, na Coreia do Sul - com os favoritos eliminados e o caminho para a taça mais claro do que nunca - é o ano dela. Eles já venceram repetidamente a G2 na Europa e mostraram a diferença de habilidade. A Invictus, outra possível finalista, já jogou com seus pontos fortes contra a Fnatic e perdeu. A Cloud9, de olhos brilhantes com três novatos em sua escalação de seis, ainda parece um trabalho em andamento.

O scouting, a construção do time e tudo o que foi colocado nele foi para este momento, e qualquer outra coisa além de vencer o Mundial seria um fracasso.

Este é o ano da Fnatic.