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Criado na resiliência, curado pela tribo: a história de Gaules

Gaules é um dos maiores streamers do Brasil Felipe Guerra/Gamers Club

A palavra resiliência vem do latim resiliens, que significa algo como “ricochetear, pular de volta, retornar após uma situação crítica” segundo as mais diversas fontes da internet. Ela ganhou muita força no Brasil nos últimos anos, mas um de seus principais fiéis já acredita nela desde o começo dos anos 2000.

Nessa época, a resiliência ainda não estava estampada nas mãos de Alexandre “Gaules” Borba, mas sim em sua mente. Diariamente, o jovem de 14 anos ia até a mesma lan-house para pedir uma vaga no time de Counter-Strike. E ouviu não de todas as formas possíveis.

“O meu sonho era fazer parte daquela panela, do time da Monkey Tatuapé [lan-house]. Todo dia eu ia para lá querendo uma vaga no time. Primeiro porque eu não tinha condições de pagar [pelas horas] e o patrocínio dos jogadores era jogar de graça enquanto não havia nenhum cliente. E também porque queria estar no melhor time da lan-house que eu frequentava”, contou o veterano em entrevista ao ESPN Esports Brasil durante o Gamers Club Masters.

“Todo dia eu ouvia não. Era um grupo bem fechado e eu ia o máximo possível [pedir a vaga]. Eu chamava para x1, x2, jogava contra o time deles nos treinos”, continuou.

“Foi ali que criei essa visão de resiliência. Que ninguém ia falar para mim o que eu podia ou não fazer. Não me importa o que os outros acreditem, desde que isso não impacte a minha crença. Não era arrogância, era confiança que eu poderia fazer mais do que os outros”, contou.

“Eu estudava o jogo. Eu assistia o melhor da lan jogando, porque eu não tinha dinheiro para pagar a hora. Eu ia para o campeonato porque eu queria estar naquele ambiente todos os dias para conseguir a minha chance”, afirmou.

Até que a oportunidade apareceu. Cansados de dizer não, os integrantes da Monkey Tatuapé decidiram colocar Gaules na liderança de um “time júnior” da lan-house.

“Eu fiquei um pouco desanimado, mas pensei que havia duas formas de encarar: ou como uma coisa ruim ou como uma oportunidade de entrar no time principal. Montei o time com outros jogadores muito novos e começamos a treinar contra eles”, explicou.

Em 2001, Gaules aproveitou outra chance: a de viajar com o time principal para o Rio de Janeiro e disputar a primeira seletiva da Cyberathlete Professional League no país.

“Tinha a Monkey Campinas que era muito boa, NSA, Playnet. Comecei a ver o ambiente competitivo. Durante o campeonato, um dos jogadores [da Monkey Tatuapé] estava muito mal e, no fim do primeiro tempo de uma Cobble, eles me chamaram para jogar e eu topei. Nem troquei equipamentos nem nada, só sentei no computador e viramos aquela partida. Aí eu não saí mais do time”, relembrou.

Depois daquele dia, Gaules finalmente completou seu objetivo. Ele estava entre os cinco melhores jogadores da lan-house e sua história com o Counter-Strike fechava o primeiro, de muitos e muitos, capítulos. A resiliência vencia pela primeira vez.

NASCE UMA GERAÇÃO

Depois de um breve período na MK-T, Gaules viu o time ruir. A franquia de lan-houses decidiu montar uma seleção e escolheu os principais jogadores para formar apenas uma escalação.

De fora dessa seleção, Gaules assistiu à criação de diversos times e decidiu montar o seu próprio. Foi aí que ele decidiu chamar Igor “vip” Melro, Rodrigo “crash” Rodrigues, Mee e Feijaum, alguns dos parceiros da lan-house no Tatuapé, para marcar uma geração.

Em 27 de julho de 2001, nascia o g3nerationX.

“Nosso primeiro campeonato foi a inauguração da Monkey Santa Cruz. Ia estrear a lan-house e mostrar a seleção. Fomos lá e ganhamos deles, ganhamos o campeonato. Todo mundo ficou questionando de onde a gente tinha surgido. Todos os holofotes estavam na seleção e conseguimos muita visibilidade [ganhando deles]”, contou.

Depois da vitória, a g3x teve algumas mudanças na escalação. Mee e Feijaum deram lugar a Rafael “BlooD” Frid e os até então pouco conhecidos Raphael “cogu” Camargo e Carlos Henrique “Kiko” Segal, formando uma escalação de seis jogadores.

Foi com esse esquadrão que a g3x alçou seu primeiro vôo internacional, vencendo a etapa brasileira da World Cyber Games e conseguindo a vaga para a final mundial do torneio, em Seul, na Coreia do Sul. Lá, sem Kiko e com Guilherme "Carva" Carvalhaes, os brasileiros conseguiram a 7-8ª colocação.

De volta da Coreia do Sul, a g3x teve um período hegemônico. De acordo com Gaules, o time ficou do final de 2001 até 2003 “sem perder partida”. Nesse período, onde se dava a formação de equipes como o Arena.DBA, houve uma “ruptura” e Kiko e Cogu foram para outras equipes.

Ao longo dos anos seguintes e com o cenário ficando cada vez mais acirrado, Gaules competiu, venceu e perdeu em dezenas de torneios ao redor do Brasil e do mundo, sempre defendendo o azul e branco da g3x. O time sofreu um baque em 2006, com o fim da parceria com a Intel, o que deixou as coisas complicadas.

VIRANDO A CASACA

Em 2007, com a iminência da Championship Gaming Series - uma espécie de Overwatch League do Counter-Strike: Source -, Gaules começou a discutir com Paulo “pvell” Velloso a possibilidade de uma parceria com a até então arquirrival MIBR.

“Ele convidou o nosso time para virar MIBR [já que o MIBR principal participaria da CGS e não disputaria mais torneios de 1.6]. Foi um convite legítimo, me dando respaldo para cuidar, administrar e decidir quem entra e sai. Me reuni com os jogadores da g3x, expliquei a situação e fizemos uma votação”, conta.

Na ocasião, o time era formado por Gaules, Thiago "btt" Monteiro, Norberto "Lance" Lage, Lincoln “fnx” Lau e Wellington "ton" Caruso. E eles decidiram “virar a casaca”.

“A maioria escolheu ir para o MIBR por conta da estrutura. Eu comecei a jogar e gerenciar o MIBR, jogamos campeonatos e ganhamos de times importantes como a SK do SpawN”, lembrou.

Posteriormente, pvell procurou Gaules para relembrar que Bruno “bit” Lima, único remanescente da equipe que foi à CGS, merecia uma vaga entre os titulares da MIBR. Foi ali que Gaules teve de tomar uma das decisões mais duras da carreira.

PENDURANDO O MOUSE E CONQUISTANDO O MUNDO

Como só haviam cinco vagas para seis jogadores, Gaules precisava de uma saída. Ou diria não a bit ou teria de tirar um de seus companheiros. Como era o líder, a decisão só cabia a ele. E ele escolheu ceder seu lugar.

“Tirar alguém era injusto, deixar um amigo que joga muito bem [bit] também era injusto, então decidi seguir por um caminho que só eu poderia fazer. Sugeri que eu virasse o treinador e o pvell gostou muito da ideia”, contou.

“Foi algo que pensei mais no próximo do que em mim mesmo. Meu sonho era jogar, mas eu era o líder e não podia abandonar ninguém. Foi nessa movimentação que a gente criou um dos times mais fortes, se não o mais forte, que já tivemos”, completou.

Em novembro de 2007, Lance e Olavo “chucky” Napoleão trocaram de lugar e o hoje treinador da Team One voltou a atuar ao lado dos ex-companheiros de g3x. Foi com essa escalação que a MIBR venceu a DreamHack Winter 2007 - título que é até hoje reverenciado por Gaules.

“Para mim era o mais difícil. Quando você falava de ESWC, CPL e WCG [os majors da época], você sabia que não eram todos os times da Europa que conseguiam ir para esses torneios. Por causa de visto, estrutura, etc. Na DreamHack [Winter], você tinha todos os melhores times de Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, não era só o melhor de cada país igual na CPL. Os times americanos também viajavam”, explicou.

Gaules relembrou que, apesar de ter vaga garantida no torneio, ele optou por jogar a seletiva BYOC [bring your own computer, em tradução livre, traga seu próprio computador].

“Se a gente não tivesse capacidade de ganhar a BYOC, não estaríamos prontos para sermos campeões do mundo. Chegamos na final da BYOC contra o Spirit of Amiga, que era um grande time, e saímos atrás”, contou.

“Ali eu fiquei me perguntando o porque tinha decidido jogar a BYOC. Estávamos jogando com computadores e monitores alugados e colocando cinco pessoas num espaço que cabia quatro. O ton teve que usar o teclado no colo em alguns mapas”, relembrou.

Depois de conseguir a virada diante do SoA, a MIBR chegou com moral para disputar a competição principal.

“Atropelamos todo mundo e fomos campeões invictos. Batemos na Fnatic, SK, emuLate e fomos o único time não europeu a conseguir esse título [no Counter-Strike 1.6]. Era muito difícil chegar lá e fazer isso e nós fizemos da forma mais difícil”, contou.

Para Gaules, aquela conquista foi ainda mais significativa, já que ajudava a moldar o papel do treinador nos esports do Brasil: “Eu me sentia como parte do time, só não estava com um mouse e um teclado na mão. Todos falavam que a gente venceu com seis jogadores”, completou.

Essa satisfação faz com que o veterano não tenha se arrependido da decisão de pendurar o mouse e deixar, em definitivo, as competições como jogador.

“Sempre pensei com alegria que tive empatia em ver alguém com o mesmo sonho que eu. Foi incrível estar ao lado e ter o respeito dos jogadores para conquistar coisas que eu não conquistei quando jogava. Aconteceu da maneira e no momento que tinha que acontecer”, afirmou.

MELHOR FUNCIONÁRIO

Em meados de 2008, Gaules estava concluindo a faculdade de Marketing e conseguiu um estágio na Samsung. Ali, decidiu deixar sua carreira no esporte eletrônico de lado para trabalhar em um emprego formal, “ganhando muito menos e trabalhando muito mais”.

Na empresa, Gaules cuidava da área voltada a informática e conseguiu boas parcerias para torneios, equipes e jogadores - incluindo um patrocínio da Samsung para a MIBR e a chegada dos monitores LCD de 120hz.

Lá, a resiliência passou por mais um teste. Na expectativa de ser contratado em definitivo antes de 2010, Gaules era avisado: “Você só vai ser admitido depois de se formar”.

“Depois de uns 6 ou 7 meses de estágio, eu falei que ou eles me contratavam ou eu saíria. Acabou que fui o primeiro funcionário a ser contratado sem o diploma”, contou.

A dedicação e o bom trabalho em equipe renderam a Gaules um prêmio de melhor funcionário: “Eles davam prêmios a cada seis meses ou um ano para as pessoas que faziam a diferença na empresa e eu fui premiado”.

Em 2010, ele foi convidado pela Samsung para ir à WCG acompanhar a delegação brasileira - que contava com Gabriel “FalleN” Toledo e companhia defendendo a compLexity Gaming. Lá, Gaules viu que o Brasil ainda estava muito distante dos outros países. Foi aí que ele decidiu deixar a empresa e retornar ao mundo dos esports.

HOMEM DE NEGÓCIOS

De volta, Gaules abriu uma produtora para criar vídeos para times e marcas do mercado brasileiro. Em 2011, ele comandou o projeto da Mandic e iniciou a Seleção Brasileira de Games - que, de acordo com o veterano, conseguiu profissionalizar mais os times.

“Mostramos que com assessoria, jornalista, fotógrafo, marketing, comercial, atendimento e outras funções dentro de um time, você conseguiria fazer algo com mais retorno para as marcas que estavam investindo. E isso foi replicado”, explicou.

O sucesso da SBG fez com que outras questões fossem surgindo. Com as equipes crescendo, faltavam competições, eventos, transmissão e um local apropriado. Foi ai que outros projetos encabeçados por Gaules surgiram, como a Brazil Gaming League, a Agência X5 e a Mega Arena X5.

“Eu participei ativamente de todas essas frentes. Como jogador, treinador, gerente, dono de time, organizador de evento, transmissão. Eu consegui uma bagagem que me fez entender de todos os cenários possíveis, pois eu participei da criação, onde é mais difícil”, afirmou.

FALÊNCIA, DEPRESSÃO SEVERA E TENTATIVA DE SUICÍDIO

Em 2017, Gaules começou a ver seus negócios e suas finanças desabarem. Em junho, ele decidiu que queria se afastar das empresas pois não queria mais “ser dependente das outras pessoas”.

“Eu não me sentia feliz em só fazer parte, mesmo que ativamente, dos bastidores. Era mais essa questão de depender das outras pessoas, que não correspondiam às minhas expectativas. Eu ficava a mercê de ver as coisas darem certo para que aquilo funcionasse”, contou.

Foi ali que ele decidiu participar de um projeto novo em uma agência para assessorar times, eventos e jogadores. Gaules diz “não ter se encontrado” dentro da agência e viu as coisas piorarem.

Diagnosticado com depressão severa, o veterano “se viu sem nada”: “Foi quando eu quebrei. Acabei fazendo escolhas erradas em questão de investimento. Eu estava literalmente quebrado no final do ano passado. O dinheiro que eu peguei na venda da MAX5 eu investi em coisas que não deram certo”, contou.

Foi em dezembro de 2017 que Gaules passou um dos capítulos mais tristes da vida: a tentativa de suicídio.

“Eu parei e pensei que nem aquilo [o suicídio] eu consegui fazer, então significava que tinha alguma coisa muito grande por vir”, relembrou. Ai, a resiliência voltou a ser uma palavra chave em seu vocabulário.

“Foi aí que eu resolvi transformar essa situação. Eu não tinha mais sócio, namorada, emprego, dinheiro no banco e nem lugar para morar. Foi aí que descobri que eu tinha construído uma história que não tinha preço”, continuou.

“Nesses 34 anos, toda a minha história tinha a ver com a história dos gauleses, um povo, uma tribo, que nunca se entregava. Eu não precisava de nada daquilo para atingir outras pessoas e fazer o bem. Queria retribuir com coisas positivas”, afirmou.

Alugando um apartamento sem ter garantias e apenas com seu computador e a webcam, Gaules recorreu aos velhos amigos para pedir ajuda.

“Busquei na minha agenda de contatos e vi quem eu poderia pedir alguma coisa. As únicas pessoas que me ajudaram foram o Mee, Apoka, vip e Crash. Eu disse para eles que eu precisava de ajuda para comer, viver e ter uma tranquilidade de 2 ou 3 meses para me reerguer”, relembrou.

NASCE A TRIBO

Depois de receber o apoio da velha família do g3x, Gaules seguiu um mantra que parafraseia o rapper Emicida em “Ooorra”, da mixtape “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…”.

“Eu vou streamar como quem vai morrer no dia seguinte”, pensou.

Foi com essa resiliência que surgiu o maior fenômeno da Twitch brasileira em 2018. Aos 34 anos e após ser pioneiro em diversas frentes no esporte eletrônico, Gaules se reinventou e renasceu ao lado dos novos e velhos fãs - que carinhosamente chama de tribo.

“Eu vi que [a Twitch] era um ambiente que a maioria queria status, fama e dinheiro. E eu estava ali só porque eu não queria mais passar fome, não queria depender de ninguém e queria fazer as pessoas se sentirem melhores. Para mim, era uma grande terapia”, contou.

Gaules relembra que sua história pouco acrescentou para seu começo como streamer, já que os números eram bem baixos. “Eu percorri o processo que qualquer pessoa que está em casa pode percorrer. Streamar para 5 pessoas, sem parceria, sem conta verificada e sem nada”, afirmou.

“Eu fiz o primeiro major em janeiro e quase ninguém assistiu. Fiz 80 dólares em quase 300 horas de transmissão naquele mês. Mesmo com a galera ajudando, percebi que aquilo não seria suficiente. Pedi ajuda para ir ao psiquiatra, pagar o aluguel, comprar remédios, pagar a internet e sempre fui muito sincero em relação ao que estava fazendo com o dinheiro”, completou.

A transição foi gradativa e Gaules dobrou a quantidade de dinheiro no mês seguinte, o que seguia sem ser o suficiente. Então, ele decidiu ver as coisas pelo lado positivo:“Ou eu desistia ali ou via aquilo pelo lado positivo, porque em um mês eu dobrei o canal de tamanho. E eu fui pela segunda opção”.

Com o crescimento lento, Gaules foi motivo de chacota para algumas pessoas próximas e seus ex-companheiros de trabalho.

“Uma pessoa próxima e do mercado disse que eu estava passando vergonha, que eu estava mendigando na internet e o mercado estava rindo de mim. Eu virei e falei que essas pessoas que estavam rindo de mim iriam rir comigo”, continuou.

Com o sucesso iminente, o ex-jogador começou a ver o futuro nas transmissões e começou a maratona de quebrar recordes e conseguir parcerias. Ao mesmo tempo, sua saúde e seu bem estar foram sendo restabelecidos.

“Em setembro, o canal foi o mais assistido de CS no mundo e o com mais minutos consumidos em um mês na história da Twitch. Mais uma vez eu vi como foi bom não ter desistido e como é bom ter milhares de pessoas rindo comigo diariamente”, contou.

“Todo esse lance da tribo e das coisas que aconteceram criaram essa comunidade, que para mim é minha família. Há dois anos eu me afastei da minha família por várias questões e hoje vejo como é fácil ter empatia pela sua mãe e pelo seu pai. Difícil é ter empatia com pessoas que você não conhece e eu decidi ter empatia com essas. Eles acabaram virando minha família e hoje eu tenho a maior família do mundo”, completou Gaules.

A TRIBO CUIDA DA TRIBO

Gaules revelou que dorme de 2 a 3 horas por dia, mas isso não é surpresa. O semblante denuncia o cansaço do veterano durante toda a entrevista e durante as próprias transmissões. Para ele, isso não é problema.

“A minha hora de sono não é mais importante do que a felicidade da pessoa que assiste a uma hora de stream”, ele justifica.

Para eles, a fanática tribo gaulesa, Gaules repete outro mantra: “A tribo cuida da tribo. Esse é meu pacto com eles. Eu dizia que um dia eu não precisaria mais da ajuda e os que riram vão ver isso se transformar numa máquina dos sonhos. Hoje todas as doações são voltadas para caridade e 50% do que eu recebo é destinado para as pessoas carentes”, contou.

“Eu cuido da tribo assim como a tribo cuida de mim. E a tribo está em todos os lugares. Eu janto com moradores de rua, porque antes eu jantava sozinho. Eu ajudo streamers a pagarem suas contas, ajudo pessoas a pagar próteses. Essa ajuda não é minha, é de uma comunidade que me colocou coisas muito boas e obrigações”, explicou.

Gaules ainda trata a depressão, mas “não tem mais sintomas” e está num “estágio de manutenção”. A cura para esse mal que, segundo a OMS, assombra mais de 11 milhões de brasileiros? A tribo.

“A tribo me curou”, crava o streamer.

“A terapia de fazer parte disso me curou. Eu passo isso para fazer boas ações e tenho esse intuito de ser apenas mais um no meio dessa galera toda. A única diferença é que eu estou na linha de frente. Se eles forem em um evento, sou eu que peço para tirar foto, pergunto se posso assinar o mousepad deles e questiono se eles estão bem”, completou.

Para finalizar, Gaules conta que a tribo salvou não só sua vida, mas a de muitas pessoas. “Os assuntos que a gente trata dentro da tribo são pesados. Falamos de abuso, depressão, preconceito e crises. O que eu mais escuto é pessoas falando que a tribo salvou elas da depressão, que eles conseguiram um emprego, a mulher ou o homem que desejavam. Eles conseguiram felicidade”.

“A tribo salvou não só a minha vida, mas salva vidas diariamente”, finalizou.