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Riot confessa que "tem muito trabalho a fazer" sobre acusações de sexismo e assédio

Realizado na China, Mundial 2017 de League of Legends teve mais de 57 milhões de espectadores únicos Riot Games

Enquanto o Mundial de League of Legends continua na Coreia do Sul, a desenvolvedora Riot Games e seu grupo de esports estão tentando lidar com as dificuldades contínuas de promover diversidade e inclusão depois da revelação de denúncias alegando sexismo e assédio dentro da empresa.

Uma reportagem do Los Angeles Times, que foi ao ar no domingo (14), mostrou uma reação mais ampla da empresa desde a reportagem de agosto publicada pelo Kotaku, um site de videogames, que detalhou a “cultura de brother” (bro culture) que permeia a criadora de um dos maiores títulos do esporte eletrônico. Membros do grupo de esports da Riot também estão tentando descobrir como abordar os temas de diversidade e inclusão e deixar o ambiente de trabalho mais acolhedor.

Durante as últimas duas semanas, membros do braço de esports da Riot conversaram com a ESPN sobre a evolução da empresa do primeiro Mundial a este de 2018. Essas conversão incluíram questões sobre as políticas da companhia que estão sendo implementadas para diversidade e inclusão também neste ano.

“A Riot Esports é parte da Riot”, disse Jarred Kennedy, co-diretor de esports da Riot Games. “Os últimos meses foram um tempo para reflexão nos quais reconhecemos que temos trabalho a fazer para sermos melhores. Tomamos diversos passos do nível de liderança para baixo”.

Porta-voz da Riot, Joe Hixson afirmou ao ESPN que a empresa já fez mudanças, incluindo realizar múltiplas sessões de feedback com toda a equipe, a criação de um “time de transformação de cultura” que reporta aos líderes e a contratação de Frances Frei para sua diretoria, que ajudou o Uber no meio de seu próprio escândalo de sexismo.

“Nos últimos meses, nosso trabalho envolveu a combinação de ações imediatas e criar uma base para mudanças a longo prazo. As maiores mudanças levarão tempo dependendo dos resultados das auditorias de cultura, processos e sistemas, mas estamos fazendo progresso constante”, explicou Hixson à ESPN.

O porta-voz também comentou sobre outros esforços sendo realizados, como a criação de comitê de pessoas de fora da Riot para avaliar a equipe executiva, o trabalho com duas firmas externas de consultoria e a adição de métodos de denúncias anônimas para os funcionários. Ele adicionou que houve demissões “em todos os níveis da empresa”, mas não entrou em detalhes.

“Somos parte desta comunidade”, disse Kennedy ao ESPN.com. “Queremos fazer as coisas certas por essa comunidade e por nossos colegas. Como líderes, estamos fazendo todo o possível para transformar as mudanças em realidade”.

Em decorrência deste olhar interno mais amplo dentro da empresa, Kennedy e Whalen Rozelle, diretor de iniciativas de esports da Riot, estão tentando dar início a uma nova cultura e ao mesmo tempo organizar o Mundial, que acontece até o começo de novembro na Coreia do Sul. Nenhuma alegação citada pelo Times ou pelo Kotaku refere-se diretamente aos funcionários do departamento de esports, mas as tensões na Riot, segundo o Times, “não arrefeceram totalmente”.

“Sinto que muitas pessoas estão desistindo em silêncio”, um funcionário atual disse ao Times. “Há muita tristeza e resignação ao fato de que nada permanente ou significativo vai acontecer”.

Entretanto, esse sentimento não é visto no grupo de esports, segundo Kennedy.

“Durante este processo, nunca perdemos o foco de entregar o melhor Mundial possível para nossos fãs”, garantiu Kennedy. “Isso continua, e o time, apesar dos desafios que enfrentamos como empresa, nunca hesitou - do topo até a parte de baixo da organização”.

Fora das questões do Mundial, porém, as conversas continuam. Rozelle disse que espera ver sua equipe e a Riot melhorarem globalmente como uma empresa e, nos próximos anos, tornar-se um exemplo para outras organizações que têm problemas semelhantes em criar um local de trabalho acolhedor para todos.

“Sabemos que a mudança leva muito tempo e estamos profundamente comprometidos em fazer o trabalho, nos esforçando, aprendendo e ouvindo para fazer essa mudança acontecer, mas não aspiramos apenas a melhorar”, afirma Rozelle. “Esperamos também que a história da Riot seja um grande exemplo de uma empresa que viu suas falhas, entendeu que precisava mudar e tornou-se líder na indústria na promoção da diversidade e inclusão”.