Na última semana, o Brasil recebeu a maior feira de videogames da América Latina, a Brasil Game Show. Nela, em uma sala reservada, tive a oportunidade de testar um dos jogos mais aguardados pelos fãs da Nintendo: Super Smash Bros. Ultimate.
Em minha história com os videogames, que data desde o Mega Drive, posso dizer que sempre fui uma “Nintendista”. Tive grande parte dos consoles da empresa - principalmente os portáteis -, e quando não estava jogando, estava assistindo ou ajudando alguém a jogar algum dos títulos clássicos.
Dito isso, devo confessar que não sou uma jogadora competitiva (salvo em Mario Party e Mario Kart). Assim, minha experiência com a série de Super Smash Bros. sempre foi mais casual, com o objetivo de rir com e dos amigos e muito baseada na ideia de “apertar todos os botões”. Fico feliz em dizer aos que seguem a mesma filosofia que isso ainda é possível no Ultimate.
Na demonstração que tive acesso, pude testar antigos personagens e telas, mas também algumas novas adições. Aproveitei para jogar com os Inklings, de Splatoon, que oferecem uma dinâmica diferente com suas tintas (quanto mais tinta, mais dano!) e apresentam um novo desafio para os jogadores. Também batalhei nos novos cenários de Splatoon e da torre de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, que possuem tanto ou mais armadilhas quanto qualquer outro cenário antigo.
Eu gostaria de ter tido a chance de testar o modo de treinamento do jogo, mas ele não estava disponível. Em vídeos lançados sobre o Ultimate, o modo aparece como uma forma de ensinar novatos e veteranos a se acostumarem com o novo ritmo de jogo, assim como treinarem golpes mortais para as partidas. Entretanto, mesmo sem treinar, não senti dificuldades em apenas pegar o controle, escolher um personagem e mergulhar de cabeça na ação.
No quesito jogabilidade, todas as partidas foram realizadas com o controle Pro da Nintendo, que é infinitamente mais confortável do que o JoyCon. Os comandos não pareceram muito diferentes das edições anteriores, com ataques, escudos, pulos e defesas nos mesmos botões já conhecidos.
O que realmente senti diferença foi o alto teor de caos nas batalhas. Talvez por não jogar há anos - desde a edição do N64 - ou talvez por acompanhar mais o competitivo, que desabilita itens e afins, a sensação que tive foi de um ritmo acelerado e grande imprevisibilidade.
Como uma jogadora casual, foi divertido correr para pegar os itens que caíam em grande quantidade no mapa e tentar dar especiais nos oponentes. É verdade que acabei tendo dificuldades para voltar ao mapa quando voava para muito longe e que perdi as cinco partidas que joguei, mas senti que a diversão foi maior que as falhas e, para mim, isso é o que conta.
Se eu comprarei o jogo assim que ele for lançado, só a minha conta bancária dirá, mas ele com certeza valerá a pena.
MAS E O COMPETITIVO?
Se existe algo que a Nintendo tem dificuldade em fazer é de convencer os jogadores de Melee a largarem o osso. A versão é considerada por muitos a melhor do jogo, principalmente para o competitivo, e nenhuma sequência até hoje conseguiu de fato desbancá-la do coração dos fãs.
Masahiro Sakurai, diretor do jogo, afirmou que Super Smash Bros. Ultimate é uma tentativa de agradar a todos os fãs da série, já que busca trazer todos os personagens que apareceram nas edições anteriores e adicionar mais outros que sempre foram requisitados pelo público. Entretanto, também revelou que o game não foi produzido com o competitivo em mente.
“Acredito que um jogo, no fim do dia, é sobre ser jogado. Mas se focarmos muito nos jogadores de alto nível - ou na audiência -, o jogo pende muito para o lado técnico”, disse ao Washington Post em julho.
Apesar da própria Nintendo ter um lado competitivo com pequenos campeonatos de Arms e Splatoon, e até ter realizado um ‘invitational’ para o Ultimate na E3, Sakurai explica que a empresa tem uma filosofia diferente sobre competições. “Chega a um ponto em que os jogadores estão disputando por dinheiro, e sinto que essa ideia não coincide com a visão da Nintendo do que um jogo deve ser”, confessou.
De fato, a Nintendo não parece ter planos concretos de um competitivo para o Ultimate em um futuro breve. Relações Públicas da Nintendo na América Latina, Pilar Pueblita estava presente na BGS 2018 e afirmou que a empresa ainda vai avaliar como o jogo será consumido pelos jogadores para traçar o futuro do título.
“Este Super Smash traz um modo totalmente diferente de jogar”, garantiu ela. “Além da jogabilidade dentro das partidas, você pode jogar na frente da TV, levar o console com você para onde quiser e também jogar com seus amigos a qualquer momento e em qualquer lugar.”
Quando perguntei se a Nintendo pensa em criar algum tipo de liga para o jogo, a executiva foi sincera e afirmou que não há nada a ser anunciado no momento. A mesma resposta foi dada quando questionei sobre a possibilidade da Nintendo tratar o Ultimate como outras empresas tratam seus títulos competitivos, com lançamentos de balanceamento de personagens, por exemplo.
O que Pilar fez questão de garantir é que, mesmo a Nintendo não estando oficialmente no Brasil, os fãs brasileiros terão acesso a Super Smash Bros. Ultimate ao mesmo tempo em que o resto do mundo por meio do hotsite da empresa lançado para o Brasil em junho.
Super Smash Bros. Ultimate será lançado em 7 de dezembro para o Nintendo Switch. Vale lembrar que jogadores que desejarem disputar partidas na internet precisarão assinar o serviço online da Nintendo. Confira o trailer do jogo:
