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Vivendo o sonho: Brasileiro estudará nos EUA com bolsa para jogar League of Legends

Giordano Pereira vai estudar nos EUA com uma bolsa para jogar League of Legends pela universidade Reprodução

Pode-se dizer que o brasileiro Giordano Pereira vai viver um sonho. O jovem de 20 anos, nascido em Porto Alegre, vai estudar em uma universidade norte-americana com uma bolsa de esportes eletrônicos para jogar League of Legends.

Enquanto bolsas para atletas de esportes tradicionais já é disseminado tanto em outros países quanto no Brasil, os Estados Unidos da América foi um dos pioneiros a oferecer bolsa em suas universidades para esportes eletrônicos. Atualmente, jovens norte-americanos podem estudar e representar sua faculdade em campeonatos de jogos como League of Legends e Heroes of the Storm, e Giordano será um deles.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, Giordano conta que sempre foi “vidrado” em videogames desde criança e que teve muito incentivo de ser irmão mais velho, César “Legolas” Pereira, jogador profissional de Hearthstone pela paiN Gaming.

Aos 12 anos, conheceu o League of Legends pelo irmão e ficou interessado pela dinâmica diferenciada do jogo. “[Ela] Permite que cada pessoa tenha um papel na história e que você evolua rapidamente, além de ser completamente estratégico”, explicou o jogador.

Três anos depois, conta Giordano, um amigo venceu um campeonato de LoL e o jogador ficou mexido. “Aquele cara ficou tão feliz que eu decidi que, um dia, gostaria de ter aquele mesmo sentimento. Depois daquele dia, em duas semanas, eu já figurava entre os melhores ranqueados do país, tamanha foi minha dedicação”, lembra. “Cheguei a integrar as categorias de base da equipe CNB, que é um dos gigantes do Brasil e, em 2017, ganhei um campeonato presencial em Curitiba, faturando um prêmio de R$ 10 mil. Hoje, o LoL é mais que um jogo, é quase que uma comunidade, um estilo de vida. No final, o que me atrai é toda essa competitividade que envolve o universo do LoL”.

Apesar do amor por LoL, o jogador afirma que “sempre ficava aquele sentimento de que eu precisava voltar a estudar”. Por isso, quando surgiu a oportunidade de bolsa de estudos nos Estados Unidos, Giordano garante que não pensou duas vezes.

Mas como a oportunidade surgiu? Giordano conta que a história foi meio inusitada.

“A oportunidade foi postada em um grupo no Facebook que reúne só jogadores muito bem ranqueados no LoL”, explica. “A postagem já tinha alguns dias e nenhum usuário havia comentado, comecei achar estranho. Imagina, uma chance dessas e ninguém deu bola? Fui quietinho atrás das informações e vi que o negócio era sério e, o melhor, a vaga tinha a minha cara”.

O jogador afirma que a agência de intercâmbio esportivo responsável por toda a operação, a MVP Exchange, o preparou para o processo seletivo, e assim ele soube que tinha realmente grandes chances de conseguir a vaga.

“Como o investimento da Missouri Valley College foi muito grande nos esports, quiseram me conhecer, saber sobre o meu comprometimento. Depois de uma entrevista de mais de uma hora por Skype, consegui convencer o técnico da equipe e fui aprovado”, detalha Giordano, que será o único brasileiro da equipe da universidade.

O FUTURO DOS ESPORTS

No Brasil, ainda não é comum ouvir sobre estudantes que ganham bolsa por disputar em esportes eletrônicos, mas é inegável que o movimento universitário está muito interessado no cenário. Já existem ligas como o TUES e iniciativas como a UniLoL, da Riot Games, que estão levando equipes para competições no exterior.

Para Giordano, isso mostra que o “movimento de abertura para os gamers já está acontecendo”. “As faculdades brasileiras estão de olho nesses talentos, inclusive, tenho alguns amigos que conseguiram bolsa para jogar”, afirma. “As equipes universitárias do Brasil também já participam de competições internacionais. É muito bom isso. É a chance de um monte de menino bom voltar a estudar e praticar esports de forma competitiva”.

O jogador também acredita que os esportes eletrônicos vieram para ficar, mesmo que grande parte da sociedade não os considere como “esporte”. “Como tudo que é novo, gera esse tipo de debate, que, no final, não terá como segurar esse crescimento. Se parar pra olhar, os games estão por toda parte, não só como entretenimento, mas de maneira competitiva. Os campeonatos são cada vez mais organizados e atraem muitos fãs”, comenta Giordano.

Ele complementa: “Hoje, já existe até uma discussão se os eSports deveriam fazer parte das Olimpíadas. Eu acho que deveria. Afinal, é uma modalidade que exige muito treinamento e dedicação, mas utiliza mais a mente que o corpo de uma maneira geral. A gente vai ter skate e surfe nos jogos de Tóquio. Seria muito legal ver os games também”.

Por fim, perguntamos a Giordano se, assim como o irmão, ele tem planos de se tornar um jogador profissional no futuro. Segundo ele, o importante no momento é “aproveitar todas essas oportunidades que estão sendo dadas”.

“Devo muito ao meu irmão e ele é meu espelho até hoje. Até por isso, sei que não é fácil [ser jogador]. Mesmo sendo profissional, ele também tem um trabalho paralelo com meu pai há anos”, revela Giordano. “Então, o foco é aproveitar todas essas oportunidades que estão sendo dadas. Se um dia tiver a chance de viver só de games, abraçaria 100%. Enquanto isso não acontece, vou focar nos estudos também e manter algumas opções por perto”.

Apesar disso, Giordano não poupa palavras para demonstrar o quão importante são os games e o League of Legends para sua vida. “A verdade é que, aconteça o que acontecer, se parar pra pensar, qualquer profissão que eu siga, vou dever sempre tudo aos games. Foi o LoL que me que levou de Porto Alegre para o mundo e, por isso, sempre fará parte da minha história”, finaliza.