De apenas um sonho ao topo do mundo: conheça a história da MIBR

Jogadores comemorando aquele que era o principal título brasileiro no CS Reprodução

New York Yankees, Chicago Bulls, Dallas Cowboys e Real Madrid são nomes que, só em ouvir, já se sabe a modalidade do esporte na qual a equipe está inserida por conta da história de sucesso feita por cada uma delas. Isso não é diferente com a Made in Brazil (MIBR), que após hiato de seis anos está retornando ao competitivo de Counter-Strike.

Imensurável. Assim podemos definir a história da organização, que se confunde e muito com a do cenário nacional do shooter desenvolvido pela Valve. Do apoio de pai para filho ao primeiro clube sul-americano a conquistar um título mundial de Counter-Strike e, unanimemente, ser considerado a principal referência nos esportes eletrônicos do Brasil.

REALIZANDO O SONHO DO FILHO

A trajetória da Made in Brazil no Counter-Strike começou numa época na qual o esport estava engatinhando, em 2003, quando o empresário Paulo “pvell” Velloso decidiu investir na equipe do próprio filho, Rafael "pred" Velloso, que vinha fazendo sucesso atuando pela ARENA e até chegou a disputar torneios internacionais.

IMPORTAR PARA EVOLUIR

Muito se engana quem pensa que a importação de jogadores começou com as equipes brasileiras de League of Legends. Vendo que precisava evoluir para bater de frente com os principais times do cenário internacional, a MIBR foi a primeira organização nacional a trazer jogadores de fora.

Tudo começou com o norueguês Jonas "bsl" Alsaker Vikan, que ingressou já na criação do time. "Eu fui trazido para o Brasil porque o time e os jogadores queriam ficar melhor no jogo. Mais importante ainda, eles queriam aprender a vencer - naquela época haviam poucos times europeus e um ou dois norte-americanos que sabiam vencer", afirmou o norueguês em entrevista concedida ao ESPN Esports Brasil em 2017.

De países nórdicos vieram outros dois estrangeiros que vestiram a camisa da MIBR. Inicialmente contratado para desempenhar a função de treinador, o sueco Johan "vesslan" Ryman também atuou pela equipe brasileira. Uma das estrelas da modalidade naquela época, o norueguês Ola "elemeNt" Moum fecha a lista de importações.

COGU E MAIS QUATRO

Toda equipe, seja ela dos esportes tradicionais ou dos eletrônicos, possui um jogador que se torna a principal referência e sempre é lembrado por todos como o “dono da marca”. É assim com Pelé no Santos, Lebron James no Cleveland Cavaliers, Faker na SK Telecom T1 e tantos outros. Quando se trata de Made in Brazil, Raphael “cogu” Camargo é o primeiro nome que vem na cabeça de quem acompanhou a primeira passagem do time no Counter-Strike.

A vitoriosa parceria entre jogador e organização começou em 2004, após cogu trocar a g3nerationX (g3x) pela MIBR, e durou cerca de cinco anos, com muitas idas e vindas, títulos e polêmicas - uma delas em 2009, em meio a mudanças na formação quando, em entrevista à ESBR, Bruno “bit” Lima revelou que pvell afirmou que o time seria composto pelo awper e mais quatro jogadores.

DO BRASIL PARA O TOPO MUNDIAL

O objetivo da Made in Brazil no Counter-Strike sempre foi único e claro: se torna referência mundial da modalidade. E conseguiu. Primeiramente, conquistado o título de melhor equipe do País e, posteriormente, com alto investimento em períodos de treino fora do Brasil, conquistando competições internacionais importantes, como o da Electronic Sports World Cup (ESWC) 2006, considerada na época como um major.

Mas este não foi o primeiro e único grande título conquistado pela MIBR. Nos nove anos que competiu, a equipe subiu no lugar mais alto do pódio diversas vezes. Desde em “torneios de lan house” a grandes eventos internacionais realizados dentro do País, como a edição de verão da Cyberathlete Professional League (CPL) 2005, e outros tantos fora: shgOpen e DreamHack Winter - ambos em 2007 - e a GameGune de 2008

ETERNA RIVALIDADE: CARIOCAS VS PAULISTAS

O MIBR também tem o nome gravado na histórica rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo por conta do Desafio Shuttle, minitorneio criado pela organização em 2006 com objetivo de decidir qual das três formações que jogavam pela tag iria ficar com o posto principal - conquistado pelo elenco formado por jogadores paulistas.

O ATÉ LOGO

A primeira passagem da Made in Brazil no cenário de Counter-Strike chegou ao fim em 2011, quando a formação liderada por Pedro "Maluk3" Campos deixou a organização para defender a playArt. Passado a saída do time, a direção do clube só foi anunciar o fim do ciclo no ano seguinte.