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Para Revolta, "Brasil continua no mesmo ritmo" enquanto outros cenários evoluíram

O MSI 2018 é o próximo desafio do Brasil em torneios internacionais de League of Legends Riot Games

Sempre quando o Brasil está próximo de disputar uma competição internacional de League of Legends, a discussão em torno do porque as equipes brasileiras não conseguem ir bem volta à tona. Nível do cenário, pouca oportunidade para enfrentar times estrangeiros e inexperiência são os “culpados” na visão do caçador da Vivo Keyd, Gabriel “Revolta” Henud, e do suporte francês da Red Canids, Hugo "Dioud" Padioleau.

“A grande diferença dos times brasileiros em competições internacionais é a questão do contato com as outras regiões. Todo ano, o Brasil avança lentamente em sua evolução quando um time vai para fora”, afirma Revolta em entrevista ao ESPN Esports Brasil. De acordo com o caçador, “é muito difícil” uma região evoluir quando se joga num “servidor em que os jogadores não levam tão a série as filas ranqueadas”.

Dioud é incisivo: “mesmo em evolução, ele continua inferior”. Segundo o suporte, isso acontece por inúmeros motivos: “a mecânica de cada jogador é mais fraca, o desempenho dos jogadores não é ideal na maioria dos casos e as organizações não conseguem oferecer o mesmo ambiente que os clubes lá de fora”. Para o integrante da Matilha, a “falta de experiência internacional” também atrapalha: “tem muitos estilos de jogos e para entendê-los, a melhor coisa a fazer é jogar contra esses estilos”.

Questionados pela Reportagem se o nível do Brasil caiu com relação às outras regiões, os dois jogadores acreditam que não. Pelo contrário, os outros cenários é que evoluíram. "O Brasil continua no mesmo ritmo", opina Revolta. O caçador faz uma pequena comparação entre os servidores brasileiro e sul-coreano, dizendo que na Coreia do Sul "o jogo já é muito mais desenvolvido". Ainda de acordo com o Guerreiro, "o sistema de ligas fechadas torna mais difícil a evolução de regiões menores".

Dioud e Revolta são dois jogadores que já representaram, mais de uma vez, o Brasil em torneios internacionais. O suporte enumera três pontos que a KaBuM precisa focar para o Mid-Season Invitational (MSI) 2018: O "mais importante é guardar a união do time fora do jogo; segundo, estudar muito bem cada time e preparar um plano específico sem mudar o próprio estilo e, por último, jogar para si e não ficar pensando no peso da torcida".

A “dica” de Revolta para a campeã da primeira etapa do Campeonato Brasileiro (CBLoL) no torneio de meio de temporada é: "jogar o jogo deles sem se preocuparem contra quem estão enfrentando". "É a parte essencial para eles", aponta o caçador. O Guerreiro acredita que a equipe de Limeira pode "vencer a Fase de Entrada".

Uma das regiões adversárias da KaBuM pelo primeiro round da Fase de Entrada é a Turquia, a qual os jogadores de Vivo Keyd e Red Canids conhecem muito bem. De acordo com Revolta, "os turcos são, realmente, muito bons" já que "jogam no servidor europeu e têm fácil acesso a times da liga europeia", o que faz "com que eles sejam os grandes favoritos".

Baseando-se na experiência da última edição do MSI, quando também enfrentou uma equipe da Turquia, Dioud afirma que a região "tem uma mecânica de jogo muito boa, individualmente, e eles gostam de serem agressivos". "Se você consegue controlar o início de jogo deles e tomar só as lutas que você escolheu, então você pode vencer eles", revela o suporte.

Sobre as outras regiões que também estão no grupo de Brasil e Turquia, Revolta afirma que a Oceania "tem jogadores habilidosos". Já Dioud aponta que o "Japão é uma região que não parece tão forte, mas na realidade o plano de jogo é inteligente". "A fase de rota podia ser o ponto fraco deles, mas cuidado porque sabem criar oportunidades também", crava o integrante da Matilha.

O Brasil disputa os torneios internacionais promovidos pela Riot Games desde 2013 e, de lá para cá, muita coisa mudou na região, com a principal mudança sendo a criação de uma liga profissional. Apesar da evolução que ocorreu nesses últimos anos, para Revolta, o cenário nacional "está bem longe do nível desejado". "A falta de contato internacional machuca muito nossos times por estarmos em um servidor muito subdesenvolvido. Acho que mais campeonatos internacionais ou um sistema mais aberto ajudaria", opina.

MSI 2018

Criado em 2015, o Mid-Season Invitational é o torneio que agita o primeiro semestre do League of Legends e, desde a última temporada, conta com a presença de todas as regiões do cenário internacional. Neste ano, a competição será disputada de 3 a 20 de maio, passando por dois países da Europa: Alemanha e França.

O vencedor do Campeonato Brasileiro (CBLoL) e os representantes de Oceania (OPL), Sudeste asiático (GPL), Comunidade dos Estados Independentes (LCL), Japão (LJL), Turquia (TCL) e dos servidores norte (LAN) e sul (CLS) da América Latina começam a competição pelo primeiro round da Fase de Entrada. Já o campeão da liga do Vietnã (VCS) e da que engloba Taiwan/Macau/Hong Kong (LMS) entram já no segundo round.

As campeãs das principais ligas profissionais da modalidade, América do Norte (LCS NA), Coreia do Sul (LCK), China (LPL) e Europa (LCS EU), se classificam para o evento principal do MSI.