Ela estava exausta e quieta. Ela manteve suas respostas curtas. Seus olhos abaixaram.
Kim "Geguri" Se-yeon, uma jovem de 18 anos de voz baixa lutando contra o jet lag e uma barreira de idioma, deu sua primeira entrevista nos Estados Unidos como membro do Shanghai Dragons e a primeira mulher na Overwatch League.
Mas ela estava presente e isso em si era significativo.
“Finalmente estou aqui”, disse através de um tradutor na sexta-feira (23).
Sua equipe, ainda sem vencer na Overwatch League, estava perdendo por 4 a 0 para o London Spitfire. Apesar da longa viagem da Coreia do Sul para Los Angeles e, em seguida, para o estúdio em Burbank, Califórnia, Geguri apareceu na Blizzard Arena para apoiar o Dragons naquele dia.
Ela não vai estrear até o Stage 3, mas estar na arena era importante para ela e faz diferença em uma liga que, até o Shanghai contratá-la em meados de fevereiro, não tinha uma jogadora mulher.
Para Geguri, essa é uma verdade desconfortável.
Ela é uma heroína relutante neste campeonato e tem sido desde que estreou em 2016, com acusações de trapaça posteriormente refutadas, tornando-a uma das jogadoras mais famosas do Overwatch no mundo.
Geguri evitou as perguntas sobre ser a cara das mulheres no jogo bem antes de se juntar ao ROX Orcas no Overwatch APEX, depois no Shanghai e na sexta-feira, quando se viu novamente falando sobre a narrativa de ser a representante das mulheres não apenas em Overwatch, mas no mundo dos esports.
“Ser o ícone ou ser admirada porque sou mulher - sou agradecida”, afirmou ela sobre as fãs do sexo feminino, “mas eu não tenho uma opinião sobre isso. Não é assim que eu quero ser conhecida”.
Sua primeira aparição, presumivelmente na primeira série do Stage 3, quando Shanghai jogará contra o Dallas Fuel às 20h no dia 4 de abril, será a primeira de muitas partidas colocadas sob o microscópio.
Esta é uma garota de 18 anos empurrada para uma posição nada invejável. Em todas as entrevistas, em todos os artigos, em todas as exposições que ela receber a partir de agora, ela estará ligada a um título: a primeira mulher na Overwatch League.
Isso pode ser injusto para Geguri, mas no e-sports, um espaço predominantemente masculino, ela é tanto algo atípico quanto um exemplo. No final, poucos podem decidir como sua história é contada.
“Eu sinto uma pressão imensa”, confessou ela. “Entendo que os outros jogadores e eu fomos trazidos para este time para que ele pudesse melhorar e realmente vencer. Se não o fizermos, eu sinto que muita repercussão pode vir disso”.
“Mesmo que seja o meu primeiro jogo, vou tratá-lo como o meu último”, finalizou.
